06 março 2010

Onde está o lobo mau?



Vídeo obtido no Distrito de Bragança no Verão 2009 pelo Dr. Luís Moreira, próximo ao local de criação de uma das alcateias mais estáveis de Portugal.

Os lobos-ibéricos (Canis lupus signatus), ao contrário da crença popular, são animais altamente sociáveis. Contudo, devido à perseguição que lhes foi movida ao longo de séculos, torna-se praticamente impossível observar na Natureza momentos de interacção entre diferentes indivíduos. 
O conhecimento dos hábitos de uma determinada família de lobos (alcateia) e o recurso a câmaras de vídeo especialmente desenhadas para o efeito permitiu a obtenção das imagens acima disponibilizadas. Capturadas há menos de 6 meses em Trás-os-Montes, permitem observar 4 crias de lobo-ibérico envolvidas em pequenos jogos e perseguições próximo ao local onde nasceram.
Olhando para este vídeo apetece perguntar: onde está o lobo mau? Em Trás-os-Montes, região do país onde o Homem convive com o lobo desde tempos ancestrais, é que não... 

19 fevereiro 2010

A dureza do Inverno


Eis o Inverno e a difícil procura de alimento.

Os dias frios sucedem-se e com eles a queda de neve nas serras do Norte e Centro de Portugal. Nas terras altas a paisagem adquire contornos de grande beleza contudo, para a maioria da fauna Ibérica, são dias difíceis na luta pela sobrevivência.
Olhando para a paisagem acima transparece uma sensação de tranquilidade. Contudo observando mais de perto encontram-se diferentes pegadas na neve que denunciam a actividade de vários animais. Isso mesmo é confirmado pela imagem da Raposa (Vulpes vulpes), obtida por armadilhagem fotográfica, retrato paradigmático da dura busca por alimento. Primavera, não tardes...

06 janeiro 2010

Falta de Vigilantes da Natureza no Parque Natural do Douro Internacional


A conservação dos valores naturais representa uma medida indirecta do grau de civilização de uma nação. Como se trata de um "bem" inatingível, sem uma repercussão económica imediata, raramente se encontra entre as prioridades de qualquer Governo.
O Parque Natural do Douro Internacional foi criado em 1998 para "valorizar e conservar o património natural e o equilíbrio ecológico, através da preservação da biodiversidade e da utilização sustentável das espécies, habitats e ecossistemas". Quatro anos mais tarde foi criado na vizinha Espanha o Parque Natural Arribes del Duero, de forma a que na actualidade as duasáreas protegidas encerram mais de 120 quilómetros de canhões e bosques mediterrâneos inacessíveis. Perfazem uma das maravilhas naturais da Europa, habitada por Águias-reais (Aquila chrysaetos), Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus), Gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) ou Britangos (Neophron percnopterus).
Esperar-se-ia que para vigiar e proteger uma área tão extensa o país dispusesse de algumas dezenas de funcionários, nomeadamente Vigilantes da Natureza. Na verdade, e desde há cerca de 4 meses, não há um único Vigilante da Natureza a trabalhar no Parque Natural do Douro Internacional! Restam apenas 4 técnicos superiores, o que não permite sequer a recepção adequada aos visitantes que procuram a região. Ficam as perguntas: estará o país numa penúria tão profunda que não possa honrar os seus compromissos internacionais na área da Conservação da Natureza? Se esta mesma situação se passasse numa área protegida próxima de um grande centro urbano do litoral o desfecho seria o mesmo? Faz  ainda sentido chamar ao Douro Internacional área protegida quando não resta praticamente ninguém para a proteger?

04 dezembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 6)

Lobo-ibérico fotografado no interior de um pinhal, próximo ao local de reprodução.
 
Lobo dominante da Alcateia de Bragança, patrulhando o seu território após um nevão.

O gato-bravo apresenta no território estudado um padrão de actividade principalmente diurno.

Discussão

O seguimento ao longo de vários anos de uma alcateia permite a aquisição de conhecimentos aprofundados sobre o grupo familiar, a evolução populacional das restantes espécies com as quais comparte o território e factores de ameaça para a sua conservação.
Próximo à cidade de Bragança o ano de 2008 foi favorável ao lobo. A sua reprodução decorreu sem intercorrências, com a sobrevivência de pelo menos 3 das crias. A considerável actividade diurna desta espécie (mais de 1/3 das fotografias obtidas) demonstra a tranquilidade do território.
Favoráveis são também os dados obtidos relativamente a outras espécies com interesse conservacionista: aumentou a detecção de marta, estabilizou a detecção de gato bravo. Entre a restante comunidade de carnívoros constatou-se a utilização de espaço pelo texugo e fuinha, diminuindo a detecção de raposa e gineta.
Relativamente às principais presas do lobo, verificou-se um aumento da população de javali, estabilização da população de veado e diminuição da população de corço.
De forma semelhante ao verificado noutros trabalhos de seguimento da população lupina no Distrito de Bragança pelo método da armadilhagem fotográfica (Luís Moreira, comunicação pessoal) constatou-se uma frequência de detecção de lobo superior a 20% na segunda metade do ano e próximo ao local de cria. A validação desta razão como indicador de reprodução, assume-se como um desafio a confirmar no futuro.

Agradecimentos

Agradeço ao Dr. Luís Moreira o seu apoio imprescindível. Agradeço à minha família a paciência interminável que sempre demonstrou ao longo destes anos de trabalho de campo.

28 novembro 2009

Alcateia de Bragança - seguimento durante o ano 2008 (parte 5)

Nesta imagem surgem as 3 crias da Alcateia de Bragança nascidas durante 2008, aqui com cerca de 6 meses de idade.

A actividade diurna desta vara de javalis demonstra bem a tranquilidade do território.  

O texugo apresenta um padrão de actividade principalmente nocturno.

Estações de escuta

Realizaram-se 3 estações de escutas, próximo ao local de criação da Alcateia de Bragança ao longo de 2008. Os resultados encontram-se descritos na tabela 2.