13 abril 2006

Melro de água - o pequeno pássaro mergulhador


Nas zonas mais elevadas do Norte e Centro de Portugal existe uma pequena ave que percorre incessantemente os cursos de água mais preservados: trata-se do Melro de água (Cinclus cinclus).
De dorso escuro, peito branco e com uma cauda curta sempre dirigida para cima apresenta um aspecto inconfundível. A sua população é escassa e dispersa pois apresenta grandes exigências em termos de habitat: necessita de ribeiros de águas límpidas com fundo rochoso e de baixa profundidade, ausência de poluição e margens constituídas por vegetação abundante.
O Melro de água é a única ave canora capaz de mergulhar. Devido a uma plumagem impermeável e utilizando a impulsão das suas asas consegue deslocar-se debaixo de água, predando sobre invertebrados aquáticos.
Por vezes encontramos a fauna mais exigente em locais inesperados. Isso mesmo aconteceu numa tarde do mês de Março em que passeando pelas margens do Rio Fervença em pleno centro histórico da cidade de Bragança fui surpreendido pelo vôo rápido desta ave. Que outra capital de distrito poderá orgulhar-se de ser cruzada por um rio que conta com a presença desta jóia da fauna ibérica?

06 abril 2006

Paisagem protegida das Lagoas de Bertiandos


A Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos (PPLBSPA) localiza-se a 4 Km da vila de Ponte de Lima, entre o Rio Lima e as Serras de Arga e Cabração.
Com uma área total de 350 hectares compreende duas lagoas e as margens do Rio Estorãos (afluente da margem direita do Lima), numa zona de várzea sujeita a diferentes graus de encharcamento em que predomina a vegetação espontânea autóctone. Merecem também referência as áreas de pastagens naturais, normalmente limitadas por sebes à base de folhosas, e a zona das veigas de Bertiandos e de Sobreiro onde se pratica o cultivo do milho.
Neste conjunto de meios naturais tão distintos a variedade de flora e fauna é assinalável. Estão inventariadas mais de 500 espécies de plantas, algumas pertencentes a habitats de conservação prioritária a nível europeu como as florestas de amieiros (Alnus glutinosa) em solo de aluvião. Quanto à fauna merece particular destaque a presença da Lontra (Lutra lutra), do Corço (Capreolus capreolus), Rã-ibérica (Rana iberica) e Lagarto-de-água (Lacerta schereiberi).
A melhor forma de visitar este espaço natural será provavelmente através da realização dos vários percursos pedestres sugeridos no Centro de Intrepretação Ambiental localizado à entrada da PPLBSPA junto a São Pedro de Arcos.
Deve-se realçar o excelente trabalho da Câmara Municipal de Ponte de Lima uma vez que foi graças à sua influência que esta área adquiriu o actual estatuto de protecção ambiental. Uma medida rara no nosso país que, espero, venha a ser seguida por outros elementos do poder local.

30 março 2006

O Lobo nos Pirinéus Orientais


O Lobo (Canis lupus) regressou aos Pirinéus Orientais!
Esta foi a notícia veiculada pelo Paris Match e pelo Le Monde já em Setembro de 1999. Nos primeiros anos deste século os dados oficiais confirmaram de forma sustentada o regresso do grande predador. As fontes são várias:
  • compensações pagas pelo governo francês pela predação exercida pelo lobo sobre o gado na Reserva Natural de Nohèdes (Maciço de Madres-Coronat)
  • 3 exemplares distintos de lobo identificados em estudo genético de excrementos encomendado pelo ONCFS (Office National de la Chasse et de la Faune Sauvage) entre 1998 e 2000 na mesma reserva
  • uma fotografia deste canídeo obtida em Agosto de 2002 no Maciço de Carlit
  • o anúncio oficial, a 12 de Fevereiro de 2004, pela Generalitat de Catalunya da presença de um lobo no Parque Natural de Cadi, confirmada por estudos genéticos.
O mais curioso é que todas as situações que puderam ser comprovadas pela genética indicam que a colonização está a ser efectuada por lobos "italianos", ou seja pela sub-espécie Canis lupus italicus. Isto significa que este canídeo conseguiu suplantar a grande barreira à sua dispersão desde os Alpes do Sul, que é o humanizado Vale do Rhône (consultar imagem acima). A corroborar tal facto está descoberta em 1997 e 99 de 2 cadáveres de lobo no Maciço Central.
Perante tanta evidência só me resta afirmar: bem-vindo de volta!

22 março 2006

Queimadas

Incêndio em Fevereiro num dos vales mais remotos do Parque Nacional da Peneda-Gerês

Nestes dias caminhando pelas serras do Norte de Portugal podem-se observar várias colunas de fumo elevando-se no céu. Correspondem a dezenas de fogos diários, na sua maioria ateados pelas populações locais (principalmente pastores) mas também pelas autoridades competentes (Serviços Florestais). Pretende-se com estas queimadas intencionais renovar os pastos ou então queimar áreas de "mato" com vista a prevenir os grandes incêndios de Verão.
Os resultados desta actividade contudo são no mínimo controversos. Primeiro porque queimar as mesmas áreas ao longo de anos não renova os pastos, antes acaba por esgotá-los. Depois porque ao incendiar "simples matos" se está na realidade a destruir zonas de regeneração de vegetação autóctone bastante mais ricas para a nossa fauna do que as monoculturas de Pinheiro-bravo ou Eucalipto.
Em Portugal infelizmente as montanhas estão associadas ao fogo... em qualquer altura do ano!

16 março 2006

Ainda o Inverno


Estamos a meio de Março e os dias são cada vez mais longos. Adivinha-se o regresso da Primavera, antecipa-se a explosão de vida... contudo nas nossas montanhas o Inverno ainda persiste.
Na Cordilheira Cantábrica os cumes apresentam-se revestidos por um manto branco imaculado, os bosques continuam despidos, os prados permanecem estéreis, as aldeias encontram-se isoladas do mundo.
E a fauna? São os dias mais duros do ano, em que a escassez de alimento é extrema.
Todos ansiamos pela próxima estação...