
Um mustelídeo durante a noite e um Corço (Capreolus capreolus) durante o dia passam defronte do mesmo carvalho, realçando a
tranquilidade que ainda existe nesta serra minhota.
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Em Junho de 2004, após vários meses de trabalho de campo, consideramos terminada a primeira fase deste estudo. Tínhamos colocado câmaras fotográficas automáticas nos principais vales desta floresta do Alto Minho e determinado aqueles em que era frequente a presença de Marta (Martes martes), um mustelídeo do qual ainda pouco se sabe em Portugal.
As ameaças que este animal enfrenta estão na sua maioria relacionadas com o meio em que vive. O fogo, o corte de árvores, a fragmentação do bosque pela construção de novas estradas ou alargamento das já existentes poderão fazer perigar a evolução da sua população.
A maior ameaça contudo será provavelmente o veneno. Usado frequentemente pelos pastores locais com vista a eliminar o Lobo (Canis lupus) para diminuir os danos que este super-predador inflige aos seus rebanhos, o veneno é uma arma cega, que mata indiscriminadamente todos os predadores, incluindo a marta.
São necessárias medidas de sensibilização da população rural minhota alertando para os graves danos que a utilização do veneno provoca no meio ambiente e também uma vigilância eficaz das nossas áreas naturais mais importantes. Só assim será possível continuarmos a usufruir da presença deste pequeno mamífero, tão ágil e gracioso.
Termino com uma nota de optimismo. Em Novembro de 2005 foi possível confirmar a presença de marta numa floresta extensa contígua, já pertencente a Espanha (Galiza). As duas populações parecem estar em comunicação aumentado assim consideravelmente o número total de individuos e diminuindo a vulnerabilidade da população portuguesa.