A Primavera é uma altura de abundância de recursos alimentares pelo que a maioria das espécies da Fauna Ibérica escolhe este período do ano para iniciar o período reprodutor. Dentro das "ofertas" da Natureza conta-se a Cerejeira (Prunus avium) que no nosso país surge principalmente no interior Norte, em lugares frescos e com solos profundos. Percorrendo um bosque caducifólio ou descendo ao longo das margens florestadas de um curso de água transmontano sobressai uma árvore recoberta de flores brancas que anunciam a cereja, autêntico símbolo da Primavera lusitana.
Blogue sobre a Natureza da Península Ibérica, as suas áreas naturais mais importantes e denúncias de atentados ambientais.
14 abril 2008
Cerejeira, símbolo da Primavera
A Primavera é uma altura de abundância de recursos alimentares pelo que a maioria das espécies da Fauna Ibérica escolhe este período do ano para iniciar o período reprodutor. Dentro das "ofertas" da Natureza conta-se a Cerejeira (Prunus avium) que no nosso país surge principalmente no interior Norte, em lugares frescos e com solos profundos. Percorrendo um bosque caducifólio ou descendo ao longo das margens florestadas de um curso de água transmontano sobressai uma árvore recoberta de flores brancas que anunciam a cereja, autêntico símbolo da Primavera lusitana.
27 março 2008
O líder da escarpa
O dia amanhece naquele vale remoto e as escarpas graniticas que ladeiam o estreito ribeiro são progressivamente banhadas pela luz do Sol. Subitamente, um exemplar do mais ágil mamífero ibérico, a Cabra-montês (Capra pyrenaica), destaca-se na paisagem quando salta de um pequeno ressalto para uma parede aparentemente vertical. De seguida dezenas de outras cabras seguem o líder do grupo, evoluindo por rotas impossíveis de escalada da montanha.
Este espectáculo da Natureza ocorre em Portugal desde 1999, altura em que, a partir do Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés localizado na Galiza, 2 grupos de cabra-montês (subespécie victoriae) escaparam de um cercado de aclimatação e ocuparam o contíguo Parque Nacional da Peneda-Gerês já em terras lusas.
Desde então estes grupos fundadores prosperaram e actualmente ocupam alguns dos mais belos locais do único Parque Nacional português. Mais: a nível europeu as serras do Alto Minho são dos raros locais onde populações selvagens de cabras-montesas sofrem a predação selectiva exercida por populações estáveis de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus).
Apesar de os últimos anos terem-se revelados auspiciosos, a cabra-montês atravessa um risco real de extinção no nosso país devido à baixa variabilidade genética relacionada com o número reduzido de indíviduos fundadores. O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (ICNB) atribui-lhe portanto o mais desfavorável estatuto de conservação: Criticamente em Perigo de Extinção. Oxalá os portugueses tenham aprendido com erros do passado e possam conservar esta autêntica jóia da Fauna Ibérica.
Desde então estes grupos fundadores prosperaram e actualmente ocupam alguns dos mais belos locais do único Parque Nacional português. Mais: a nível europeu as serras do Alto Minho são dos raros locais onde populações selvagens de cabras-montesas sofrem a predação selectiva exercida por populações estáveis de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus).
Apesar de os últimos anos terem-se revelados auspiciosos, a cabra-montês atravessa um risco real de extinção no nosso país devido à baixa variabilidade genética relacionada com o número reduzido de indíviduos fundadores. O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (ICNB) atribui-lhe portanto o mais desfavorável estatuto de conservação: Criticamente em Perigo de Extinção. Oxalá os portugueses tenham aprendido com erros do passado e possam conservar esta autêntica jóia da Fauna Ibérica.
19 março 2008
Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (7)
(continuação do post anterior)
Conclusão
Ao longo do ano 2007 não foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança. Constata-se que este grupo familiar continua presente na área de estudo e que aplicando os critérios estabelecidos pelo ICNB e pelo Grupo Lobo aquando do último Censo Nacional de Lobo (2002-2003) a sua reprodução pode-se considerar como provável.
Durante 2007 não se verificou qualquer ameaça relevante sobre o ecossistema contudo paira a ameaça de construção de um parque eólico de grandes dimensões próximo aos 2 vales que tradicionalmente são utilizados este grupo familiar de Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus) para a reprodução. Simultaneamente encontra-se em discussão a possibilidade de construção de uma via com perfil de auto-estrada ou via rápida no limite Oeste do seu território.
O distrito de Bragança e concretamente o território percorrido por esta alcateia constituem uma das melhores áreas para a Conservação da Natureza em Portugal. Entre as espécies ameaçadas que aqui habitam e que foram detectadas no presente estudo destacam-se para além do lobo (estatuto: em perigo), a Marta (Martes martes; estatuto: informação insuficiente), a Águia-real (Aquila chrysaetos; estatuto: em perigo) ou o Tartaranhão-azulado (Circus cyaneus; estatuto: criticamente em perigo).
Assume assim uma maior importância a continuação do esforço de campo ao longo de 2008 com vista a determinar a evolução destas espécies e a identificar os factores de ameaça sobre o território. Nesse sentido os resultados desse trabalho serão disponibilizados às entidades responsáveis pela Conservação da Natureza do Distrito de Bragança e publicados neste blog com salvaguarda do anonimato dos locais por onde deambulam estes fabulosos exemplares da fauna portuguesa.
Durante 2007 não se verificou qualquer ameaça relevante sobre o ecossistema contudo paira a ameaça de construção de um parque eólico de grandes dimensões próximo aos 2 vales que tradicionalmente são utilizados este grupo familiar de Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus) para a reprodução. Simultaneamente encontra-se em discussão a possibilidade de construção de uma via com perfil de auto-estrada ou via rápida no limite Oeste do seu território.
O distrito de Bragança e concretamente o território percorrido por esta alcateia constituem uma das melhores áreas para a Conservação da Natureza em Portugal. Entre as espécies ameaçadas que aqui habitam e que foram detectadas no presente estudo destacam-se para além do lobo (estatuto: em perigo), a Marta (Martes martes; estatuto: informação insuficiente), a Águia-real (Aquila chrysaetos; estatuto: em perigo) ou o Tartaranhão-azulado (Circus cyaneus; estatuto: criticamente em perigo).
Assume assim uma maior importância a continuação do esforço de campo ao longo de 2008 com vista a determinar a evolução destas espécies e a identificar os factores de ameaça sobre o território. Nesse sentido os resultados desse trabalho serão disponibilizados às entidades responsáveis pela Conservação da Natureza do Distrito de Bragança e publicados neste blog com salvaguarda do anonimato dos locais por onde deambulam estes fabulosos exemplares da fauna portuguesa.
22 fevereiro 2008
Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (6)
Quadro 3 - Estações de escuta realizadas durante o Verão e Outono de 2007 e início de 2008 com o objectivo de confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança.Vídeo 1 - Vídeo obtido por máquina de filmar automática com recurso a iluminação infra-vermelha, onde se observa um Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança.
[Para observar o vídeo carregar com o botão direito do rato sobre a seta no canto inferior esquerdo]
(continuação do post anterior)
Resultados
Durante o ano de 2007 e apesar do considerável esforço de campo não foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança. Com efeito o grupo familiar não foi observado directamente, as estações fotográficas automáticas apesar de fotografarem e filmarem Lobos ibéricos adultos (Canis lupus signatus) (vídeo 1) não registaram qualquer cria e nas várias estações de escuta (quadro 3) também não foi possível detectar a alcateia.
Refira-se contudo que segundo os critérios utilizados pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e o Grupo Lobo a reprodução desta alcateia em 2007 é considerada como provável (in Censo Nacional de Lobo 2002/2003, Anexo B). A presença de uma concentração elevada de dejectos de lobo (14 dejectos em apenas 2 quilómetros) em pleno período reprodutor é sugestivo de tal facto.
Refira-se contudo que segundo os critérios utilizados pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e o Grupo Lobo a reprodução desta alcateia em 2007 é considerada como provável (in Censo Nacional de Lobo 2002/2003, Anexo B). A presença de uma concentração elevada de dejectos de lobo (14 dejectos em apenas 2 quilómetros) em pleno período reprodutor é sugestivo de tal facto.
(conclusão no próximo post)
15 fevereiro 2008
Seguimento da Alcateia de Bragança - 2007 (5)
(continuação do post anterior)
Resultados
Relativamente às potenciais presas da Alcateia de Bragança, nomeadamente o Javali (Sus scrofa), o Corço (Capreolus capreolus) e o Veado (Cervus elaphus), a sua detecção ocorreu ao longo de todo o ano. A actividade do veado e do corço foi superior nos meses de Outono enquanto que o número de fotografias de javali atingiu o máximo durante o Verão.
Em 2007 o corço e o javali foram detectados a cada 46 dias (constituíram as presas-alvo mais abundantes) enquanto que o veado foi fotografado a cada 69 dias.
Relativamente à correlação entre estas espécies verifica-se que nos locais com presença de veado co-existe frequentemente o javali (correlação de Pearson 0,06; P=0,79). Já o corço distribui-se principalmente pelos sítios mais apartados e com menor presença de veado (correlação de Pearson -0,15; P=0,46) e javali (correlação de Pearson -0,24; P=0,23) embora esta exclusão aparente não atinja a significância estatística.
Em 2007 o corço e o javali foram detectados a cada 46 dias (constituíram as presas-alvo mais abundantes) enquanto que o veado foi fotografado a cada 69 dias.
Relativamente à correlação entre estas espécies verifica-se que nos locais com presença de veado co-existe frequentemente o javali (correlação de Pearson 0,06; P=0,79). Já o corço distribui-se principalmente pelos sítios mais apartados e com menor presença de veado (correlação de Pearson -0,15; P=0,46) e javali (correlação de Pearson -0,24; P=0,23) embora esta exclusão aparente não atinja a significância estatística.
(continua no próximo post)
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