17 novembro 2010

Seguimento de duas alcateias durante o ano 2009 (2)

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança Norte fotografado ao início da noite a sair do local de reprodução.

(continuação do post anterior)

Metodologia

O seguimento das alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul efectuou-se através de 3 métodos distintos: realização de percursos pré-definidos com registo de sinais indirectos de presença, armadilhagem fotográfica e estações de escuta.

Durante o ano 2009 foram realizadas 22 deslocações ao território da Alcateia de Bragança Norte e 6 deslocações ao território da Alcateia de Bragança Sul, compreendendo mais de 89 km percorridos a pé em ambas as áreas.

Foram colocadas 14 estações fotográficas distintas (número máximo de câmaras colocadas em simultâneo = 6) correspondendo a um total de 744 dias de amostragem. Realizaram-se 10 estações de escuta.

Os dados obtidos obedeceram ao acordado entre o autor e o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) através do ofício 201/2009/DGAC. De forma a perturbar o mínimo possível a espécie, as estações fotográficas foram colocadas a uma distância superior a 100 metros do local de reprodução.

(continua no próximo post)

27 outubro 2010

Seguimento de duas alcateias durante o ano 2009 (1)

Exemplar adulto de Lobo-ibérico (Alcateia de Bragança Norte) fotografado no interior de um pinhal ao início da tarde.


Desde 2006 que elaboro para o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) um relatório anual de seguimento de uma Alcateia do Distrito de Bragança (para ler a versão simplificada desses relatórios tecle com o botão direito do rato por cima de cada ano respectivo: 2006, 2007, 2008).

No ano de 2009 o esforço de campo foi consideravelmente superior a anos anteriores, incluindo o grupo familiar de Lobos-ibéricos (Canis lupus signatus) que ocupam o território imediatamente a Sul da alcateia já conhecida.

Doravante os grupos familiares estudados serão referenciados como Alcateia de Bragança Norte e Alcateia de Bragança Sul.


Alcateia de Bragança Norte (2006 - 2008)

Ao longo dos últimos 3 anos a ocupação do território e o sucesso reprodutor da Alcateia de Bragança Norte foi o seguinte:

2006 – reprodução confirmada (através da audição de uivos das crias e adultos) num pequeno afluente da margem esquerda do Rio Sabor, a cerca de 2 quilómetros (km) da povoação mais próxima.

2007 – alcateia detectada contudo não se confirmou a sua reprodução. Refira-se que em Abril desse ano verificou-se um incêndio de proporções consideráveis próximo ao local habitual de cria.

2008 – reprodução confirmada (registos fotográficos das crias e audição de uivos de adultos e crias), novamente num pequeno afluente da margem esquerda do Rio Sabor. O número estimado de crias foi de 3.

(continua no próximo post)

17 outubro 2010

Emergindo da vegetação

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), 2 de Outubro de 2010 às 5h da manhã.

Neste tempo em que nada mais parece interessar para além da economia, é bom determos um pouco a nossa atenção no mundo natural que nos rodeia.
Neste caso trata-se de um Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) fotografado em pleno patrulhamento nocturno próximo ao local onde descansa o seu grupo familiar.
Felizmente que, indiferentes à depressão generalizada que se instalou no país, os lobos portugueses continuam a criar.
Desculpem a ausência...

07 agosto 2010

Sardão: o lagarto trepador

Sardão (Lacerta lepida) fotografado no Vale do Rio Pinhão, próximo a Vila Real.

O Sardão (Lacerta lepida) é o maior lagarto português podendo atingir mais de 25 cm de comprimento.  Distribui-se por todo o território nacional preferindo as áreas secas e expostas onde alcança a temperatura corporal ideal que lhe permite manter-se activo (entre os 25 e os 30 graus centígrados). Desta forma ocorre principalmente em bosques abertos, zonas de matos e áreas agrícolas próximo a  zonas pedregosas que lhe servem de refúgio. 
Na sua dieta incluem-se insectos, frutos e vegetais, para além de pequenos mamíferos. Trata-se de uma espécie longeva (vive mais de uma década na Natureza) e que atinge a maturidade sexual tardiamente, apenas ao 3º ou 4º ano de vida.
Após a hibernação invernal (que se verifica mesmo nos territórios mais a Sul), a Primavera caracteriza-se por um pico de actividade em que se podem verificar lutas violentas entre os machos pela defesa do território e direito à reprodução. 
Se num próximo passeio pelo campo lhe parecer ter observado um lagarto a subir a uma árvore, não se trata de uma alucinação causada pelo calor do Verão: o sardão, rei dos lagartos ibéricos, consegue mesmo fazê-lo! 

18 julho 2010

O poiso certo




Picanço-barreteiro (Lanius senator) no seu poiso favorito com o almoço entre as garras.

Com frequência se discute o impacto nefasto do Homem na Natureza contudo, nas situações em que a acção humana é de baixa intensidade, os seres vivos apresentam uma fantástica capacidade de adaptação. 
Nas fotografias em anexo pode observar-se como um exemplar de Picanço-barreteiro (Lanius senator) utiliza a posição privilegiada facultada pelo cabo suspenso de forma a aumentar as suas hipóteses de sucesso na caça de insectos.
O picanço-barreteiro é um visitante estival, relativamente frequente no Interior Norte e Sul de Portugal, cuja população se encontra em aparente declínio. Prefere terrenos agrícolas rodeados por sebes e pequenas manchas florestais o que corresponde a um tipo de habitat em diminuição devido ao abandono do mundo rural. Para esta espécie, como para muitas outras, a desertificação do Interior do país não é uma boa notícia...