10 outubro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 1)


Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus) pertencentes à Alcateia de Bragança, fotografados com recurso a dispositivos automáticos dotados de flash (imagem superior) e de emissores infravermelhos (imagem inferior).

Introdução

O Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é uma espécie ameaçada de extinção em Portugal. Perante as rápidas, e por vezes profundas, alterações de habitat que se verificam nos locais habitados pelo lobo torna-se necessário o desenvolvimento de estudos de monitorização da espécie projectados a longo prazo.
A alcateia de Bragança habita numa área localizada a cerca de 20 quilómetros da cidade com o mesmo nome. O seu território encontra-se em contiguidade com a população lupina espanhola representando, pelas suas características de tranquilidade, disponibilidade de presas selvagens e ausência de conflito com o Homem, uma das áreas mais adequadas para o estabelecimento da espécie em Portugal.
Esta alcateia é acompanhada num esforço contínuo de monitorização desde 2006 (vide postagens anteriores neste mesmo blogue), ano em que se confirmou a sua reprodução. Em 2007, apesar da abundância de registos fotográficos de indivíduos pertencentes a este grupo familiar e da detecção de inúmeros sinais de presença, não foi possível confirmar a sua criação. Refira-se que nesse ano verificou-se um incêndio de proporções consideráveis, no final do mês de Abril, próximo ao local tradicional de cria.
Ao longo das próximas semanas serão publicados no blogue Fauna Ibérica os dados relativos ao seguimento desta alcateia durante o ano 2008.

Nota importante: tratando-se de uma espécie com especial interesse de conservação, todos os dados obtidos foram facultados em primeira mão ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). O autor encontra-se agradecido a esta entidade oficial pela emissão da indispensável autorização para a realização de trabalho de campo e enaltece o excelente espírito de colaboração que se verificou em todos os momentos.

27 setembro 2009

O Gato-bravo e a Lebre

Gato-bravo (Felis silvestris) com uma Lebre (Lepus granatensis) recém-capturada.

O Gato-bravo (Felis silvestris) é um dos mamíferos mais esquivos e menos estudados da nossa Fauna. O seu estatuto de conservação, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Instituto da Conservação da Natureza), é de Vulnerável, assumindo-se um declínio acentuado da sua população nos últimos anos.
Trata-se de um predador que privilegia na sua dieta o Coelho (Oryctolagus cuniculus), a Lebre (Lepus granatensis), os roedores, como o Rato-do-campo (Apodemus sylvaticus) e as aves, principalmente os passeriformes. Enquanto a observação na Natureza de um gato-bravo é bastante difícil, a visualização de um lance de caça é um evento extremamente raro, mesmo para um indivíduo que dedique grande parte da sua vida ao estudo da Fauna Ibérica. 
A imagem que aqui se expõe assume por isso um significado especial. Nela se observa um gato-bravo fotografado às 6 horas da manhã do passado dia 6 de Setembro no Nordeste Transmontano, transportando pela boca uma lebre recém-capturada. Permite constatar a elegância felina deste animal tão secreto, comprovar a sua capacidade de caça, atestar a sua força no transporte de uma presa que pode atingir um peso semelhante ao seu.
Acima de tudo esta fotografia é o testemunho maior de um Portugal selvagem que há muito aprendi a admirar... 

05 setembro 2009

O desaparecimento estival do Rio Maças


Estas imagens mostram algo pouco comum: o desaparecimento completo de um rio devido à escassez de precipitação ao longo do último ano hidrológico. 

As pessoas mais idosas das aldeias circundantes não se lembram de algo assim: o Rio Maças, que forma um dos mais belos vales do país, desapareceu...
Conforme testemunham as fotografias, desde meados de Agosto que a água deixou de correr nesta região do Nordeste Transmontano. À escassez de chuvas do Inverno juntou-se uma Primavera anormalmente seca e um Verão de elevadas temperaturas que conduziram a este desfecho. O desaparecimento do rio acarreta consequências sérias para a Fauna e Flora locais, contudo trata-se de um evento transitório, integrado num ciclo natural mais amplo. 
O inédito deste registo deve-se também a um outro factor: é que o Rio Maças, desde a nascente até à foz em pleno Sabor, é um rio selvagem, com uma ausência quase completa de barragens. E nos rios selvagens verifica-se isto mesmo: períodos de seca alternados com cheias, estabelecendo condições ambientais extremamente desafiantes para todos os seres vivos. E é a partir de laboratórios naturais de extremos como este que se desenvolve a biodiversidade... 

24 agosto 2009

Amieiros centenários num vale remoto

Águas frias e rápidas com um bosque ribeirinho no seu apogeu, ou imagens de um Portugal superior.

Exemplar de Amieiro (Alnus glutinosa) centenário, num vale paradisíaco.

O perímetro do tronco deste amieiro atinge vários metros.

Raízes "embebidas" em água cristalina, num local recôndito do vale.

Primeiro atravessa-se um extenso carvalhal de Carvalho-negral (Quercus pyrenaica), depois prados há muito abandonados do seu propósito agrícola e finalmente vislumbra-se o vale. Poucos lugares como este ainda restam na Península Ibérica: um rio de águas translúcidas envolvido por uma galeria ripícola na qual predominam Amieiros (Alnus glutinosa) centenários!
Caminhar ao longo do vale corresponde a uma viagem no tempo, pois a cada curva do curso de água sucedem-se as árvores monumentais. Esta galeria lenhosa ribeirinha, que durante séculos escapou ao fogo e ao machado do Homem, fornece matéria orgânica em abundância ao leito fluvial. Cria assim as condições para o estabelecimento de colónias de microorganismos decompositores e de invertebrados aquáticos, base da alimentação de aves tão raras como o Melro de água (Cinclus cinclus).
Tão antigo e tão frágil (motivo pelo qual não revelo a sua localização, que me perdoem os leitores), este ecossistema constitui uma amostra insuperável  do que o nosso país tem de melhor...

16 agosto 2009

Corços em cio




Fêmea seguida por macho de Corço (Capreolus capreolus), às 11 horas da manhã, num dia quente de Julho no interior Norte de Portugal.


Agosto é o mês de acasalamento para os Corços (Capreolus capreolus). Os hábitos esquivos desta elegante espécie tornam contudo difícil presenciar na Natureza os comportamentos associados a esta fase do seu ciclo vital.
As imagens aqui reproduzidas mostram uma fêmea de corço a caminhar a meio do dia ao longo de um trilho (fotografia 1) e logo refugiar-se no interior de um pinhal de Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) (fotografia 2). Nove minutos mais tarde surge um macho ao longo do mesmo caminho (fotografia 3), o qual também entra na floresta seguindo o rastro da sua parceira (fotografia 4). O que se passou a seguir permanece na intimidade dos corços...
São imagens raras e apenas possíveis em regiões isoladas e livres de pressão humana, como felizmente ainda acontece em determinadas áreas naturais protegidas.

04 agosto 2009

Tarde de Agosto nas margens do Sabor



O azul do céu e do rio, o verde da floresta a espaços centenária das margens e o castanho das fragas compõe as cores de um cenário paradisíaco. A Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) fotografada aguardou ao longo de horas nas margens do rio, talvez à espreita de alguma presa. 

Tarde de Agosto no belíssimo Vale do Sabor. O calor sufoca, tornando ainda mais atraente a imagem do curso de águas límpidas que corre ao fundo da encosta. 
Apesar do estio as recompensas surgem em catadupa para o amante da Natureza: manchas de carrasco que se estendem a perder de vista, uma Águia-real (Aquila chrysaetos) atacada por um Falcão-peregrino (Falco peregrinus) residente, um casal de Melro-d´água que percorre incessantemente as penedias de um rio (ainda) selvagem...
A certa altura os binóculos fixam na silhueta de uma ave de rapina pousada nas margens do Sabor. Durante a próxima hora a ave ora permanece longos minutos imóvel perscrutando o rio, ora se desloca num voo curto para uma outra atalaia localizada a algumas dezenas de metros. 
Trata-se de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), ave que no Norte da Europa caça na espessura florestal mas que no nosso país, talvez devido à escassez de floresta autóctone, se adaptou à predação em espaços abertos. O comportamento que observo, contudo, representa uma novidade para mim.  Estaria esta águia-de-asa-redonda à caça de algum anfíbio incauto?
A resposta permanecerá no Vale do Sabor, pequeno pedaço de um país que ainda surpreende pela sua beleza...

18 julho 2009

Serra da Arada: o território do Lobo a Sul do Rio Douro



Cumes isolados, vales profundos e inacessíveis e a existência de efectivos de gado caprino permitem a sobrevivência do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a cerca de quarenta quilómetros em linha recta do Grande Porto, em pleno século XXI.

Na fronteira entre os Distritos de Aveiro e Viseu existe uma paisagem de cumes arredondados e despidos de vegetação a perder de vista. Por aqui escondem-se aldeias abandonadas, cursos de águas límpidas e fragas imponentes. Esta é terra onde ainda persiste uma raridade da Península Ibérica: o Lobo (Canis lupus signatus).
Isolado pela recém-construída rede de auto-estradas, perturbado pelas gigantescas turbinas eólicas, vítima de uma menor disponibilidade de alimento devido à redução progressiva das cabeças de gado o lobo ainda resiste... mas até quando?
Integrada na Rede Natura 2000 como Sítio de Importância Comunitária (SIC), a Serra da Arada pelos elevados valores naturais que encerra, e entre os quais se inclui a ameaçada população lupina, é merecedora de um maior grau de protecção ambiental.

24 março 2009

Incêndio na Mata de Albergaria ou o prenúncio de um ano problemático

Mata de Albergaria fotografada no Verão de 2008. Observa-se à esquerda na imagem o vale do Cagademos, entretanto afectado pelo fogo.

Encosta de Bouça da Mó (imagem do Verão 2008), que foi poupada pelo incêndio de 22 e 23 de Março.

Faial (Fagus sylvatica) em Albergaria ou um dos tipos de bosque mais resistente ao fogo.

Falar de fogos florestais não é fácil: há várias maneiras de encarar o problema e cada um considera-se dono da razão. Habitualmente a discussão surge durante a ocorrência de incêndios graves (em termos de área ardida ou de valores ambientais) e raramente se ouvem as pessoas mais conhecedoras e cuja opinião teria mais valor: como técnicos da Autoridade Florestal Nacional, equipas do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) ou as equipas de sapadores que estão na frente de "combate". O resultado é a existência de discussões estéreis com um progressivo distanciamento da população urbana relativamente ao tema (não posso deixar de me espantar como é que a notícia de abertura dos principais noticiários televisivos por estes dias relacionou-se com futebol enquanto que decorria o incêndio mais grave da última década na floresta mais valiosa de Portugal Continental).
Combater o fogo em Albergaria é difícil e perigoso. Por isso antes de tudo a minha palavra é de reconhecimento e agradecimento por todos aqueles que nos dias 22 e 23 de Março estiveram na vertente Ocidental de Gerês a combater as chamas. Em especial quero referir a importância das equipas de sapadores florestais, do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS, uma das melhores medidas deste Governo) e das equipas do ICNB que, apesar da desorçamentação a que foi votado por governos sucessivos com a consequente desmotivação de pessoal, é um dos elementos-chave para que Portugal não esteja hoje totalmente devassado por interesses economicistas de curto-prazo.
Este incêndio contudo foi bastante grave e há que referi-lo. Ao contrário do que a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) difundiu e a Comunicação Social transmitiu a Mata de Albergaria ardeu mesmo. As chamas consumiram locais únicos como os fantásticos vales do Forno, Monção ou Cagademos. Aqui existiam enormes exemplares de Teixos (Taxus baccata) ou Carvalhos-alvarinho (Quercus robur) que eram percorridos por animais de que pouco se sabe no nosso país como a Marta (Martes martes). 
Neste momento contudo ainda é cedo para falar da destruição que acarretou. O solo que se apresentava húmido pode ter possibilitado a salvação de ilhas de floresta, indispensáveis para o processo de reflorestação natural. Também ainda não acorreu o nascimento de crias de Marta, algo que só se verificará em Abril/Maio.
Os dias de 22 e 23 de Março de 2009 não devem ser esquecidos. A fragilidade da Mata de Albergaria ao fogo, a tendência de desvalorização dos factos por parte dos intervenientes políticos e a sucessão de actos eleitorais nos próximos meses podem constituir, se o Verão for quente e seco, o prenúncio de um ano problemático.

28 fevereiro 2009

Laurissilva: o tesouro da Natureza portuguesa



O melhor da Natureza portuguesa: a Floresta Laurissilva.

A Laurissilva constitui a floresta indígena da ilha da Madeira e é um autêntico tesouro ambiental mundial. Trata-se de um bosque com origem na Era Terciária, há cerca de 20 milhões de anos, e que originalmente cobria extensas áreas da bacia mediterrânea. Com o advento subsequente de períodos glaciares desapareceu do continente europeu apenas permanecendo na Macaronésia (arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde) como testemunho de um tempo e de animais há muito desaparecidos.
Neste particular Portugal é bafejado pela sorte: a maior mancha de Laurissilva do mundo, e a mais bem conservada, encontra-se na Madeira cobrindo cerca de 20% da superfície da ilha. Os mais de 15 mil hectares de floresta encontram-se totalmente protegidos pelo Parque Natural da Madeira e, conforme seria de esperar pelo elevado valor ambiental que encerra, integra a lista de Património Mundial Natural da UNESCO. 
Por isso numa próxima ida à Madeira não perca a oportunidade de caminhar por uma "levada" e conhecer as 4 lauráceas principais deste bosque sempre verde: Loureiro (Laurus azorica), Til (Ocotea foetens), Vinhático (Persea indica) e Barbusano (Apollonias barbujana). Contam-se pelos dedos de uma mão os locais no mundo onde poderá usufruir de tamanho privilégio e nenhum é tão majestoso como o que se encontra na "Pérola do Atlântico".     

26 fevereiro 2009

O encanto da neve



Fotografias de Raposa (Vulpes vulpes) e Geneta (Genetta genetta) obtidas no Distrito de Bragança, gentilmente cedidas por Luís Moreira, biólogo do Parque Natural de Montesinho.

Neste Inverno os nevões tem-se sucedido com relativa frequência nas montanhas do Norte e Centro do país. Estas condições meteorológicas adversas dificultam a actividade diária da fauna, como a recolha de alimento ou a procura de locais adequados de abrigo.
Torna-se assim possível observar mamíferos como a Raposa (Vulpes vulpes) ou Gineta (Genetta genetta) a enfrentarem condições climatéricas bastante adversas deambulando sob um espesso manto de neve.
Estas imagens, obtidas através de câmaras fotográficas activadas por sensor de movimento e calor, provam que apesar de belo o Inverno é a estação mais dura do ano.

09 fevereiro 2009

Apenas sobrevivem os mais fortes

Macho de Veado (Cervus elaphus), fotografado com recurso a um dispositivo fotográfico automático, atravessa um pinhal nevado no Nordeste do país.

Estes são dias difícieis para a Fauna Ibérica: sucedem-se as frentes atlânticas, a temperatura baixa, a precipitação é abundante e o vento cortante. Nas montanhas do Norte e Centro do país a neve é presença habitual. 
Nestas circunstâncias a procura de abrigo e de alimento por parte dos animais selvagens encontra-se bastante dificultada. Embora correndo um risco elevado frequentemente abandonam locais remotos, como os cumes das serras ou o refúgio dos bosques, para se aproximarem do Homem aproveitando a abundância relativa de recursos disponibilizada pelos nossos aglomerados populacionais. 
Por estes dias a mortalidade da Fauna Ibérica será seguramente considerável. Homens e animais, todos esperam a Primavera... 

29 janeiro 2009

Autor de incêndio próximo a Rio de Onor condenado ao pagamento de 1 milhão de euros

O aceiro visível à direita representa a fronteira entre Portugal e Espanha ou entre o Parque Natural de Montesinho e a Reserva de Caça da Sierra de la Culebra. O pinhal que se vê nesta imagem (obtida pouco antes do incêndio de 2006) foi consumido pelas chamas.

Maio de 2006. J.M.P.R., de naturalidade espanhola, sai pela manhã das aldeias gémeas de Rio de Onor (portuguesa, localizada no Parque Natural de Montesinho) /Rihonor (espanhola, incluída na Reserva de Caça da Sierra de la Culebra) em direcção a uma parcela de terra de sua propriedade que se encontra alguns quilómetros a Norte em Espanha. De forma ilegal e imprudente fez aquilo que tantos proprietários fazem: limpou a vegetação e iniciou a queima de mato sem a necessária autorização.
O dia estava quente e o vento forte. Rapidamente o fogo propagou-se. A poucas centenas de metros, soube-se mais tarde, criava uma alcateia de Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus). Enquanto J.M.P.R. regressava de forma dissimulada à aldeia o fogo arrasava 378 hectares de bosque, principalmente Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e Carvalho-negral (Quercus pyrenaica), bem como outros 163 hectares de terreno vegetal. Tratava-se de um bosque maduro, plantado com o objectivo de aproveitamento florestal, contudo que albergava uma importante diversidade biológica sendo comprovadamente frequentado por jóias da nossa fauna como a Marta (Martes martes) ou o Gato-montês (Felis silvestris).
O trabalho de extinção, que contou com ajuda de meios aéreos e assistência portuguesa, prolongou-se por 3 dias. Custou mais de 173 mil euros. Os prejuízos estimados, nomeadamente a perda de madeira de excelente qualidade, foram estimados em mais de 870 mil euros. Há outros danos não contabilizados: no ano seguinte (2007) o lobo não criou na zona e os padrões de ocupação de espaço pelo Veado (Cervus  elaphus)  alteraram-se substancialmente.
Janeiro de 2009. A justiça espanhola condena o autor do incêndio, habitualmente residente em Madrid mas com segunda habitação em Rihonor, ao pagamento de uma indemnização milionária à Junta de Castela e Leão de mais de 1 milhão de euros como única forma de evitar a prisão. O tribunal considerou como gravemente imprudente a actuação do condenado. Refere que, atendendo ao risco elevado de incêndio nesse dia, não tomou as medidas extremas de segurança necessárias, não solicitou a indispensável autorização para a queima de resíduos vegetais às autoridades competentes e atendendo ao lugar onde se iniciava o fogo e aos espaços naturais protegidos envolvidos (Reserva de Caça Sierra de la Culebra e Parque Natural de Montesinho) era previsível um importante dano ao Meio Ambiente.
A sentença é histórica. Os tesouros ambientais da Culebra e Montesinho estão agora mais protegidos.

19 janeiro 2009

O longo Inverno das Cegonhas-brancas no Norte de Portugal

Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) pousadas no ninho em pleno mês de Janeiro, próximo a uma aldeia de montanha do Parque Natural de Montesinho.

Há cada vez mais Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) na Península Ibérica e muitas escolhem abdicar da migração outonal e permanecer entre nós nestes meses frios. Tal é mais comum no Centro e Sul de Portugal contudo, nos últimos anos, este mesmo fenómeno tem-se verificado no Norte do país e inclusive em zonas de montanha.

No Parque Natural de Montesinho o presente Inverno tem obedecido aos padrões habituais, ou seja, sucedem-se os nevões e as temperaturas mínimas não ultrapassaam consecutivamente valores negativos. O Rio Onor, por exemplo, na zona oriental do parque encontra-se praticamente gelado à passagem pela aldeia com o mesmo nome. Causa por isso alguma surpresa constatar que enquanto neva um irredutível casal de cegonhas-brancas permanece imóvel no seu ninho em plena aldeia de Gimonde aguardando por uma meteorologia mais benévola. Constituirá este um exemplo das alterações climáticas e da capacidade adaptativa da fauna a novas  condições ambienciais? Ou será que no passado, quando as populações de cegonha-branca eram igualmente densas, este fenómeno já se verificava?

Não sei a resposta mas espero que a estratégia resulte... na Primavera darei conta do que sucedeu a este casal.

04 janeiro 2009

Corvo-marinho-de-faces-brancas: a ave pesqueira que nos visita de Inverno

Exemplar de Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo). Fotografia: Stawomir Staszczuk.

Proveniente das Ilhas Britânicas, Países Baixos e Dinamarca, o Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) é uma ave migradora que visita o nosso país entre Setembro e Abril. Grande, robusta e de coloração escura com excepção de pequenas áreas brancas na cabeça e flancos, trata-se de uma espécie com excelentes dotes para a pesca. 
Percorre com frequência os rios e albufeiras do interior do país no que se distingue do seu parente próximo, o Corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis). É comum encontrá-la pousada próximo da água, inserida num grupo, com as asas abertas para melhor secar a plumagem após mergulhos em busca de alimento. 
Na tarde do dia de Natal, após ter observado o voo majestoso de uma Águia-real (Aquila chrysaetos) sobre as escarpas do Rio Sabor, deparei com 3 corvos-marinhos-de-faces-brancas em plena jornada de pesca. Por mais distraído que fosse o observador não podia deixar de reparar no espectáculo: as 3 aves negras sobressaíam de forma bem evidente nas encostas brancas, recobertas de gelo, do vale do Sabor. 
Nos próximos anos é provável que o espectáculo continue: os efectivos desta espécie têm aumentado, calculando-se que a Península Ibérica seja visitada a cada Inverno por mais de 70 mil indivíduos. Mais: a sua reprodução já foi confirmada na vizinha Espanha, havendo pelos menos 60 casais que preferem passar o Verão nas nossas latitudes.

22 dezembro 2008

Votos de Festas Felizes a todos os leitores



Imagens de paisagens naturais portuguesas fabulosas: o curso superior do Vale do Homem e a Mata Nacional de Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês. 

A quadra natalícia é tradicionalmente uma altura de paz e compreensão entre os Homens mas talvez devesse também constituir um momento de reflexão da nossa relação para com a Natureza. O meio que nos rodeia é parte integrante do Homem pois ao longo de milénios condicionou a evolução da nossa espécie. Agora que adquirimos uma extraordinária capacidade de transformação da Natureza, como nenhuma outra espécie deteve na já longa história do nosso planeta, devemos justificar a nossa auto-intitulada inteligência preservando tudo aquilo que fez de nós o que hoje somos.
Aos leitores habituais do Fauna Ibérica peço desculpa pelo tom talvez demasiado filosófico. Desejo a todos festas felizes, um 2009 cheio de saúde e sonhos concretizados, com votos de que no próximo ano a Natureza portuguesa receba o respeito que merece. 

19 dezembro 2008

Águia-real nas montanhas do Gerês/Xurés: precisa-se de uma estratégia concertada entre Portugal e Espanha



Fotografias retratando o o trabalho de reforço populacional de Águia-real (Aquila chrysaetos) no Parque Natural Baixa Limia - Serra do Xurés (fotografias: GREFA, Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autoctóna y su hábitat).

Mapa de localizações GPS de exemplar de Águia-real (Aquila chrysaetos) libertada em 2008 no Parque Natural Baixa Limia - Serra do Xurés obtido graças a um emissor transportado pela ave. Há 3 semanas este animal foi encontrado ferido na província de Salamanca, com a asa esquerda fracturada após ter sido vítima de disparos  (fotografias: GREFA, Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autoctóna y su hábitat). 

No Parque Nacional da Peneda-Gerês e no vizinho Parque Natural de Baixa Limia - Serra do Xurés galego a população de um dos principais predadores europeus, a Águia-real (Aquila chrysaetos), encontra-se à beira da extinção. Desde o início do século XX que nesta área protegida transfronteiriça com cerca de cem mil hectares de extensão, representativa das montanhas do Noroeste ibérico, deambula de maneira permanente apenas um único exemplar. Com vista a contrariar a situação de extinção biológica (sem capacidade de reprodução em condições naturais) os nossos vizinhos galegos iniciaram em 2001 um programa de reforço populacional/reintrodução de águia-real. Com o auxílio do GREFA (Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autoctóna y su hábitat) procederam à libertação no espaço natural galego, a menos de 5 km da fronteira portuguesa, de 7 crias de águia-real.
Cronologicamente a solta exemplares decorreu da seguinte forma:
  • 2001: 1 cria de águia-real nascida em cativeiro no GREFA é colocada aos 60 dias de vida numa plataforma artificial em pleno Parque Natural Baixa Limia - Serra do Xurés, iniciando os primeiros voos cerca de 20 dias mais tarde;
  • 2002: 1 cria de águia-real nascida em cativeiro no GREFA é libertada no mesmo local;
  • 2003: 1 cria de águia-real também nascida em cativeiro é solta nas mesmas condições;
  • 2006: 2 crias de águia-real disponibilizadas pelas Juntas de Castilla La Mancha e Extremadura são libertadas na mesma plataforma-ninho;
  • 2007: 1 cria de águia-real, desta feita nascida em cativeiro no GREFA (baptizada "Lobios") é solta no Sudoeste da Galiza
  • 2008: 1 cria de águia-real nascida em cativeiro no GREFA (baptizada de "Eufemia") é libertada numa zona nobre do Parque Natural de Baixa Limia - Serra do Xurés.
Infelizmente e até à data os resultados não têm sido animadores. Com efeito pelo menos um dos animais libertados foi encontrado morto na fase de dispersão juvenil. Já este ano a aclimatação e os primeiros voos de Eufemia tinham decorrido conforme o esperado, com incursões nos vales graníticos dos nossos Parque Nacional da Peneda-Gerês e Parque Natural do Alvão, e início do período de dispersão que a levou a atravessar todo o Norte de Portugal até se estabelecr numa zona de grande densidade de Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) a 20 km a Sul de Salamanca. No dia 20 de Novembro e porque o animal permanecia imóvel há um período considerável de tempo de acordo com o emissor GPS a equipa de seguimento aproximou-se da ave e constatou que se encontrava ferida, com a asa esquerda fracturada vítima de disparos de arma de caça. Foi transportada para as instalações do GREFA nos arredores de Madrid onde actualmente se encontra a recuperar.
O programa de reforço populacional/reintrodução  de águia-real nas montanhas da Peneda e Gerês/Xurés deve constituir um desígnio das entidades responsáveis pela Conservação da Natureza portuguesas e galegas, por vários motivos mas principalmente porque tratando-se de áreas protegidas (do lado português é mesmo a principal área protegida do país) não é admissível aceitar-se passivamente a extinção de um super-predador por causas antrópicas com a consequente perda de diversidade biológica e de equilíbrio do ecossistema. Este esforço contudo tem que ser coordenado entre os 2 países e assumido de forma plena. 
Numa medida plena de oportunidade o Parque Nacional da Peneda-Gerês colocou a funcionar um alimentador para aves necrófagas ao longo de 2008, esforço que porventura deveria ser alargado a outros locais nomeadamente ao Parque Natural Baixa Limia - Serra do Xurés. Por outro lado numa ave longeva como a águia-real é do maior interesse reduzir a mortalidade de efectivos o que apenas se consegue com a presença de equipas especializadas na luta contra o veneno em ambos os países (este constitui um autêntico flagelo nestas serras sendo habitualmente colocado para atingir outro super-predador, o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus)). Finalmente é urgente a libertação de mais exemplares de águia-real a cada ano: a solta de apenas um exemplar é manifestamente insuficiente atendendo à elevada taxa de mortalidade associada ao perigoso período de dispersão juvenil. A experiência internacional demonstra que as probabilidades de êxito de um programa de reintrodução de águia-real aumentam com a libertação de pelo menos 4 aves/ano em vários anos sucessivos. Apelo portanto aos nossos amigos galegos para que o insucesso que rodeou a libertação de Eufemia apenas os motive para a introdução já em 2009 de um maior número de aves. Apelo também às entidades portuguesas, nomeadamente ao Ministério do Meio Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional e ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade para que não poupem esforços e recursos na salvação da águia-real no único parque nacional português: esse seria um óptimo investimento no futuro do país... 

07 dezembro 2008

Texugo: o mascarado da nossa fauna



Fotografias de Texugos (Meles meles) selvagens obtidas com recurso a máquinas fotográficas de disparo automático no Norte de Portugal.

Amanhece nas montanhas asturianas e a claridade do dia permite contemplar um aglomerado de picos cantábricos nevados e um vale recoberto por um extenso faial. Encontramo-nos de madrugada neste local remoto, absolutamente enregelados por um vento cortante soprando de Norte, com um único objectivo: observar em estado selvagem um dos grandes predadores da Fauna Ibérica: o Urso-pardo cantábrico (Ursus arctos). Para tal temos o privilégio de acompanhar um dos maiores conhecedores da ecologia desta espécie, Alfonso Hartasánchez do FAPAS (Fondo Asturiano para la Protección de los Animales Selvages). Contudo naquela manhã o vertebrado de hábitos elusivos que nos brindou com a sua presença não foi o desejado plantígrado mas antes o Texugo (Meles meles). Alheio à nossa presença este mamífero de porte desajeitado irrompeu do bosque e avançou decididamente por um prado de altitude. A certa altura pressentiu a nossa presença, encarou-nos e rapidamente desapareceu por entre o arvoredo...
O Texugo é um carnívoro de médio porte (pesa até 12 kg) que se distribui por todo o país (estatuto de conservação: pouco preocupante) preferindo áreas de paisagem tipo mosaico com cobertura florestal e arbustiva intercalada com prados de cultivo. Apresenta um regime alimentar omnívoro, fazendo parte integrante da sua dieta os frutos, insectos ou pequenos mamíferos. Caracteriza-se por viver em grupos sociais com um número que oscila entre 5 e 25 elementos de ambos os sexos que defendem um mesmo território. Escava diversas galerias onde socializa e se refugia durante o dia (o padrão de actividade é essencialmente nocturno). 
Quanto ao comportamento reprodutor destacam-se 2 períodos de acasalamento no final do Inverno e durante o Verão. A gestação apresenta uma duração variável, podendo prolongar-se por vários meses devido ao fenómeno conhecido como implantação retardada. As crias nascem habitualmente em pleno Inverno e mantêm-se na texugueira por cerca de 2 meses, assomando ao exterior já em plena Primavera.
A presença do texugo, inconfundível mascarado da nossa fauna, é um excelente indicador de equilíbrio conseguido pelo Homem na exploração racional da Natureza. A manutenção das actividades agrícolas tradicionais constitui assim a melhor garantia da sua sobrevivência futura.

30 novembro 2008

Disponibilização gratuita da Biblioteca Digital do ICNB - uma medida acertada


O Instituto para a Conservação da Natureza e Biodiversidade disponibilizou recentemente em formato pdf alguns dos trabalhos promovidos ou apoiados pela entidade e seus predecessores ao longo dos últimos 30 anos.
De momento encontram-se acessíveis trabalhos relacionados com as áreas protegidas do Norte do país mas prevê-se para breve a disponibilização de mais de um milhar de títulos dedicados às restantes áreas protegidas e aos valores naturais nacionais. 
Esta é sem dúvida uma excelente notícia para quem se interessa pela Natureza Portuguesa. Clicando aqui abre-se a porta para muitas horas de leitura sobre os nossos bosques, aves e mamíferos desde a vegetação do vale do Sabor no Parque Natural de Montesinho até aos prejuízos causados pelo Lobo (Canis lupus signatus) no Parque Natural do Alvão... Boa leitura!

27 novembro 2008

Ursa "Villarina": símbolo da recuperação do Urso-pardo Cantábrico



Villarina, a cria de Urso-pardo cantábrico (Ursus arctos) mais mediática de sempre [Fotografias FAPAS e Fundación Oso Pardo].

Cordilheira Cantábrica, Junho de 2008: uma fêmea de Urso-pardo cantábrico (Ursus arctos) deambula por um dos maiores bosques caducifólios ibéricos em busca de alimento juntamente com as suas 3 crias de 5 meses de idade. Enquanto sobem a encosta uma das crias cai e sofre um traumatismo craniano. Desorientada a pequena ursa desce cambaleante até ao fundo do vale por onde passa uma estrada pouco transitada.
Mais tarde um casal de turistas que se tinha deslocado à Cordilheira Cantábrica para conhecer o "País dos Ursos" mal pode acreditar no que vê: à frente do seu carro encontra-se uma frágil cria de urso. Prudentes fingem ignorá-la primeiro, depois tentam reconduzi-la de volta ao bosque mas o "esbardo" (termo asturiano que designa cria de urso) regressa teimosamente à estrada. Finalmente e porque se apercebem de que o animal não se desloca normalmente e não há sinais da progenitora, recolhem-na e entregam-na na delegação mais próxima da Fundación Oso Pardo.
Durante o Verão as Astúrias e toda a Espanha acompanham a recuperação da pequena ursa, entretanto baptizada de Villarina de acordo com o nome da aldeia mais próxima do local onde foi encontrada. Inicialmente tratada em Oviedo, o agravamento do seu estado de saúde obriga ao transporte de urgência para um centro veterinário intensivo na vizinha Cantábria. Felizmente em Agosto Villarina já se encontra livre de perigo e regressa ao Principado das Astúrias ingressando num Centro de Recuperação de Fauna (foto 1).
Começa então a discussão: que fazer à pequena ursa? Depois de tantos meses em cativeiro e apesar de todo o cuidado em reduzir a exposição ao Homem será que consegue sobreviver de novo na Natureza? Não será mais prudente mantê-la em cativeiro servindo o propósito de educação ambiental? Depois de tanta exposição mediática será legítimo utilizá-la como atractivo turístico das regiões por onde deambula o urso?
No terreno o Fondo Asturiano para la Proteccion de los Animales Salvages (FAPAS) através da utilização de câmaras fotográficas automáticas estrategicamente colocadas localiza a progenitora e os dois irmãos de Villarina (foto 2).
O que se passa de seguida demonstra na perfeição a referência que o Principado das Astúrias constitui em termos de Conservação da Natureza, comparando com a restante Espanha e Portugal: em Setembro o departamento de Meio Ambiente do Principado reúne com as principais associações ligadas à Conservação da Natureza, com biólogos especialistas na gestão do urso-pardo e com os directores das áreas protegidas asturianas para decidir o futuro da cria de urso. A decisão final, apesar dos riscos envolvidos, passa pela a reintrodução do esbardo no bosque por onde nesse momento deambula o seu grupo familiar.
Novembro 2008. A neve começa a cair nos belíssimos cumes cantábricos. Há já duas semanas que Villarina voltou às montanhas que a viram nascer (foto 3). De momento o reencontro com a mãe e irmãos ainda não ocorreu. Ao nascer e pôr-do-sol a cria, agora com 10 meses de idade, deambula por um extenso faial repleto de alimento. Com a descida de temperatura recolhe a uma pequena gruta onde se prepara para hibernar. A mais de um quilómetro de distância todos os seus movimentos são seguidos por uma equipe permanente da Fundación Oso Pardo munida de poderosos telescópios.
Não sabemos se Villarina sobreviverá ao seu primeiro Inverno. Mas todos os cuidados, tempo e dinheiro disponibilizados para salvar esta única cria de urso-pardo permitem compreender porque é que nas Astúrias a população do plantígrado em estado selvagem duplicou nos últimos dez anos: é porque aqui a conservação e respeito pela Natureza não constituem apenas uma obrigação legal mas antes um desígnio de toda a sociedade...

09 novembro 2008

Explosão de cores antes da monocromia invernal

Harmonia das cores outonais num país que longe do caos urbanístico do litoral ainda tem muito de belo.   

O tempo frio chegou. Nas montanhas do Norte e Centro de Portugal a neve faz a sua aparição fugaz dificultando a sobrevivência das espécies residentes. 
Os castanheiros perdem as suas folhas e brindam-nos com o emblema da estação: as castanhas. Os Grous (Grus grus) regressam ao Alentenjo após a criação nas regiões mais setentrionais do continente europeu de forma a aproveitar os recursos alimentares de um ecossistema que nos define enquanto povo: o montado mediterrâneo. Nas serranias do Gerês as fêmeas e crias de Cabra-montês (Capra pyrenaica) descem dos alcantilados graníticos para o resguardo dos vales. Nos planaltos de Montesinho os machos de Veado (Cervus elaphus), após o intenso desgaste da brama em que através de combates ganham o direito à reprodução, refugiam-se discretamente nos extensos pinhais que por aqui existem.
A vida selvagem torna-se mais dificil de observar, os dias curtos, cinzentos e frios dificultam as caminhadas pelo campo. Apenas a diversidade de cores do bosque caducifólio torna menos penosa a letargia invernal que se avizinha.