22 dezembro 2005

A Marta - todo um mito em Portugal


É um dos animais mais bonitos e ágeis da fauna do Paleárctico.
Com uma distribuição restrita aos grandes bosques maduros de frondosas ou de pinheiros-silvestres (Pinus sylvestris), a Marta (Martes martes) apenas pode ser encontrada nas montanhas mais belas do Hemisfério Norte.
O pelo denso e sedoso, o corpo projectado para vertiginosas perseguições a esquilos, a bela mancha amarela, o olhar vivo, as orelhas pequenas, as extremidades felpudas, tudo neste mamífero traduz elegância e beleza.
Uma vez que em Portugal escasseiam as grandes montanhas ou os velhos carvalhais em óptimo estado de conservação, duvida-se da existência da Marta.
Será que apesar de todo o desprezo que os portugueses sempre demonstraram pela Natureza existirá ainda no nosso país o derradeiro símbolo das florestas intactas?
Eis a pergunta a que este blog tentará responder num futuro próximo...
A todos os leitores os meus sinceros votos de Feliz Natal!

12 dezembro 2005

Picanço-de-dorso-ruivo: o livro


Foi editado recentemente um livro sobre o Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio) da autoria de Luís Reino, pertencente à colecção Património Natural Transmontano.
Na verdade trata-se DO livro sobre esta espécie, uma vez que ao longo de 100 páginas o autor oferece-nos a informação mais detalhada e completa alguma vez editada em Portugal relativa a este pequeno predador.
Algumas passagens da obra são particularmente interessantes, como a constatação de que o declínio das populações de picanços na Europa Ocidental se iniciou a 1 de Janeiro de 1950 com a aprovação da Política Agrícola Comum (PAC). Também se encontram descritos os principais tipos de habitat da espécie em Portugal, percursos através de paisagens de grande beleza onde é possível a sua observação e medidas concretas de conservação.
Este título pode ser adquirido através do portal Naturlink (endereço no canto superior direito desta página).
Definitivamente é um livro a não perder para todos os amantes das aves e da Natureza em geral.

06 dezembro 2005

O regresso da neve


Chegou o tempo da neve, dos dias curtos, do frio intenso...
A actividade da fauna que povoa os nossos bosques diminui enormemente. O Urso-pardo cantábrico (Ursus arctos) hiberna, os Esquilos (Sciurus vulgaris) passam por longos períodos de letargia, os cervídeos reduzem ao mínimo indispensável as suas deambulações em busca de alimento. O objectivo é apenas um: poupar energia para sobreviver!
Os juvenis da maioria das espécies enfrentam agora o grande desafio das suas (ainda) curtas vidas. Em anos de abundantes nevões, como aconteceu no último Inverno nas montanhas do Norte ibérico, a mortalidade aumenta exponencialmente.
São tempos belos mas simultaneamente impiedosos, em que a calma é apenas aparente...

30 novembro 2005

Visitar Muniellos


Muniellos, Reserva da Biosfera da Unesco, um dos maiores carvalhais da Europa, assume a forma de um semi-circulo, dominado pelo Pico Candanosa com 1676 metros de altitude. A única abertura na sucessão de encostas íngremes recobertas de floresta é o desfiladeiro de Tablizas, por onde corre o rio Muniellos.
Mais de três quartos da área da reserva é constituída por bosques maduros, enquanto que os prados e zonas de cultivo estão reduzidos a 3% da superfície. Aqui existem mais de 200 espécies de fungos, 60 tipos de líquenes, 30 tipos de musgos e 400 espécies de plantas vasculares. A árvore mais difundida é o carvalho Quercus petrae, acompanhado pelo Carvalho-alvarinho (Quercus robur), Bétula (Betula pubescens) e Faia (Fago Sylvaticae).
Em termos faunísticos Muniellos alberga mais de 160 espécies de vertebrados, destacando-se pela sua raridade o Urso-pardo (Ursus arctos), o Galo-montês (Tetrao urogallus) e o Pica-pau-mediano (Dendrocopos medius). Merece especial menção o grupo dos morcegos: existem 15 espécies, algumas tão raras como o Morcego-grande-de-ferradura (Rhinolophus ferrum equinum) - ameaçado por toda a Europa - ou o Morcego da montanha (Hypsugo savii).
Desde Portugal a melhor forma de chegar a este autêntico paraíso é seguir pela auto-estrada A3 até à fronteira de Valença. Já em Espanha continua-se pela A55 até à Porriño onde se toma a A52. Em Ourense abandonamos a auto-estrada e percorremos os próximos quilómetros na estrada nacional 120, de forma a alcançar Ponferrada. Uma vez aqui, seguimos pela via local 631 até Villablino, onde desviamos à esquerda pela 626, mais tarde denominada AS-15. Na aldeia de Ventanueva seguimos novamente pela esquerda alcançando rapidamente Tablizas, porta de entrada do Monte de Muniellos. São cerca de 480 km e cinco horas de viagem, mas a recompensa é enorme...
O bosque pode ser percorrido através de um trilho com mais de 18 km de extensão, que leva o viajante até às belíssimas lagoas. O desnível é de cerca de 700 metros e são necessárias 6 horas de caminhada, mas a atmosfera em que avançamos é um deleite para os sentidos.
Para terminar refira-se que o acesso à Reserva Biológica Integral de Muniellos está restringido a 20 pessoas por dia e que cada visitante apenas pode percorrer estas montanhas uma vez por ano. É necessário marcar antecipadamente a visita, o que pode ser feito pelo telefone (0034)985963060.
De que é que está à espera para conhecer a realização mais sublime da Natureza Ibérica?

21 novembro 2005

Muniellos - o grande Bosque Ibérico


Quando a 9 de Novembro de 2000 o Bosque de Muniellos foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO tinha chegado ao fim, com amplo sucesso, uma longa cruzada para defender um dos últimos grandes bosques maduros da Europa.
Localizado no extremo sudoeste do Principado das Astúrias, Muniellos é, desde há muito, um local especial. Constitui uma representação quase virginal das comunidades vegetais e animais da Cordilheira Cantábrica. O seu relevo abrupto, a elevada pluviosidade anual e as vias de comunicação deficientes conseguiram travar a actividade florestal que, em alguns momentos, ameaçou este bosque de mais de 5500 hectares de extensão.
Conforme nos diz Victor Vázquez, antigo director-geral dos recursos naturais do Principado, Muniellos é um marco simbólico para a protecção dos espaços naturais não só das Astúrias mas também de toda a Espanha. Quando surgiram projectos de intervenção que ameaçavam as características naturais deste território, o alerta de várias personalidades científicas e associações conservacionistas possibilitou em 1970 o fim da exploração madeireira e em 1982 a declaração como Reserva Biológica Nacional.
Muniellos representa para os asturianos o último reduto das frondosas florestas de carvalho que outrora cobriram a totalidade da região, proporcionando abrigo e alimento aos seus povoadores. Hoje, pelas suas características, constitui um laboratório extraordinário para a investigação dos recursos naturais.
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(No próximo post - o relevo, a flora, a fauna, como chegar e como visitar Muniellos)