25 junho 2008

Lírio-do-Gerês: a jóia do nosso único Parque Nacional


Esta é uma das plantas mais belas e raras da Península Ibérica: o Lírio-do-Gerês (Iris boissieri), autêntico símbolo da Conservação da Natureza, fotografado esta semana no auge da floração.

Estamos em Junho e nesta altura do ano a belíssima Serra do Gerês é testemunha de um acontecimento praticamente exclusivo a nível mundial: a floração do Lírio-do-Gerês (Iris boissieri).
O lírio-do-Gerês tem uma distribuição global restrita ao Noroeste da Península Ibérica ocorrendo em alguns pontos isolados da Galiza mas com o maior efectivo populacional no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Trata-se de uma planta com preferência por solos ácidos, distribuída na faixa altitudinal entre os 600 e 1300 metros, constituindo povoamentos de baixa densidade em fendas rochosas .
Percorrer as escarpas fabulosas do nosso único Parque Nacional observando as regressadas Cabras-montesas (Capra pyrenaica) enquanto se descobre a floração do lírio-do-Gerês é uma das melhores experiências de Natureza em Portugal.

19 junho 2008

Galiza proíbe a instalação de parques eólicos na Rede Natura 2000

Locais como a belíssima Serra do Courel galega ficam agora protegidos da exploração eólica.

É uma decisão importantíssima para a Conservação da Natureza na Galiza, a Comunidade Autónoma espanhola fronteiriça com o Norte de Portugal: por decisão do governo autónomo galego está proibida a instalação de parques eólicos em áreas da Rede Natura 2000.
A Rede Natura 2000 diz respeito a um conjunto de zonas criadas por imposição da União Europeia com o objectivo de preservar habitats naturais, a fauna e a flora e travar a perda da biodiversidade no Velho Continente constituindo uma rede ecológica europeia.
Se esta decisão dos nossos vizinhos galegos fosse aplicada pelo Governo português tal significaria por exemplo a exclusão de parques eólicos de sítios tão emblemáticos como as serras do Marão, Alvão ou Nogueira. O mais grave é que no nosso país não só se está a autorizar a instalação de aerogeradores em plena Rede Natura 2000 como também existe uma forte pressão para a sua edificação nas mais emblemáticas áreas protegidas portuguesas como é o caso do Parque Natural de Montesinho... Que povo tão triste seremos se efectivamente for autorizada a destruição de um dos locais mais belos e selvagens da Europa (as serras de Montesinho, Coroa e Alta Lombada) com um potencial turístico singular em nome de um progresso (a colocação de torres eólicas) sem regras.
Aqui ao lado na Galiza definiram claramente essas regras: eólicas sim, excepto na Rede Natura 2000 e áreas protegidas. Quando teremos a coragem de fazer o mesmo em Portugal?

15 junho 2008

Águia-imperial ibérica em directo

Símbolo do programa de conservação da Águia-imperial ibérica (Aquila adalberti) promovido pela SEO/Birdlife e que inclui o Parque Nacional de Cabañeros (Espanha, Comunidade Autónoma de Castilla-La Mancha).

A Águia-imperial ibérica (Aquila adalberti) é um super-predador por excelência do ecossistema mediterrâneo. A sua distribuição mundial encontra-se restrita ao centro, sul e sudoeste da Península Ibérica, com 99% da população reprodutora em Espanha e 1% em Portugal. É uma das jóias da nossa fauna, seriamente ameaçada de extinção (Estatuto de Conservação em Portugal: Criticamente em Perigo de Extinção; Estatuto de Conservação em Espanha: Em Perigo de Extinção).
O seu habitat preferencial é constituído por uma paisagem tipo mosaico com bosques de azinho e sobro intercalados por extensões abertas de searas e pousios. A dieta baseia-se no actualmente escasso Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). Constrói os seus ninhos no topo de velhas árvores podendo estes alcançar grandes dimensões. O período de reprodução inicia-se em Fevereiro com os vôos nupciais, em Março ocorre a postura, em Abril o nascimento dos juvenis (habitualmente 1 ou 2) que deixam o conforto do ninho no final de Junho.
No âmbito de um plano global de conservação da águia-imperial ibérica - o programa "Alzando el Vuelo" - a mais importante organização não-governamental espanhola dedicada ao estudo e preservação das aves, a SEO/Birdlife, com a colaboração de técnicos de uma das mais emblemáticas áreas protegidas do país vizinho, o Parque Nacional Cabañeros, colocou uma webcam alimentada a energia solar dirigida para um ninho. Carregando aqui com o botão direito do rato o leitor deste blogue pode observar em directo e sem qualquer perturbação para as aves um dos espectáculos mais genuínos da Fauna Ibérica: a reprodução em plena Natureza da águia-imperial ibérica...

17 maio 2008

Abutre-negro: símbolo do bosque mediterrâneo.


Abutres-negros (Aegypius monachus) sobrevoam o fabuloso Vale das Batuecas, uma das mais belas paisagens Ibéricas.

O dia chega ao fim naquele escarpado vale mediterrâneo. Encontro-me num dos locais mais remotos da Extremadura espanhola e perante mim estende-se um impressionante bosque mediterrâneo. Terra votada ao esquecimento, por onde desfilam alguns dos maiores tesouros da Fauna Ibérica: o Lince-ibérico (Lynx pardinus), a Águia-imperial (Aquila adalberti), a Cegonha-negra (Ciconia nigra). Caminho em direcção ao topo do vale quando de repente uma sombra de grandes dimensões prende a minha atenção. Olho para o ceú e o espectáculo é sublime: uma das maiores aves do mundo, o Abutre-negro (Aegypius monachus), descreve um amplo vôo planado logo seguido por outro exemplar ainda maior (provavelmente a fêmea).
O Abutre-negro é a ave europeia de maior envergadura, ultrapassando os 2,5 metros! Habita nos locais mais recônditos do bosque mediterrâneo construindo os seus gigantescos ninhos preferencialmente sobre Sobreiros (Quercus suber) centenários. Os principais efectivos europeus encontram-se restritos à Extremadura e áreas limítrofes contabilizando-se no total pouco mais de 1000 casais reprodutores. O estatuto de conservação em Portugal (onde a nidificação é errática) é de Criticamente em Perigo enquanto que em Espanha é de Vulnerável.
A observação do seu vôo majestoso sobre uma serra recoberta de vegetação mediterrânea é um dos maiores espectáculos naturais observáveis na Península Ibérica...

11 maio 2008

Pica-pau-malhado-grande: o carpinteiro por excelência dos nossos bosques


Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopus major) fotografado no mês de Abril em pleno Vale do Sabor.

Nos bosques de Portugal habita uma das aves mais fascinantes da Fauna Ibérica: o Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopus major). Com mais de 20 cm de comprimento, padrão de coloração branco e negro e uma mancha vermelha presente na nuca do macho adulto trata-se de uma ave facilmente identificável. No nosso país apenas poderá ser confundido com o mais raro e consideravelmente mais pequeno Pica-pau-malhado-pequeno (Dendrocopus minor) que habita nos montados do Sudoeste.
O pica-pau-malhado-grande distribui-se por todo o país alcançando as suas maiores densidades nas montanhas do Norte e Centro associado a carvalhais e pinhais. Alimenta-se preferencialmente de insectos embora os ovos e as crias de outros pássaros possam ocasionalmente fazer parte da sua dieta. A sua capacidade de "picar" os troncos das árvores é fantástica: tamboreia frequentemente com séries curtas e incrivelmente rápidas acedendo dessa forma ao alimento ou construindo o seu ninho.
Devido à sua timidez torna-se difícil observá-lo na Natureza pelo que a única prova da sua existência resume-se muitas vezes à presença do ninho, aos troncos de árvores "picados" ou à audição de um tamborilar distante...