04 julho 2007

Papoila: uma das mais belas flores silvestres

A papoila-silvestre (Papaver rhoeas).

Chegados a Junho é habitual encontrar um pouco por todo o país, nas margens das estradas ou em campos de cereais, uma das nossas mais belas flores silvestres: a papoila.
Beneficiando notavelmente da menor utilização actual de pesticidas esta flor de grandes pétalas vermelhas prospera em vários locais onde até há pouco se encontrava ausente.
Embora se trate de uma espécie delicada que por vezes perde as suas pétalas num único dia por acção, por exemplo, de um vento mais forte nem por isso é presa fácil. De facto encontra-se provida de um eficaz sistema de defesa que impede o seu consumo por animais de pasto: as suas folhas produzem uma seiva leitosa com várias substâncias venenosas o que se traduz num sabor amargo e repulsivo. Essa mesma seiva contém um alcalóide de reconhecidas propriedades sedativas.

02 julho 2007

Evolução das populações de aves de rapina na Península Ibérica (7)

A Coruja-do-mato (Strix aluco) é provavelmente a ave de rapina nocturna mais frequente das montanhas do Norte de Portugal.

(conclusão do post anterior)

A Coruja-do-mato (Strix aluco) é uma bela ave de rapina nocturna distribuída por todo o país mas que frequenta principalmente as florestas maduras de coníferas e caducifólias das serras nortenhas. É uma ave sedentária com dispersão juvenil. Presume-se que na Península ibérica existam mais de 50 mil casais reprodutores e que a tendência populacional seja de aumento.

O Bufo-pequeno (Asio otus) é uma rapina com morfologia aproximada ao Bufo-real (Bubo bubo) contudo apresenta cerca de metade do tamanho deste último. É uma espécie bastante discreta e pouco frequente com predilecção pelas superfícies florestais nomeadamente pinhais, carvalhais, soutos e montados. É sedentária verificando-se migração invernal de aves do Norte da Europa. Em Portugal e Espanha especula-se que existam cerca de 5 mil parelhas reprodutoras contudo os Livros Vermelhos dos Vertebrados de ambos os países não se comprometem sobre o seu estatuto de conservação, declarando não estarem reunidos os dados suficientes para avaliar com exactidão o risco de extinção da espécie.

A Coruja-do-nabal (Asio flammeus) ao contrário das outras rapinas nocturnas aqui referidas prefere os terrenos abertos para caçar, nidificando frequentemente no solo. Por vezes está activa durante o dia chegando a caçar em grupo. Na Península ibérica apenas é reprodutora e de forma esporádica no Norte de Espanha; refira-se contudo que o número de casais nidificantes pode aumentar espectacularmente em anos de praga de Toupeira (Talpa occidentalis), como é o caso de 1994 e provavelmente agora de 2007... Em Portugal não chega a nidificar recebendo o nosso país exemplares invernantes do Oeste da Europa, que se estabelecem principalmente em zonas húmidas como os estuários do Sado, Tejo, Mondego ou as rias de Aveiro, Formosa ou Alvor. Segundo a SEO/Birdlife em Espanha o seu estatuto de conservação é de "Quase ameaçado" e em Portugal o nosso Livro Vermelho dos Vertebrados atribui-lhe a classificação de "Em Perigo de Extinção".

Com este post concluo o resumo da situação actual e tendência populacional das principais aves de rapina diurnas e nocturnas da Península Ibérica.

22 junho 2007

Evolução das populações de aves de rapina na Península Ibérica (6)

Exemplar de Bufo-real (Bubo bubo).

(continuação do post anterior)


O Mocho-galego (Athene noctua) é possivelmente a rapina nocturna mais avistada durante o dia graças ao seu hábito de pousar em postes que ladeiam as estradas ou telhados de habitações. Como habitat prefere as paisagens abertas de clima mediterrâneo, evitando os bosques densos e as zonas de montanha. Na Península Ibérica é uma espécie comum contabilizando-se mais de 50 mil casais reprodutores contudo admite-se que ao longo dos últimos cinco anos a sua população se encontre em declive.

O Bufo-real (Bubo bubo) é a maior das aves de rapina nocturnas, impressionando pela sua grande envergadura e garras poderosas. Em Portugal distribui-se pelo interior Transmontano, Beira Interior, interior Alentejano e Algarve. A população ibérica compreende mais de 3 mil parelhas reprodutoras apresentando uma tendência global de aumento entre os anos 2000 e 2005. Encontra-se classificado como "Quase Ameaçado" no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e como "Pouco Preocupante" no Libro Rojo dos Vertebrados de España.

(continua no próximo post)

15 junho 2007

Evolução das populações de aves de rapina na Península Ibérica (5)

Mocho-d´orelhas (Otus scops) adulto.
(continuação do post anterior)

A Coruja-das-torres (Tyto alba) é uma das aves de rapina nocturnas mais comuns. É frequente avistá-la em voo a baixa altitude sobre as estradas que atravessam prados e campos agrícolas, o que a torna vítima frequente de atropelamentos. Estima-se que em toda a Península Ibérica existam entre 50 a 100 mil casais reprodutores, especulando-se que a sua população esteja em declive devido ao abandono das actividades agrícolas tradicionais e ao uso de pesticidas. No "Libro Rojo de los Vertebrados de España", editado em 2004, considera-se que esteja "Em Perigo de Extinção". Curiosamente no "Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal", editado em 2006, o seu estatuto de conservação é de "Pouco Preocupante"...

O Mocho-d´orelhas (Otus scops) é a mais pequena das rapinas nocturnas ibéricas. Visita-nos no Verão enchendo as noites com a sua belíssima vocalização. É mais comum a Norte de Portugal que no Sul e prefere as zonas de baixa altitude evitando os maciços montanhosos. Entre os anos 2000 e 2005 a sua população peninsular manteve-se nos 30 mil casais reprodutores contudo a informação sobre a espécie é escassa o que dificulta a determinação da sua viabilidade a médio/longo prazo.

(continua no próximo post)

08 junho 2007

Evolução das populações de aves de rapina na Península Ibérica (4)

Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus) no ninho.

(continuação do post anterior)

A Águia-cobreira (Circaetus gallicus) é um visitante estival proveniente da África tropical e que se distribui pelas principais montanhas ibéricas. Existem em Portugal e Espanha cerca de 2000 casais reprodutores cujo efectivo se manteve estável ao longo dos últimos cinco anos.

A Águia-calçada (Hieraaetus pennatus) conta na Península Ibérica com aproximadamente quatro mil casais reprodutores, número este que se tem mantido estável neste início de milénio. É um visitante estival que prefere a metade ocidental peninsular alcançando no nosso país as maiores densidades populacionais no Alto Alentejo.

A Águia-perdigueira ou Águia de Bonelli (Hiaraaetus fasciatus) é um dos tesouros da Fauna Ibérica. É uma ave de rapina de silhueta aproximada à águia-real, grande e forte, com asas mais curtas. Em Portugal distribui-se principalmente pelo Alto Douro, Vale do Sabor, Tejo Internacional e Alentejo. Embora prefira escarpas para instalar os seus ninhos esta tendência é contrariada nas serras do sudoeste alentejano onde a nidificação se verifica em árvores de grande porte. Classificada como "Em Perigo de Extinção" a nível europeu, a sua população decresceu na Península Ibérica das 700 a 800 parelhas reprodutoras no ano 2000 para as 650 a 700 no ano 2005.

(continua no próximo post)