Nas montanhas da Península Ibérica ainda são relativamente frequentes as cicatrizes na paisagem provocadas por explorações mineiras actuais ou passadas.
Na Cordilheira Cantábrica por exemplo, habitat de espécies tão ameaçadas como o Urso-pardo (Ursus arctos) ou o Galo-montês (Tetrao urogallus), co-existem a poucas centenas de metros dos locais de criação destes animais minas a céu aberto, feridas abertas nas encostas florestadas que chegam a atingir quilómetros de diâmetro.
Em Portugal, em pleno Parque Natural de Montesinho as antigas minas de volfrâmio de Portelo, localidade fronteiriça no coração desta área protegida, embora desactivadas há mais de 20 anos ainda hoje marcam a paisagem com centenas de poços distribuídos por uma área de 15 hectares que colocam em risco a segurança das populações e da fauna protegida do parque. Mas este panorama está a mudar: actualmente decorrem trabalhos com vista ao encerramento das cavidades e à recuperação ambiental desta vertente da Serra de Montesinho.
Parabéns à Câmara Municipal de Bragança responsável pela iniciativa a qual devolve a dignidade perdida a uma das mais belas montanhas portuguesas. Espero contudo que os responsáveis políticos locais sejam coerentes e que depois do grande esforço económico envolvido neste projecto (fala-se em mais de 1,5 milhões de euros) não deitem tudo a perder instalando dezenas de aerogeradores na cumeada da serra arruinando assim o maior valor desta região: a sua paisagem belíssima, única no país...
