

Perante os resultados dramáticos disponibilizados pelo mais completo censo alguma vez realizado sobre a situação do Lince ibérico (Lynx pardinus) em Portugal e Espanha (no final de 2003 apenas se verificava uma presença vestigial do felino no nosso país e descida abrupta da população espanhola para um máximo de 30 fêmeas reprodutoras), iniciaram-se ambiciosos planos de conservação in situ (no terreno) e ex situ (reprodução em cativeiro, investigação e aprovação dos programas de recuperação da espécie).
Com o apoio logístico e financeiro da Junta da Andaluzia e da União Europeia foram investidos nos últimos anos mais de 1 milhão de euros em prol do lince. Uma das princiais áreas de actuação incidiu sobre o núcleo populacional da Serra Morena que, com cerca de 100 linces adultos e 20 fêmeas reprodutoras, constitui o principal reduto deste felino na actualidade.
A população da Serra Morena encontra-se dividida em dois núcleos separados por cerca de 5 quilómetros: o núcleo do vale do Jándula e o núcleo do vale do Yeguas. Este último é o que apresenta a situação mais problemática visto que em 2002 apenas existiam 7 linces, dos quais 3 eram fêmeas reprodutoras. Com mais de 70% da área na posse de privados e antes que qualquer medida de conservação fosse efectivada foi necessário iniciar prolongadas conversações com o intuito de se obterem as indispensáveis autorizações para o acesso e o manejo destas terras, o que finalmente foi conseguido em 2003.
Para melhorar a situação do lince era necessário aumentar a disponibilidade de alimento, ou seja aumentar a densidade da sua presa-alvo: o Coelho (Oryctolagus cuniculus). Como a solta directa de coelhos não produz habitualmente os resultados desejados procedeu-se então à construção de dezenas de cercados, com 1 a 4 hectares de perímetro, contendo entre 20 a 30 coelhos cada um, o que elevava a densidade generalizada do lagomorfo em toda a área a 2 coelhos por hectare (densidade mínima que permite a reprodução do lince). Além disso procedeu-se à elaboração de pontos de alimentação suplementar também com altas densidades de coelho. Resultado: dos 7 linces iniciais passou-se para 36 em 2006, ou seja a população de lince multiplicou-se por 5 (!) em apenas 3 anos. Existem agora 7 a 8 fêmeas reprodutoras que em 2006 deram à luz, só nesta sub população, 19 pequenos linces...
O sucesso deste projecto foi tão marcado que neste momento a União Europeia aprovou um novo orçamento de 25 milhões de euros, valor sem precedentes no âmbito da conservação de espécies ibéricas ameaçadas, para o prosseguimento das medidas já implementadas e translocação de exemplares para a segunda população mais importante de lince, a do Parque Nacional de Doñana, de forma a aumentar a variabilidade genética.
No próximo post falarei sobre as medidas de conservação ex situ do lince ibérico, nomeadamente o programa de reprodução em cativeiro.
Com o apoio logístico e financeiro da Junta da Andaluzia e da União Europeia foram investidos nos últimos anos mais de 1 milhão de euros em prol do lince. Uma das princiais áreas de actuação incidiu sobre o núcleo populacional da Serra Morena que, com cerca de 100 linces adultos e 20 fêmeas reprodutoras, constitui o principal reduto deste felino na actualidade.
A população da Serra Morena encontra-se dividida em dois núcleos separados por cerca de 5 quilómetros: o núcleo do vale do Jándula e o núcleo do vale do Yeguas. Este último é o que apresenta a situação mais problemática visto que em 2002 apenas existiam 7 linces, dos quais 3 eram fêmeas reprodutoras. Com mais de 70% da área na posse de privados e antes que qualquer medida de conservação fosse efectivada foi necessário iniciar prolongadas conversações com o intuito de se obterem as indispensáveis autorizações para o acesso e o manejo destas terras, o que finalmente foi conseguido em 2003.
Para melhorar a situação do lince era necessário aumentar a disponibilidade de alimento, ou seja aumentar a densidade da sua presa-alvo: o Coelho (Oryctolagus cuniculus). Como a solta directa de coelhos não produz habitualmente os resultados desejados procedeu-se então à construção de dezenas de cercados, com 1 a 4 hectares de perímetro, contendo entre 20 a 30 coelhos cada um, o que elevava a densidade generalizada do lagomorfo em toda a área a 2 coelhos por hectare (densidade mínima que permite a reprodução do lince). Além disso procedeu-se à elaboração de pontos de alimentação suplementar também com altas densidades de coelho. Resultado: dos 7 linces iniciais passou-se para 36 em 2006, ou seja a população de lince multiplicou-se por 5 (!) em apenas 3 anos. Existem agora 7 a 8 fêmeas reprodutoras que em 2006 deram à luz, só nesta sub população, 19 pequenos linces...
O sucesso deste projecto foi tão marcado que neste momento a União Europeia aprovou um novo orçamento de 25 milhões de euros, valor sem precedentes no âmbito da conservação de espécies ibéricas ameaçadas, para o prosseguimento das medidas já implementadas e translocação de exemplares para a segunda população mais importante de lince, a do Parque Nacional de Doñana, de forma a aumentar a variabilidade genética.
No próximo post falarei sobre as medidas de conservação ex situ do lince ibérico, nomeadamente o programa de reprodução em cativeiro.



