18 outubro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 2)

Lobo-adulto (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança Norte, fotografado numa manhã de Maio de 2010, a regressar ao centro de actividade da Alcateia.

Resumindo a informação já veiculada em postagens anteriores pode-se afirmar que nos últimos 4 anos a actividade documentada para a Alcateia de Bragança Norte foi a seguinte:
2006 – reprodução com sucesso numa linha de água a menos de 2 km de uma aldeia localizada a Norte da cidade de Bragança. Não foi possível determinar o número de crias (fase de optimização da metodologia de seguimento).
2007 – detecção da presença da alcateia contudo não se confirmou a sua reprodução. Refira-se que em Abril desse ano ocorreu um incêndio de proporções consideráveis próximo ao local habitual de cria.
2008 – reprodução confirmada (registos fotográficos das crias e audição de uivos de adultos e crias), na mesma linha de água onde se tinha verificado a criação de 2006. O número estimado de crias foi de três.
2009 – reprodução confirmada (registo fotográfico de adultos e crias), mantendo-se o local habitual de reprodução. O número estimado de crias foi de duas. 


Relativamente à Alcateia de Bragança Sul o primeiro ano de seguimento efectivo ocorreu em 2009. Nesse ano foi possível confirmar a sua reprodução e o número estimado de crias foi de duas.
Refira-se que a distância em linha recta entre os dois locais comprovados de criação das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul foi de aproximadamente 4,5 quilómetros. 

16 setembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 1)

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) adulto macho da Alcateia de Bragança Norte fotografado em Maio de 2010.

Introdução

Desde há vários anos acompanho duas alcateias do Nordeste Transmontano, que neste blogue designei por Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul. O resultado desse seguimento pode ser consultado aqui, escolhendo o respectivo ano de trabalho de campo: 2006, 2007, 2008 e 2009.
Ao longo do ano 2010 procedeu-se uma vez mais ao seguimento destes grupos familiares de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), com o conhecimento e devida autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Nas próximas semanas revelarei no blogue Fauna Ibérica os resultados relativos ao ano 2010, com o cuidado sempre presente de não revelar informação sensível sobre a localização das diferentes espécies detectadas.

(continua no próximo post)

20 agosto 2012

Planalto do Alvão em pleno Verão


Planalto do Parque Natural do Alvão desde o Alto das Caravelas.

O calor aperta em pleno Agosto no Parque Natural de Alvão. São 10 horas da manhã e o termómetro já marca mais de 25ºC aos 1000 metros de altitude. Ao longe adivinha-se o cume do Alto das Caravelas que, com os seus 1300 metros, domina a área circundante da cidade de Vila Real.
A caminhada decorre por entre torres de aerogeradores, Tartaranhões-caçadores (Circus pygargus), pastores, cães-de-gado e rebanhos de cabras. Ao redor impõe-se um horizonte largo, de muitos quilómetros, com uma atmosfera límpida.
A surpresa estava reservada precisamente para o Alto das Caravelas, onde se escuta o distinto piar das Gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax). Olha-se desesperadamente em volta à procura do bando que teima em não aparecer. Até que de repente, por detrás de um flanco da montanha, emergem mais de 10 gralhas-de-bico-vermelho. A última vez que as vi no maciço Marão/Alvão foi há quase 10 anos. Mas elas ainda por aqui andam, tantos anos depois e apesar dos parques eólicos. Há avistamentos capazes de nos reconfortarem...

29 julho 2012

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina: vida selvagem no extremo da Europa.


 Ninhos de grandes aves em escapas abruptas sobre o Atlântico.

 Vegetação mediterrânea junto às praias.

 População de Cegonha-branca (Ciconia ciconia) a criar sobre o mar.

Vida e morte no Sudoeste Alentejano (ambas as crias deste ninho de cegonha-branca acabaram por falecer na passada semana).

Criado em 1988 o Parque Natural do Sudoeste Alentano e Costa Vicente abrange uma superfície terrestre de cerca de 60 mil hectares e uma área marítima de 29 mil hectares, compreendendo território dos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.
A paisagem é marcada por altas falésias que se despenham sobre o mar de uma altitude por vezes superior à centena de metros, praias de configurações diversas, mosaicos agrícolas, pequenos portos de pesca, aldeias e vilas caiadas de branco.
Trata-se de um local especial, onde Falcões-peregrinos (Falco peregrinus) perseguem Pombos-das-rochas (Columba livia) e Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) criam em escarpas marítimas enquanto surfistas aproveitam as últimas ondas atl|ânticas do continente europeu. No Verão abundam os turistas que procuram as praias mais remotas partilhando-as com Lontras (Lutra lutra) que todas as madrugadas se banham em ribeiras que desaguam no mar de forma a se livrarem do excesso de sal retido na sua espessa pelagem. Trata-se de um Parque Natural único, que encerra um conceito de "wilderness"em zona costeira, raro de encontrar a nível mundial, quanto mais na Europa. Portugal no seu melhor...

14 julho 2012

Saca-rabos na Serra de Montemuro

Sim, é mesmo uma realidade: o Saca-rabos (Herpestes ichneumon) chegou à Serra de Montemuro!

O Saca-rabos (Herpestes ichneumon) é um mamífero de actividade eminentemente diurna que habita no Sudoeste da Península Ibérica, preferencialmente a Sul do sistema montanhoso Monetejunto-Estrela.
Por estes dias verificou-se contudo que em pleno território de uma das alcateias de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Serra de Montemuro, as câmaras fotográficas activadas por sensor de movimento dedicadas ao seguimento deste predador, "capturaram" a fotografia em anexo. Trata-se de um registo raro de saca-rabos numa zona de montanha, aos 1000 metros de altitude, próximo a uma floresta de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e vidoeiros (Betula pendula).
Fica a pergunta: algum leitor tinha a ideia que o saca-rabos, vindo do Sul do país se encontrasse já tão próximo do litoral e do Vale do Douro? (Esta informação será naturalmente disponibilizada ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)