29 julho 2012

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina: vida selvagem no extremo da Europa.


 Ninhos de grandes aves em escapas abruptas sobre o Atlântico.

 Vegetação mediterrânea junto às praias.

 População de Cegonha-branca (Ciconia ciconia) a criar sobre o mar.

Vida e morte no Sudoeste Alentejano (ambas as crias deste ninho de cegonha-branca acabaram por falecer na passada semana).

Criado em 1988 o Parque Natural do Sudoeste Alentano e Costa Vicente abrange uma superfície terrestre de cerca de 60 mil hectares e uma área marítima de 29 mil hectares, compreendendo território dos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.
A paisagem é marcada por altas falésias que se despenham sobre o mar de uma altitude por vezes superior à centena de metros, praias de configurações diversas, mosaicos agrícolas, pequenos portos de pesca, aldeias e vilas caiadas de branco.
Trata-se de um local especial, onde Falcões-peregrinos (Falco peregrinus) perseguem Pombos-das-rochas (Columba livia) e Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) criam em escarpas marítimas enquanto surfistas aproveitam as últimas ondas atl|ânticas do continente europeu. No Verão abundam os turistas que procuram as praias mais remotas partilhando-as com Lontras (Lutra lutra) que todas as madrugadas se banham em ribeiras que desaguam no mar de forma a se livrarem do excesso de sal retido na sua espessa pelagem. Trata-se de um Parque Natural único, que encerra um conceito de "wilderness"em zona costeira, raro de encontrar a nível mundial, quanto mais na Europa. Portugal no seu melhor...

14 julho 2012

Saca-rabos na Serra de Montemuro

Sim, é mesmo uma realidade: o Saca-rabos (Herpestes ichneumon) chegou à Serra de Montemuro!

O Saca-rabos (Herpestes ichneumon) é um mamífero de actividade eminentemente diurna que habita no Sudoeste da Península Ibérica, preferencialmente a Sul do sistema montanhoso Monetejunto-Estrela.
Por estes dias verificou-se contudo que em pleno território de uma das alcateias de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Serra de Montemuro, as câmaras fotográficas activadas por sensor de movimento dedicadas ao seguimento deste predador, "capturaram" a fotografia em anexo. Trata-se de um registo raro de saca-rabos numa zona de montanha, aos 1000 metros de altitude, próximo a uma floresta de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e vidoeiros (Betula pendula).
Fica a pergunta: algum leitor tinha a ideia que o saca-rabos, vindo do Sul do país se encontrasse já tão próximo do litoral e do Vale do Douro? (Esta informação será naturalmente disponibilizada ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)

05 maio 2012

Milagre da Primavera no Vale do Sabor

Vale do Sabor na Primavera de 2012: em breve a barragem inundará este paraíso de vida selvagem em Portugal.

Crias da ave de rapina mais rápida do mundo, o Falcão-peregrino (Falco peregrinus), fotografadas com cerca de 3 semanas de vida no Vale do Sabor.

Cegonha-negra (Ciconia nigra) e as suas 2 crias fotografadas no ninho esta semana no Nordeste Transmontano.

A construção da barragem do Rio Sabor avança imparável, mas o desmatamento das margens e o enchimento da albufeira ainda não teve lugar pelo que a Natureza exuberante associada a este rio mantem-se de momento inalterada.
Percorrendo as margens do Sabor nesta Primavera de 2012 é ainda possível observar alguns milagres da vida selvagem como os documentados nas fotografias acima publicadas. Crias de Falcão-peregrino (Falco peregrinus) a alimentarem-se dos restos de uma ave no topo de uma escarpa inacessível ou um ninho antigo com vários metros de diâmetro pertence a uma família da rara Cegonha-negra (Ciconia nigra).
Não há muitos sítios assim em Portugal e no mundo. É uma pena que a "EDP sustentável" o vá destruir de forma irremediável.

25 abril 2012

Predação diurna

Imagem de predação obtida numa área remota do Norte de Portugal.

A observação in loco de imagens de predação na Natureza, principalmente envolvendo mamíferos, é difícil de testemunhar. Após milénios de perseguição por parte do Homem predadores e presas desenvolveram picos de actividade que evitam a sua presença. Assim admite-se que, com a excepção de lances envolvendo aves de rapina diurnas, a maioria destas acções ocorram ao abrigo da noite. Mas há excepções...

Conforme se pode constatar na imagem em anexo esta Raposa (Vulpes vulpes) transporta um Coelho (Oryctolagus cuniculus) recém-capturado entre as suas presas. O local é tranquilo sob a perspectiva do Homem e da Raposa. Já não será tão tranquilo sob a perspectiva do Coelho!

07 abril 2012

As Fragas do Alvão

Na fotografia pode observar-se uma das muitas escarpas da Serra do Alvão.

A Serra do Alvão constitui uma das principais barreiras à entrada de frentes atlânticas frias e repletas de humidade para o interior Norte. É precisamente esta abundância frequente de vento e água ao longo de milênios que levou à formação de impressionantes fragas nas duras rochas graníticas ou nos ocasionais afloramentos xistosos do maciço.

Caminhando pelo Alvão é impossível não se ficar impressionado pela abundância de escarpas inacessíveis que surgem em locais inesperados. Constituem redutos de biodiversidade, ainda hoje locais de cria de aves tão emblemáticas como o Falcão-peregrino (Falcões peregrinus), a Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), o Melro-das-rochas (Monticola saxatilis) ou o Melro-azul (Monticola solitarius).

Muito para além do Parque Natural do Alvão os fraguedos das montanhas Alvão/Marão constituem um marco natural incontornável dos Distritos do Porto e Vila Real.