13 julho 2006

O Faial

Bosque da Enramada - Um dos maiores faiais ibéricos, no Parque Natural de Somiedo, fotografado no Verão
Bosque de Pome - Faial maduro junto ao Rio Pomperi, no Parque Nacional dos Picos de Europa, fotografado no Outono

Nas vertentes Norte da Cordilheira Cantábrica desenvolve-se o mais belo bosque caducifólio da Península Ibérica: o Faial.
A Faia (Fagus sylvatica) é uma árvore robusta que pode alcançar os 40 metros de altura, de tronco recto e cilíndrico e coloração acinzentada. As folhas são ovais ou elípticas e formam uma copa muito densa que produz uma sombra espessa.
A floração coincide com o surgimento das folhas, em Abril e Maio, e os frutos amadurecem em Setembro e Outubro caindo em Novembro.
Devido à sua elevada transpiração a faia, para se desenvolver, necessita de um ambiente húmido, com abundantes brumas e névoas.
A sombra que produz impede o desenvolvimento do estrato herbáceo (a sua cobertura frequentemente não ultrapassa os 5% do bosque). Por isso o faial é um bosque "limpo", sendo perfeitamente possível caminhar por entre as suas arvores como se de um jardim bem cuidado se tratasse.
Nenhuma floresta europeia consegue transmitir com tanto vigor a passagem das estações: desde os troncos despidos e cobertos de neve do Inverno, ao verde intenso e fresco do Verão, passando pela explosão fugaz de cores do Outono.

10 julho 2006

Ouriço-europeu: a principal vítima de atropelamento


Com um corpo pequeno e rechonchudo, recorberto de espinhos com 2 a 3 cm de comprimento, o Ouriço-europeu (Erinaceus europaeus) é um animal inconfundível da Fauna Ibérica.
Embora seja uma presença assídua das áreas abertas (prados, zonas de cultivo) limitadas por fileiras boscosas ou arbustivas e ocupe uma ampla franja altitudinal desde o nível do mar até ao limite superior do bosque (em Portugal até aos 1200 metros de altitude), o ouriço encontra-se ameaçado.
A sua marcha lenta e principalmente o seu particular sistema defensivo perante ameaças (a imobilização, confiante no papel dissuador dos espinhos que o revestem) levam a que seja uma das principais vítimas de atropelamento das estradas ibéricas. O desenvolvimento da rede viária agrava a cada dia o problema.
Por isso se uma destas simpáticas criaturas decidir estabelecer-se no seu jardim não a expulse: provavelmente esse jardim é um dos poucos locais seguros que ainda restam para o nosso ouriço...

06 julho 2006

O Teixo



Caminhando pelas serranias do Gerês é possível encontrar em vales abrigados, "pequenas" árvores com 10 a 15 metros de altura, com troncos retorcidos avermelhados e folhas de um verde profundo: são os Teixos (Taxus baccata).
Estes exemplos de elegância vegetal constituem provavelmente os seres vivos mais antigos do Parque Nacional da Peneda-Gerês uma vez que há exemplares com mais de 1500 anos de idade!
Esta espécie dióica, ou seja com indíviduos femininos e masculinos distintos, distribui-se pelas florestas mistas da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia. No nosso país encontra-se restringido às Serras do Gerês e da Estrela.
Todas as partes verdes do teixo são tóxicas o que motivou a sua destruição sistemática desde há séculos pelos efeitos nefastos sobre os animais domésticos. Contudo, esta árvore venerável é uma das maiores aliadas do Homem na grande luta do século XXI: o cancro. Dela se extraem os taxanos que constituem uma das principais armas da medicina moderna para os tumores da mama, pulmão, bexiga, esofágo, ovário, próstata e muitos outros.
É impossível ficar indiferente a esta árvore: percorrer a floresta de Albergaria numa tarde nevosa de Inverno e encontrar um teixo com as suas inconfundíveís bagas vermelhas transporta-nos para um Portugal de há milênios, cheio de magia...

03 julho 2006

Pico - a montanha atlântica


Mais de 2300 metros acima do nível do mar, em pleno Oceano Altântico, a meio caminho entre a Europa e a América do Norte ergue-se a montanha mais alta de Portugal: o Pico!
Subir a sua encosta Oeste, pelo trilho bem marcado, trepando as rochas vulcânicas é um desafio que deveria ser experimentado por todos os amantes da Natureza.
A caminhada inicia-se aos 1200 metros de altitude junto ao chamado Cabeço das Cabras. Após mais de 1 quilómetro surgem os primeiros marcos que assinalam o trajecto até ao cume. O trilho inflecte primeiro para Sul em direcção à Lomba de São Mateus e depois para Este, até alcançar a cratera. Esta é verdadeiramente imponente, com cerca de 600 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade.
No extremo leste da cratera encontra-se o verdadeiro cume da montanha, o Piquinho. As suas encostas com mais 70 metros de altura são constituídas por basaltos por onde escapam continuamente fumarolas... Verdadeiramente surpreendente é o facto de até neste local inóspito ser possível encontrar o Melro-preto (Turdus merula)!
Se tivermos a sorte de usufruir de um dia descoberto a vista é fenomenal, conseguindo-se observar as ilhas do grupo central açoriano (Faial, São Jorge, Graciosa e Terceira), cada uma com o seu encanto particular...

27 junho 2006

Cartaxo-comum: um habitante frequente do Parque Nacional da Peneda-Gerês


O Cartaxo-comum (Saxicola torquata) é um dos passeriformes mais elegantes dos que habitam no Parque Nacional da Peneda-Gerês. O macho adulto aqui retratado foi fotografado na Portela da Freza, na vertente Ocidental da Serra do Gerês. O local corresponde ao tipo de habitat preferido por esta espécie: um espaço aberto, aos 1200 metros de altitude, com várias formações arbustivas - tojais, urzais e matos higrófilos.
Durante a nossa passagem por este prado de montanha o casal de cartaxo-comum mostrou-se bastante activo, com vôos frequentes na nossa proximidade e vocalizações constantes. Suspeitamos que o motivo para tanta agitação residia na existência de pequenos cartaxos num ninho das proximidades...