04 dezembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 6)

Lobo-ibérico fotografado no interior de um pinhal, próximo ao local de reprodução.
 
Lobo dominante da Alcateia de Bragança, patrulhando o seu território após um nevão.

O gato-bravo apresenta no território estudado um padrão de actividade principalmente diurno.

Discussão

O seguimento ao longo de vários anos de uma alcateia permite a aquisição de conhecimentos aprofundados sobre o grupo familiar, a evolução populacional das restantes espécies com as quais comparte o território e factores de ameaça para a sua conservação.
Próximo à cidade de Bragança o ano de 2008 foi favorável ao lobo. A sua reprodução decorreu sem intercorrências, com a sobrevivência de pelo menos 3 das crias. A considerável actividade diurna desta espécie (mais de 1/3 das fotografias obtidas) demonstra a tranquilidade do território.
Favoráveis são também os dados obtidos relativamente a outras espécies com interesse conservacionista: aumentou a detecção de marta, estabilizou a detecção de gato bravo. Entre a restante comunidade de carnívoros constatou-se a utilização de espaço pelo texugo e fuinha, diminuindo a detecção de raposa e gineta.
Relativamente às principais presas do lobo, verificou-se um aumento da população de javali, estabilização da população de veado e diminuição da população de corço.
De forma semelhante ao verificado noutros trabalhos de seguimento da população lupina no Distrito de Bragança pelo método da armadilhagem fotográfica (Luís Moreira, comunicação pessoal) constatou-se uma frequência de detecção de lobo superior a 20% na segunda metade do ano e próximo ao local de cria. A validação desta razão como indicador de reprodução, assume-se como um desafio a confirmar no futuro.

Agradecimentos

Agradeço ao Dr. Luís Moreira o seu apoio imprescindível. Agradeço à minha família a paciência interminável que sempre demonstrou ao longo destes anos de trabalho de campo.

28 novembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 5)

Nesta imagem surgem as 3 crias da Alcateia de Bragança nascidas durante 2008, aqui com cerca de 6 meses de idade.

A actividade diurna desta vara de javalis demonstra bem a tranquilidade do território.  

O texugo apresenta um padrão de actividade principalmente nocturno.

Estações de escuta

Realizaram-se 3 estações de escutas, próximo ao local de criação da Alcateia de Bragança ao longo de 2008. Os resultados encontram-se descritos na tabela 2.

15 novembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 4)




Crias de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança, fotografadas aos 4 meses de idade, com recurso a dispositivo fotográfico automático.

Armadilhagem fotográfica

A armadilhagem fotográfica permitiu a confirmação da reprodução da alcateia de Bragança durante o ano 2008. No dia 2 de Setembro, às 10 horas da manhã, 3 crias de lobo foram fotografadas na estação mais próxima ao local de cria.
Durante o período em análise obtiveram-se 67 fotografias de lobo, 18% das quais (número - 12) correspondentes a crias. 
A detecção desta espécie foi superior na segunda metade do ano: a frequência de fotografias de lobo entre Janeiro e Agosto foi de apenas 0,6% e entre Setembro e Dezembro de 22,3%.
No gráfico 2 apresenta-se a actividade detectada da alcateia, que ocorreu a diferentes horas do dia.

Gráfico 2

A percentagem de fotografias diurnas de lobo foi de 39% (número - 26). Os períodos do ano em que se constatou maior actividade durante o dia foram o Verão (46%; número - 12) e o Inverno (38%; número - 10).
Na tabela 1 apresenta-se os outros mamíferos detectados pela armadilhagem fotográfica para além do lobo, bem como a respectiva frequência de número de fotografias.

Tabela 1

Através da comparação directa destes dados com os dados obtidos em 2007, calculou-se a evolução da tendência populacional para cada uma das espécies.

03 novembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 3)


A poucos quilómetros da cidade de Bragança existe um local partilhado em simultâneo por 2 "mitos" da Fauna Ibérica: o Lobo (Canis lupus signatus) e a Marta (Martes martes), conforme as imagens documentam.

Resultados

Esforço de campo

Durante o ano 2008 foram realizadas 12 deslocações à área de estudo e percorridos a pé cerca de 47 km. Foram colocadas 24 estações fotográficas (número máximo de câmaras colocadas em simultâneo = 2) correspondendo a um total de 616 dias de amostragem. Realizaram-se 3 estações de escuta.

Percursos realizados

A variação da detecção de sinais indirectos de presença de lobo ao longo do ano 2008 encontra-se representada no gráfico 1.

Gráfico 1

Constata-se que a alcateia residente marcou de forma contínua o seu território. Esta marcação foi mínima durante o inicio do período de criação (Março, Abril e Maio), atingindo o máximo aquando das primeiras deslocações das crias de ano (Setembro).
Foram detectados 27 dejectos de lobo, a maioria composto por pêlos de javali (51,8%; número - 14). Apenas foram identificados restos de cervídeos em 25,9% (número - 7) dos dejectos analisados.

25 outubro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 2)


Alcateia de Bragança numa noite de caça e uma das suas principais presas, o Veado (Cervus elaphus).

Metodologia

O seguimento da alcateia de Bragança efectuou-se através de 3 métodos distintos: realização de percursos pré-definidos com registo de sinais indirectos de presença, armadilhagem fotográfica e estações de escuta.
A realização de percursos pré-definidos teve como objectivo a obtenção de um índice relativo de abundância da espécie. Foram considerados os sinais indirectos de presença, como a existência de dejectos e “esgaravatados” ao longo dos trilhos percorridos. Os dejectos foram classificados de acordo com o conteúdo, como contendo restos identificáveis de Cervídeo (Corço -Capreolus capreolus- ou Veado -Cervus elaphus-), Javali (Sus scrofa) ou Outros (incluindo de origem indeterminada).
A armadilhagem fotográfica foi utilizada de forma a permitir a “observação” da espécie, determinar padrões de utilização de território e períodos de actividade, para além de confirmar a sua reprodução. De igual modo procurou-se obter um índice relativo de abundância das principais presas do lobo, bem como caracterizar as restantes populações de mamíferos. De forma a perturbar o mínimo possível a espécie, as estações fotográficas foram colocadas a uma distância superior a 300 metros do local habitual de cria.
A realização de estações de escuta teve como objectivo confirmar a reprodução e avaliar o sucesso reprodutor da alcateia de Bragança.