06 julho 2006

O Teixo



Caminhando pelas serranias do Gerês é possível encontrar em vales abrigados, "pequenas" árvores com 10 a 15 metros de altura, com troncos retorcidos avermelhados e folhas de um verde profundo: são os Teixos (Taxus baccata).
Estes exemplos de elegância vegetal constituem provavelmente os seres vivos mais antigos do Parque Nacional da Peneda-Gerês uma vez que há exemplares com mais de 1500 anos de idade!
Esta espécie dióica, ou seja com indíviduos femininos e masculinos distintos, distribui-se pelas florestas mistas da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia. No nosso país encontra-se restringido às Serras do Gerês e da Estrela.
Todas as partes verdes do teixo são tóxicas o que motivou a sua destruição sistemática desde há séculos pelos efeitos nefastos sobre os animais domésticos. Contudo, esta árvore venerável é uma das maiores aliadas do Homem na grande luta do século XXI: o cancro. Dela se extraem os taxanos que constituem uma das principais armas da medicina moderna para os tumores da mama, pulmão, bexiga, esofágo, ovário, próstata e muitos outros.
É impossível ficar indiferente a esta árvore: percorrer a floresta de Albergaria numa tarde nevosa de Inverno e encontrar um teixo com as suas inconfundíveís bagas vermelhas transporta-nos para um Portugal de há milênios, cheio de magia...

03 julho 2006

Pico - a montanha atlântica


Mais de 2300 metros acima do nível do mar, em pleno Oceano Altântico, a meio caminho entre a Europa e a América do Norte ergue-se a montanha mais alta de Portugal: o Pico!
Subir a sua encosta Oeste, pelo trilho bem marcado, trepando as rochas vulcânicas é um desafio que deveria ser experimentado por todos os amantes da Natureza.
A caminhada inicia-se aos 1200 metros de altitude junto ao chamado Cabeço das Cabras. Após mais de 1 quilómetro surgem os primeiros marcos que assinalam o trajecto até ao cume. O trilho inflecte primeiro para Sul em direcção à Lomba de São Mateus e depois para Este, até alcançar a cratera. Esta é verdadeiramente imponente, com cerca de 600 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade.
No extremo leste da cratera encontra-se o verdadeiro cume da montanha, o Piquinho. As suas encostas com mais 70 metros de altura são constituídas por basaltos por onde escapam continuamente fumarolas... Verdadeiramente surpreendente é o facto de até neste local inóspito ser possível encontrar o Melro-preto (Turdus merula)!
Se tivermos a sorte de usufruir de um dia descoberto a vista é fenomenal, conseguindo-se observar as ilhas do grupo central açoriano (Faial, São Jorge, Graciosa e Terceira), cada uma com o seu encanto particular...

27 junho 2006

Cartaxo-comum: um habitante frequente do Parque Nacional da Peneda-Gerês


O Cartaxo-comum (Saxicola torquata) é um dos passeriformes mais elegantes dos que habitam no Parque Nacional da Peneda-Gerês. O macho adulto aqui retratado foi fotografado na Portela da Freza, na vertente Ocidental da Serra do Gerês. O local corresponde ao tipo de habitat preferido por esta espécie: um espaço aberto, aos 1200 metros de altitude, com várias formações arbustivas - tojais, urzais e matos higrófilos.
Durante a nossa passagem por este prado de montanha o casal de cartaxo-comum mostrou-se bastante activo, com vôos frequentes na nossa proximidade e vocalizações constantes. Suspeitamos que o motivo para tanta agitação residia na existência de pequenos cartaxos num ninho das proximidades...

20 junho 2006

A Salamandra-lusitânica


Nas montanhas do Norte de Portugal e da Galiza, próximo a ribeiros de águas puras e com abundante vegetação rupícola habita um pequeno anfíbio único no mundo: a Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica).
Os adultos desta espécie apresentam uma actividade preferencialmente terrestre apenas utilizando o meio aquático para se refugiarem dos predadores ou acasalarem e depositarem os seus ovos. Durante o dia descansam sob pedras ou em cavidades naturais e à noite deambulam por lameiros ou bosques caducifólios em busca de pequenos insectos e aracnídeos.
Uma das características mais destacadas da salamandra-lusitânica é a capacidade de libertar a cauda quando ameaçada, algo de bastante raro na classe dos anfíbios.
Com o seu corpo negro de 16 cm de comprimento, duas listas douradas e ponteado azulado no dorso esta salamandra enriquece com a sua presença os locais mais preservados das nossas serras húmidas atlânticas. Esperemos que por um longo tempo..

11 junho 2006

Os pombais


Em Trás-os-Montes é frequente encontrarmos dispersos pela paisagem pombais como o retratado na foto acima: no Nordeste Transmontano existem mais de 3500 destas estruturas.
Começaram a ser construídos no início do século XIX e tinham como principais funções a produção de estrume de pombo (ou "pombinho") e a produção de carne. Devido ao exôdo rural da segunda metade do século XX e à caça desregulada verificou-se um abandono progressivo destas edificações encontrando-se actualmente muitos deles em ruínas.
Numa excelente medida de conservação da natureza e do património cultural, o Parque Natural do Douro Internacional iniciou em 1997 a recuperação de 25 pombais. Posteriormente apoiou a criação da PALOMBAR (palavra que significa pombal em mirandês), ou seja a associação dos proprietários de pombais tradicionais do Nordeste Transmontano, que tem como principal objectivo precisamente "recuperar, conservar e revitalizar" estas estruturas.
Para além do embelezamento da paisagem e da recuperação das populações de Pombos-das-rochas (Columba livia) as principais beneficiadas deverão ser as aves de rapina, como a ameaçada Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus), que assim veêm aumentar a disponibilidade das suas potenciais presas.