20 setembro 2005

Mito rural: a solta de lobos


Tal como os famosos mitos urbanos assiste-se hoje no mundo rural português ao surgimento de um novo mito, transversal a diferentes gerações e classes sociais: a solta de lobos (Canis lupus)...

É palavra comum nas aldeias do Norte de Portugal, que o Estado, organizações conservacionistas ou particulares procedem à libertação de lobos-ibéricos (Canis lupus signatus).

O contorno do “acontecimento” é sempre o mesmo:

  1. A solta nunca foi presenciada por aquele que conta a história mas a fonte é de "confiança".
  2. Dos meios utilizados consta habitualmente uma carrinha branca que ao cair da noite percorre as serras libertando os animais…
  3. Existem então “novos lobos”, de porte e pelagem diferentes dos lobos tradicionais e que não fogem quando encontram o Homem (como sempre aconteceu em milénios de coexistência Homem/Lobo).

De tão repetido este folclore assume contornos de axioma e quem o tente desmontar encontra invariavelmente o antagonismo, a desconfiança e até a agressividade.

Realmente é irónico que num país em que o Estado não apresenta qualquer projecto de reintrodução da fauna mais ameaçada, a ignorância leve a que o povo acredite que as instituições de conservação da natureza funcionem bastante melhor do que aquilo que na verdade acontece…

09 setembro 2005

Depósitos de lixo nas nossas montanhas


Eis uma imagem frequente das nossas serras... mas que também acontece em Espanha (a foto foi obtida nas montanhas leonesas).
É inadmissível que em países pertencentes à União Europeia, que possuem estações de tratamento de resíduos urbanos amplamente distribuídas e publicitadas, ainda existam pessoas que desrespeitem as mais elementares normas de civismo e depositem o lixo ao ar livre, no caso concreto num local ecologicamente sensível.
Faltará lá, como cá, a fiscalização apertada e a punição adequada...

04 setembro 2005

Actividade diurna dos mamíferos


A grande maioria dos mamíferos da nossa fauna apresenta hábitos nocturnos, principalmente devido à perseguição humana.
Contudo em locais tranquilos e com boa cobertura vegetal, mesmo os ungulados mais esquivos estão activos quando o Sol já vai alto.
É o caso deste corço (Capreolus capreolus) fotografado às primeiras horas da manhã numa floresta mista de carvalhos e pinheiros-silvestres num vale remoto do Nordeste Transmontano.

28 agosto 2005

A importância dos matagais



Nestes dias de incêndios devastadores, a atenção da comunicação social recai sobre a extensão das manchas florestais ardidas e os meios de combate ao fogo mobilizados. Poucas vezes se fala do tipo de floresta consumido pelas chamas e despreza-se a destruição das formações arbustivas, vulgarmente designadas por "matos".

Contudo, entre os vários matagais que povoam as nossas serras, existem algumas formações que assumem grande importância para a fauna. Merece particular destaque a uva-do-monte (Vaccinium myrtillus), retratada na foto acima, que por estas alturas se torna um importante recurso trófico nas serras do Norte peninsular.

A destruição do "mato" pelo fogo, é muitas vezes também uma tragédia para o nosso meio natural...

24 agosto 2005

Sinais de esperança



Em matéria de incêndios florestais o nosso país atravessa uma vez mais um momento trágico, com mais de 150 mil hectares devastados pelas chamas este ano.
Apesar de a maior parte da área florestal ardida corresponder a culturas monoespecíficas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucalyptus), portanto longe do coberto vegetal original e com uma baixa biodiversidade, os números impressionam pela sua dimensão.
Em Espanha, onde existe uma verdadeira floresta à base de árvores autóctones, os incêndios são também fonte de preocupação, com 107 mil hectares ardidos. Mas, ao contrário do que se passa por cá, a esperança renasce quando, caminhando em áreas esquecidas do interior montanhoso de Castela e Leão, se encontra um ambicioso projecto de reflorestação à base de carvalhos (Quercus petraea e Quercus pyrenaica)!
A Natureza agradece... Fica o exemplo!