27 dezembro 2005

Abrigos de pastores


Dispersos pelas mais agrestes serras do Norte de Portugal e da Galiza existem pequenos abrigos de pastores, por vezes em locais de difícil acesso.
Construídos à base de pesados blocos graníticos muitos deles mantêm-se intactos até aos nossos dias, testemunho da relação íntima do Homem com a Natureza.
A sua simplicidade e silhueta elegante são um exemplo perfeito de integração harmoniosa na paisagem. E ainda hoje num dia de chuva constituem o melhor dos abrigos para o caminhante desprevenido...

22 dezembro 2005

A Marta - todo um mito em Portugal


É um dos animais mais bonitos e ágeis da fauna do Paleárctico.
Com uma distribuição restrita aos grandes bosques maduros de frondosas ou de pinheiros-silvestres (Pinus sylvestris), a Marta (Martes martes) apenas pode ser encontrada nas montanhas mais belas do Hemisfério Norte.
O pelo denso e sedoso, o corpo projectado para vertiginosas perseguições a esquilos, a bela mancha amarela, o olhar vivo, as orelhas pequenas, as extremidades felpudas, tudo neste mamífero traduz elegância e beleza.
Uma vez que em Portugal escasseiam as grandes montanhas ou os velhos carvalhais em óptimo estado de conservação, duvida-se da existência da Marta.
Será que apesar de todo o desprezo que os portugueses sempre demonstraram pela Natureza existirá ainda no nosso país o derradeiro símbolo das florestas intactas?
Eis a pergunta a que este blog tentará responder num futuro próximo...
A todos os leitores os meus sinceros votos de Feliz Natal!

12 dezembro 2005

Picanço-de-dorso-ruivo: o livro


Foi editado recentemente um livro sobre o Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio) da autoria de Luís Reino, pertencente à colecção Património Natural Transmontano.
Na verdade trata-se DO livro sobre esta espécie, uma vez que ao longo de 100 páginas o autor oferece-nos a informação mais detalhada e completa alguma vez editada em Portugal relativa a este pequeno predador.
Algumas passagens da obra são particularmente interessantes, como a constatação de que o declínio das populações de picanços na Europa Ocidental se iniciou a 1 de Janeiro de 1950 com a aprovação da Política Agrícola Comum (PAC). Também se encontram descritos os principais tipos de habitat da espécie em Portugal, percursos através de paisagens de grande beleza onde é possível a sua observação e medidas concretas de conservação.
Este título pode ser adquirido através do portal Naturlink (endereço no canto superior direito desta página).
Definitivamente é um livro a não perder para todos os amantes das aves e da Natureza em geral.

06 dezembro 2005

O regresso da neve


Chegou o tempo da neve, dos dias curtos, do frio intenso...
A actividade da fauna que povoa os nossos bosques diminui enormemente. O Urso-pardo cantábrico (Ursus arctos) hiberna, os Esquilos (Sciurus vulgaris) passam por longos períodos de letargia, os cervídeos reduzem ao mínimo indispensável as suas deambulações em busca de alimento. O objectivo é apenas um: poupar energia para sobreviver!
Os juvenis da maioria das espécies enfrentam agora o grande desafio das suas (ainda) curtas vidas. Em anos de abundantes nevões, como aconteceu no último Inverno nas montanhas do Norte ibérico, a mortalidade aumenta exponencialmente.
São tempos belos mas simultaneamente impiedosos, em que a calma é apenas aparente...

30 novembro 2005

Visitar Muniellos


Muniellos, Reserva da Biosfera da Unesco, um dos maiores carvalhais da Europa, assume a forma de um semi-circulo, dominado pelo Pico Candanosa com 1676 metros de altitude. A única abertura na sucessão de encostas íngremes recobertas de floresta é o desfiladeiro de Tablizas, por onde corre o rio Muniellos.
Mais de três quartos da área da reserva é constituída por bosques maduros, enquanto que os prados e zonas de cultivo estão reduzidos a 3% da superfície. Aqui existem mais de 200 espécies de fungos, 60 tipos de líquenes, 30 tipos de musgos e 400 espécies de plantas vasculares. A árvore mais difundida é o carvalho Quercus petrae, acompanhado pelo Carvalho-alvarinho (Quercus robur), Bétula (Betula pubescens) e Faia (Fago Sylvaticae).
Em termos faunísticos Muniellos alberga mais de 160 espécies de vertebrados, destacando-se pela sua raridade o Urso-pardo (Ursus arctos), o Galo-montês (Tetrao urogallus) e o Pica-pau-mediano (Dendrocopos medius). Merece especial menção o grupo dos morcegos: existem 15 espécies, algumas tão raras como o Morcego-grande-de-ferradura (Rhinolophus ferrum equinum) - ameaçado por toda a Europa - ou o Morcego da montanha (Hypsugo savii).
Desde Portugal a melhor forma de chegar a este autêntico paraíso é seguir pela auto-estrada A3 até à fronteira de Valença. Já em Espanha continua-se pela A55 até à Porriño onde se toma a A52. Em Ourense abandonamos a auto-estrada e percorremos os próximos quilómetros na estrada nacional 120, de forma a alcançar Ponferrada. Uma vez aqui, seguimos pela via local 631 até Villablino, onde desviamos à esquerda pela 626, mais tarde denominada AS-15. Na aldeia de Ventanueva seguimos novamente pela esquerda alcançando rapidamente Tablizas, porta de entrada do Monte de Muniellos. São cerca de 480 km e cinco horas de viagem, mas a recompensa é enorme...
O bosque pode ser percorrido através de um trilho com mais de 18 km de extensão, que leva o viajante até às belíssimas lagoas. O desnível é de cerca de 700 metros e são necessárias 6 horas de caminhada, mas a atmosfera em que avançamos é um deleite para os sentidos.
Para terminar refira-se que o acesso à Reserva Biológica Integral de Muniellos está restringido a 20 pessoas por dia e que cada visitante apenas pode percorrer estas montanhas uma vez por ano. É necessário marcar antecipadamente a visita, o que pode ser feito pelo telefone (0034)985963060.
De que é que está à espera para conhecer a realização mais sublime da Natureza Ibérica?