27 junho 2006

Cartaxo-comum: um habitante frequente do Parque Nacional da Peneda-Gerês


O Cartaxo-comum (Saxicola torquata) é um dos passeriformes mais elegantes dos que habitam no Parque Nacional da Peneda-Gerês. O macho adulto aqui retratado foi fotografado na Portela da Freza, na vertente Ocidental da Serra do Gerês. O local corresponde ao tipo de habitat preferido por esta espécie: um espaço aberto, aos 1200 metros de altitude, com várias formações arbustivas - tojais, urzais e matos higrófilos.
Durante a nossa passagem por este prado de montanha o casal de cartaxo-comum mostrou-se bastante activo, com vôos frequentes na nossa proximidade e vocalizações constantes. Suspeitamos que o motivo para tanta agitação residia na existência de pequenos cartaxos num ninho das proximidades...

20 junho 2006

A Salamandra-lusitânica


Nas montanhas do Norte de Portugal e da Galiza, próximo a ribeiros de águas puras e com abundante vegetação rupícola habita um pequeno anfíbio único no mundo: a Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica).
Os adultos desta espécie apresentam uma actividade preferencialmente terrestre apenas utilizando o meio aquático para se refugiarem dos predadores ou acasalarem e depositarem os seus ovos. Durante o dia descansam sob pedras ou em cavidades naturais e à noite deambulam por lameiros ou bosques caducifólios em busca de pequenos insectos e aracnídeos.
Uma das características mais destacadas da salamandra-lusitânica é a capacidade de libertar a cauda quando ameaçada, algo de bastante raro na classe dos anfíbios.
Com o seu corpo negro de 16 cm de comprimento, duas listas douradas e ponteado azulado no dorso esta salamandra enriquece com a sua presença os locais mais preservados das nossas serras húmidas atlânticas. Esperemos que por um longo tempo..

11 junho 2006

Os pombais


Em Trás-os-Montes é frequente encontrarmos dispersos pela paisagem pombais como o retratado na foto acima: no Nordeste Transmontano existem mais de 3500 destas estruturas.
Começaram a ser construídos no início do século XIX e tinham como principais funções a produção de estrume de pombo (ou "pombinho") e a produção de carne. Devido ao exôdo rural da segunda metade do século XX e à caça desregulada verificou-se um abandono progressivo destas edificações encontrando-se actualmente muitos deles em ruínas.
Numa excelente medida de conservação da natureza e do património cultural, o Parque Natural do Douro Internacional iniciou em 1997 a recuperação de 25 pombais. Posteriormente apoiou a criação da PALOMBAR (palavra que significa pombal em mirandês), ou seja a associação dos proprietários de pombais tradicionais do Nordeste Transmontano, que tem como principal objectivo precisamente "recuperar, conservar e revitalizar" estas estruturas.
Para além do embelezamento da paisagem e da recuperação das populações de Pombos-das-rochas (Columba livia) as principais beneficiadas deverão ser as aves de rapina, como a ameaçada Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus), que assim veêm aumentar a disponibilidade das suas potenciais presas.

30 maio 2006

O Lobo e as suas presas em Montalegre (3/3)

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) fotografado aos 1300 metros de altitude, numa serra do concelho de Montalegre. (Para ampliar a foto teclar com o botão esquerdo do "rato" sobre a imagem)

Embora não tenha sido possível observar directamente ou escutar os seus uivos, a presença do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) nesta serra do Noroeste transmontano foi sugerida pela existência de rastros e excrementos.
A confirmação foi conseguida pela foto reproduzida acima, obtida na noite de 20 Julho de 2005 num pequeno bosque de Carvalho-negral (Quercus pyrenaica) onde o Corço (Capreolus capreolus) é particularmente abundante.
Como é bom saber que em alguns pontos do território português o eterno ciclo predador/presa ainda acontece e logo com intervenientes tão emblemáticos e majestosos...

25 maio 2006

O Lobo e as suas presas em Montalegre (2/3)

O Corço (Capreolus capreolus) é o ungulado mais frequente na área estudada

De acordo com os objectivos do trabalho de campo apresentados no post anterior a observação de índicios de presença de mamíferos permitiu detectar a ocorrência de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), Corço (Capreolus capreolus) e Javali (Sus scrofa). Nas altitudes mais elevadas constatou-se a presença de gado equino e bovino pastoreados em regime extensivo.
As fotografias obtidas pelas camâras automáticas confirmaram os dados indirectos de presença. Desta forma pode-se concluir que o regime alimentar do lobo nesta serra do extremo Norte português deverá basear-se fundamentalmente nas 4 espécies referidas (duas silvestres e outras duas cuja abundância depende do homem), desconhecendo-se no entanto a importância relativa de cada uma na dieta do canídeo.
Foi possível constatar o abandono de um cadáver de gado bovino num prado próximo a uma aldeia, uma prática que provavelmente representará mais uma importante fonte alimentar para o lobo.