31 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 5)


Frequência de detecçoes das diferentes espécies de mamíferos dos territórios das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul (seleccione a tabela para ampliar).


Território das Alcateias de Bragança Norte e Sul

Em 2010 foram obtidas no território destas alcateias 188 fotografias e vídeos de lobo-ibérico, correspondendo a 17% do total de registos obtidos. Destes, 71 registos de lobo (38%) foram obtidos durante o dia.
Verificou-se que no território de ambas as alcateias, das 3 principais presas detectadas (Javali – Sus scrofa-, Veado – Cervus elaphus - e Corço – Capreolus capreolus -), o javali continua a ser a espécie mais frequente (11% dos registos fotográficos obtidos), seguido pelo veado (9%) e depois o corço (1% dos registos fotográficos). Relativamente a anos anteriores (2008 e 2009) constata-se que a detecção de javali diminuiu cerca de 31%, enquanto que a detecção de veado e corço foi relativamente sobreponível (redução de 10 para 9% no caso do veado, estabilização de 1% no caso do corço).
Nas restantes espécies continua a observar-se a presença de Gato-bravo (Felis silvestris), Marta (Martes martes) e Texugo (Meles meles) com relativa estabilidade no número de detecções relativamente a anos anteriores.
Ao longo de 2010 merece destaque a Lebre-ibérica (Lepus granatensis), que graças ao aumento de detecção de 300% (com estabilidade dos métodos de detecção e locais prospectados relativamente ao ano anterior) passou a ser a 5ª espécie de mamífero mais documentada pelas câmaras fotográficas automáticas, atrás da Raposa (Vulpes vulpes), lobo, javali e veado.

12 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 4)

Alcateia de Bragança Sul filmada em 2010 próximo ao local de criação.

Resultados

Alcateia de Bragança Norte

Durante o ano 2010 foi possível detectar a presença da Alcateia de Bragança Norte próximo aos centros de actividade tradicionais para este grupo familiar, contudo não se confirmou a sua reprodução. Apesar do recurso a armadilhagem fotográfica e da realização de estações de escuta não foi possível detectar ao longo do ano a presença de crias.


Alcateia de Bragança Sul

Em 2010, tal como no ano anterior, foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança Sul numa linha de água pertencente à bacia hidrográfica do Rio Sabor. Em 19 de Junho de 2010 um lobo adulto é fotografado a transportar alimento para o local habitual de reprodução. Desde essa altura constatou-se uma marcação acentuada do território ao redor da linha de água, bem como a detecção fotográfica de um grande número de elementos desta alcateia (em dada momento, e numa sequência de vídeo, são visíveis em simultâneo 5 indivíduos da alcateia).

25 novembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 3)

Alcateia de Bragança Norte próximo ao local de reprodução.

Metodologia

Tal como em anos anteriores o seguimento das alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul efectuou-se através de 3 métodos distintos: realização de percursos pré-definidos com registo de sinais indirectos de presença, armadilhagem fotográfica e estações de escuta.
Durante o ano 2010 foram realizadas 19 deslocações ao território destas alcateias, compreendendo mais de 110 km percorridos a pé em ambas as áreas.
Foram colocadas 11 estações fotográficas distintas (número máximo de câmaras colocadas em simultâneo = 6) correspondendo a um total de 1120 dias de amostragem. Realizaram-se 4 estações de escuta.
Os dados obtidos obedeceram ao acordado entre o autor e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) através do ofício 201/2009/DGAC. De forma a perturbar o mínimo possível a espécie, as estações fotográficas foram colocadas a uma distância superior a pelo menos 100 metros do local de reprodução. 

18 outubro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 2)

Lobo-adulto (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança Norte, fotografado numa manhã de Maio de 2010, a regressar ao centro de actividade da Alcateia.

Resumindo a informação já veiculada em postagens anteriores pode-se afirmar que nos últimos 4 anos a actividade documentada para a Alcateia de Bragança Norte foi a seguinte:
2006 – reprodução com sucesso numa linha de água a menos de 2 km de uma aldeia localizada a Norte da cidade de Bragança. Não foi possível determinar o número de crias (fase de optimização da metodologia de seguimento).
2007 – detecção da presença da alcateia contudo não se confirmou a sua reprodução. Refira-se que em Abril desse ano ocorreu um incêndio de proporções consideráveis próximo ao local habitual de cria.
2008 – reprodução confirmada (registos fotográficos das crias e audição de uivos de adultos e crias), na mesma linha de água onde se tinha verificado a criação de 2006. O número estimado de crias foi de três.
2009 – reprodução confirmada (registo fotográfico de adultos e crias), mantendo-se o local habitual de reprodução. O número estimado de crias foi de duas. 


Relativamente à Alcateia de Bragança Sul o primeiro ano de seguimento efectivo ocorreu em 2009. Nesse ano foi possível confirmar a sua reprodução e o número estimado de crias foi de duas.
Refira-se que a distância em linha recta entre os dois locais comprovados de criação das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul foi de aproximadamente 4,5 quilómetros. 

16 setembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 1)

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) adulto macho da Alcateia de Bragança Norte fotografado em Maio de 2010.

Introdução

Desde há vários anos acompanho duas alcateias do Nordeste Transmontano, que neste blogue designei por Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul. O resultado desse seguimento pode ser consultado aqui, escolhendo o respectivo ano de trabalho de campo: 2006, 2007, 2008 e 2009.
Ao longo do ano 2010 procedeu-se uma vez mais ao seguimento destes grupos familiares de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), com o conhecimento e devida autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Nas próximas semanas revelarei no blogue Fauna Ibérica os resultados relativos ao ano 2010, com o cuidado sempre presente de não revelar informação sensível sobre a localização das diferentes espécies detectadas.

(continua no próximo post)