10 agosto 2006

O fim da Mata do Ramiscal


Fotografias recentes do Vale do Ramiscal revelavam a diversidade de habitats: o bosque caducifólio, os prados de altitude e as encostas escarpadas.

Hoje é um dia particularmente triste para a Conservação da Natureza em Portugal. Uma das poucas florestas autóctones que ainda existiam no nosso país, a Mata do Ramiscal, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, foi na sua maior parte destruída pelo fogo. Enquanto escrevo estas linhas (noite de 10 de Agosto) Azevinhos (Ilex aquifolium) centenários são consumidos pelas chamas.
O Vale do Ramiscal é um vale remoto do Alto Minho com cerca de 10 quilómetros de extensão que se dispõe no sentido Este-Oeste. A maior parte da sua área está protegida legalmente pelo máximo estatuto de protecção ambiental, o de Parque Nacional.
A Mata do Ramiscal estendia-se ao longo da margem esquerda do rio e era formada sobretudo por exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur) de grande porte e pelos supra-citados azevinhos. Neste local deambulava o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a Águia-real (Aquila chrysaetos) cruzava assiduamente os céus e o Gato-bravo (Felis silvestris) refugiava-se no mais espesso do bosque.
Seria difícil encontrar uma maior diversidade e riqueza natural no nosso país. Nos últimos dois dias tudo isto desapareceu! A Mata do Ramiscal morreu! O solo carbonizado estende-se do rio até ao ponto mais alto da Serra do Soajo. A Natureza lusa está de luto, o Parque Nacional da Peneda-Gerês nunca mais será o mesmo, a minha tristeza é imensa...

04 agosto 2006

Os Carvalhos centenários do Parque Natural de Redes


Carvalhos de Llanu´l Toru, localizados numa das zonas de maior protecção ambiental da Cordilheira Cantábrica

Quem percorre o imponente bosque Saperu no Parque Natural de Redes (Principado de Astúrias), por entre a interminável sucessão de Faias (Fagus sylvatica) descobrirá um espectáculo natural que não esquecerá facilmente.
No mais recôndito da floresta abrigam-se gigantescos exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur), com mais de 10 metros de diâmetro. Estas árvores centenárias, inúmeras vezes fustigadas por relâmpagos, ainda hoje dão protecção e alimento a uma rica fauna cantábrica que delas depende. Devido ao seu óptimo estado de conservação provavelmente sobreviverão por mais algumas centenas de anos...

28 julho 2006

Parque Natural de Redes

Cantu l´Osu - montanha mítica do Parque Natural de Redes com 1800 metros de altitude
Cuetu Negru - montanha rodeada pelos extensos faiais de Mongallu e Pociellu
Cascata de Tabállon - local de inesperada beleza que se atinge após cruzar o fabuloso bosque Saperu

Na região Oriental das Astúrias existe um território de 377 quilómetros quadrados de extensão classificado como Reserva da Biosfera pela Unesco: o Parque Natural de Redes.
Trata-se duma região montanhosa, com a altitude máxima de 2104 metros no Pico Torres, relevos abruptos, com bosques de grande extensão (33% da superfície do Parque corresponde a bosques maduros) e uma fauna das mais ricas e diversificadas da Europa, podendo-se referir a título de exemplo uma representação importante do galo-montês (Tetrao urugallus) há muito extinto em Portugal.
Existem inúmeros trilhos que podem ser percorridos merecendo particular destaque a Ruta del Alba, declarada Monumento Natural pelo Principado de Astúrias em 2001.

19 julho 2006

Pinheiro-silvestre: a conífera autóctone do Parque Nacional da Peneda-Gerês


A caminhada é longa e árdua. É preciso percorrer vários quilómetros de um trilho íngreme e pedregoso para alcançar este local escondido da Serra do Gerês. Mas vale a pena: perante nós encontram-se os últimos representantes de uma época remota.
Há milênios os glaciares cobriam o topo do Gerês. O bosque, restringido às altitudes mais baixas, era constítuido por coníferas principalmente pelo Pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris), árvore imponente de folhas perenes e tronco avermelhado. Com o fim da glaciação de Wurm e o recuo dos gelos, estes pinheiros passaram a ocupar o topo da serra, enquanto que os vales mais abrigados foram colonizados pelo Carvalho (Quercus robur).
Os pinheiros-silvestres representavam para o Gerês o que os Pinheiros-negros (Pinus nigra) representam para os Alpes. No ínicio da nossa era formariam um bosque extenso, magnífico. Com a necessidade de pastos para o gado e da madeira por altura dos Descobrimentos estas florestas foram queimadas e derrubadas, restando na actualidade apenas alguns exemplares para testemunhar a grandeza desses tempos.
Sempre que subo a um dos cumes graníticos do Gerês não consigo deixar de imaginar como seria se os vales abruptos que desfilam diante de mim ainda estivessem recobertos por estes bosques primitivos!

13 julho 2006

O Faial

Bosque da Enramada - Um dos maiores faiais ibéricos, no Parque Natural de Somiedo, fotografado no Verão
Bosque de Pome - Faial maduro junto ao Rio Pomperi, no Parque Nacional dos Picos de Europa, fotografado no Outono

Nas vertentes Norte da Cordilheira Cantábrica desenvolve-se o mais belo bosque caducifólio da Península Ibérica: o Faial.
A Faia (Fagus sylvatica) é uma árvore robusta que pode alcançar os 40 metros de altura, de tronco recto e cilíndrico e coloração acinzentada. As folhas são ovais ou elípticas e formam uma copa muito densa que produz uma sombra espessa.
A floração coincide com o surgimento das folhas, em Abril e Maio, e os frutos amadurecem em Setembro e Outubro caindo em Novembro.
Devido à sua elevada transpiração a faia, para se desenvolver, necessita de um ambiente húmido, com abundantes brumas e névoas.
A sombra que produz impede o desenvolvimento do estrato herbáceo (a sua cobertura frequentemente não ultrapassa os 5% do bosque). Por isso o faial é um bosque "limpo", sendo perfeitamente possível caminhar por entre as suas arvores como se de um jardim bem cuidado se tratasse.
Nenhuma floresta europeia consegue transmitir com tanto vigor a passagem das estações: desde os troncos despidos e cobertos de neve do Inverno, ao verde intenso e fresco do Verão, passando pela explosão fugaz de cores do Outono.