22 fevereiro 2008

Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (6)

Provável local de reprodução da Alcateia de Bragança em 2007. Ao redor deste vale foram detectados inúmeros indícios de lobo ao longo do período reprodutor.

Quadro 3 - Estações de escuta realizadas durante o Verão e Outono de 2007 e início de 2008 com o objectivo de confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança.


Vídeo 1 - Vídeo obtido por máquina de filmar automática com recurso a iluminação infra-vermelha, onde se observa um Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança.
[Para observar o vídeo carregar com o botão direito do rato sobre a seta no canto inferior esquerdo]

(continuação do post anterior)

Resultados
Durante o ano de 2007 e apesar do considerável esforço de campo não foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança. Com efeito o grupo familiar não foi observado directamente, as estações fotográficas automáticas apesar de fotografarem e filmarem Lobos ibéricos adultos (Canis lupus signatus) (vídeo 1) não registaram qualquer cria e nas várias estações de escuta (quadro 3) também não foi possível detectar a alcateia.
Refira-se contudo que segundo os critérios utilizados pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e o Grupo Lobo a reprodução desta alcateia em 2007 é considerada como provável (in Censo Nacional de Lobo 2002/2003, Anexo B). A presença de uma concentração elevada de dejectos de lobo (14 dejectos em apenas 2 quilómetros) em pleno período reprodutor é sugestivo de tal facto.

(conclusão no próximo post)

15 fevereiro 2008

Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (5)

Apesar de discreto o Corço (Capreolus capreolus) abunda no território da Alcateia de Bragança.

Esta cria de Javali (Sus scrofa) deixará em breve a segurança da vara e a sua maior preocupação será evitar o grande predador desta serra do Distrito de Bragança: o Lobo (Canis lupus signatus).

(continuação do post anterior)

Resultados
Relativamente às potenciais presas da Alcateia de Bragança, nomeadamente o Javali (Sus scrofa), o Corço (Capreolus capreolus) e o Veado (Cervus elaphus), a sua detecção ocorreu ao longo de todo o ano. A actividade do veado e do corço foi superior nos meses de Outono enquanto que o número de fotografias de javali atingiu o máximo durante o Verão.
Em 2007 o corço e o javali foram detectados a cada 46 dias (constituíram as presas-alvo mais abundantes) enquanto que o veado foi fotografado a cada 69 dias.
Relativamente à correlação entre estas espécies verifica-se que nos locais com presença de veado co-existe frequentemente o javali (correlação de Pearson 0,06; P=0,79). Já o corço distribui-se principalmente pelos sítios mais apartados e com menor presença de veado (correlação de Pearson -0,15; P=0,46) e javali (correlação de Pearson -0,24; P=0,23) embora esta exclusão aparente não atinja a significância estatística.

(continua no próximo post)

07 fevereiro 2008

Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (4)

Raposa (Vulpes vulpes) fotografada em plena luz do dia próximo ao seu local de cria.

Este é um dos mais fantásticos e desconhecidos mamíferos selvagens portugueses: a Marta (Martes martes). Esta fotografia comprova a sua existência no Distrito de Bragança, próximo a um vale remoto e num local de densa cobertura florestal.

Gráfico 2 - Medianas (barras a cores) e respectivo interquartile range das fotografias de fauna obtidas em cada estação do ano.

Quadro 2 - Número de fotografias diurnas das espécies de mamíferos carnívoros identificados pelas câmaras fotográficas automáticas.

(continuação do post anterior)

Resultados
De acordo com os dados obtidos pela utilização de câmaras fotográficas automáticas a actividade da fauna na área estudada foi mínima durante o Inverno, aumentou de forma incipiente na Primavera, atingiu a sua máxima intensidade durante o Verão e diminuiu progressivamente ao longo Outono (gráfico 2). Esta diferença nos padrões de actividade de acordo com as estações do ano não se revelou contudo estatisticamente significativa (P=0,27).
A detecção de mamíferos carnívoros ocorreu preferencialmente durante a noite. Com efeito todas as fotos de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), Texugo (Meles meles), Gineta (Genetta genetta) e Cão (Canis lupus familiaris) foram obtidas nesse período. Apenas a Raposa (Vulpes vulpes), a Marta (Martes martes) e o Gato-montês (Felis silvestris) foram detectados durante o dia (quadro 2 e fotos em anexo).

(continua no próximo post)

29 janeiro 2008

Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (3)

Quadro 1 - Espécies de mamíferos detectadas pelas estações fotográficas automáticas em 2007 e respectivo número de dias de detecção.

Embora o Veado (Cervus Elaphus) abunde no território da Alcateia de Bragança a sua densidade deverá ser inferior à de outras potenciais presas do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), como é o caso do Javali (Sus scrofa) ou do Corço (Capreolus capreolus).

(continuação do post anterior)

Resultados
Foram utilizadas pelo menos 2 câmaras fotográficas automáticas em simultâneo de forma a monitorizar a fauna que habita o território da Alcateia de Bragança. Refira-se que estas câmaras não foram colocadas nos locais mais adequados para fotografar o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) uma vez que a presença deste pode ser facilmente depreendida pelos sinais de marcação do território ou pela realização de estações de escuta. Procurou-se antes com o uso deste método fotográfico de detecção determinar quais os animais que partilham o espaço com o super-predador.
Assim ao longo de 2007 o número total de dias de funcionamento
efectivo das estações fotográficas (EF) automáticas foi de 554 dias (mediana de 21; desvio padrão foi de 10,83; números máximo e mínimo de dias de funcionamento das câmaras de 42 e 3 respectivamente) tendo-se obtido 233 fotos de fauna (mediana de 4 fotos por EF; desvio padrão de 11,09; número máximo e mínimo de fotos por câmara de 42 e 0 respectivamente).
O número de espécies detectadas por EF variou entre 0 e 7 (mediana de 2;
desvio padrão de 1,79). O quadro 1 apresenta todas as espécies de mamíferos identificadas e o número total de dias de detecção para cada uma delas.

(continua no próximo post)

16 janeiro 2008

Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (2)

Gráfico 1 - Mediana (barra a negro) e respectivo interquartile range de dejectos de Lobo (Canis lupus signatus) detectados no território da Alcateia de Bragança ao longo das diferentes estações do ano.

Esta fêmea de Javali (Sus scrofa) foi fotografada próximo a um local habitual de passagem dos elementos da Alcateia de Bragança.

(continuação do post anterior)

Métodos
Foram realizados percursos pedestres no território da Alcateia de Bragança ao longo de todo o ano 2007, com um mínimo de periodicidade mensal, com o intuito de identificar sinais indirectos da presença do Lobo (Canis lupus signatus) e assim estabelecer padrões de ocupação do território. Simultaneamente e em locais considerados apropriados foram realizadas estações de escuta de forma a tentar confirmar a reprodução deste grupo familiar. Finalmente foram utilizadas câmaras fotográficas e de vídeo automáticas para registar a presença não só deste canídeo selvagem mas também da restante fauna vertebrada que habita o local, com especial ênfase na determinação da densidade relativa das suas potenciais presas.

Resultados
O autor efectuou 14 percursos pedestres no território da Alcateia de Bragança, perfazendo um total de 61,5 quilómetros percorridos (mediana de 4,75; desvio padrão de 1,97). Foram contabilizados 37 dejectos de lobo (mediana de 1 por cada percurso; desvio padrão de 3,92) com uma densidade máxima de 7 dejectos por quilómetro nos meses de Junho e Julho próximo ao local provável de criação desta alcateia em 2007.
O gráfico 1 apresenta a mediana de dejectos detectados por quilómetro em cada estação do ano. Verifica-se que a marcação do território alcança o seu valor máximo ao longo do Verão e Outono e desce para um valor residual na Primavera quando a discrição relativamente ao lugar de criação é máxima.

(continua no próximo post)