04 fevereiro 2013

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (conclusão)


Lobo-ibérico da Alcateia de Bragança Norte próximo ao Centro de Actividade fotografado às 12 horas de um dia de Maio (selecionar a imagem para ampliar).

Alcateia de Bragança Sul a patrulhar o território numa noite chuvosa de Março de 2010 (selecionar play no canto inferior esquerdo para observar vídeo).

Discussão
O seguimento ao longo de vários anos de alcateias próximo à cidade de Bragança permite a aquisição de conhecimentos aprofundados sobre os grupos familiares, a evolução populacional das restantes espécies com as quais comparte o território e os factores de ameaça para a sua conservação.
O dado mais importante a reter do ano 2010 é a manutenção das condições ambientais nesta área do território português para o estabelecimento de uma pirâmide ecológica completa. Com efeito não só se mantiveram as condições de tranquilidade e integridade do território como não ocorreram alterações marcadas na utilização do mesmo.
Desta forma, e como seria expectável, de acordo com os dados de anos anteriores, uma das alcateias não se reproduziu em 2010: a Alcateia de Bragança Sul manteve o seu local de cria, enquanto a Alcateia de Bragança Norte com elevada probabilidade não terá criado. Conforme anteriormente destacado neste documento, em 2009 a distância entre os centros de reprodução destas alcateias foi pouco superior a 4 quilómetros. Assume-se que a tensão entre estes 2 grupos familiares na marcação e defesa do território deverá ter sido significativa nesta altura. Paralelamente verifica-se, relativamente ao ano anterior, uma descida na detecção das 3 principais presas do lobo (javali, veado e corço) de cerca de 21% o que poderá igualmente ter contribuído para a ausência de criação na Alcateia de Bragança Norte (entre os dois territórios a descida na detecção das presas foi mais acentuada no território Setentrional – 31% – do que no Meridional – 15%). As alcateias mantêm os seus centros de actividade e será bastante interessante verificar o que vai ocorrer ao longo de 2011 (dados a publicar brevemente neste blogue).
De certa forma confirma-se que a monitorização contínua de uma população de lobo ao longo de mais de quatro anos, numa mesma área de estudo e com um esforço de campo relativamente semelhante permite a obtenção de alguns indícios que de outra forma não seria possível alcançar.

Agradecimentos
Agradeço ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) a autorização para proceder ao presente trabalho de campo.
Agradeço ao Dr. Luís Moreira o apoio imprescindível que presta na realização deste trabalho.
Agradeço ao Serviço Especial de Protecção da Natureza (SEPNA) toda a motivação e interesse demonstrados na recuperação de material fotográfico desaparecido e entretanto recuperado aquando da realização deste trabalho.

31 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 5)


Frequência de detecçoes das diferentes espécies de mamíferos dos territórios das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul (seleccione a tabela para ampliar).


Território das Alcateias de Bragança Norte e Sul

Em 2010 foram obtidas no território destas alcateias 188 fotografias e vídeos de lobo-ibérico, correspondendo a 17% do total de registos obtidos. Destes, 71 registos de lobo (38%) foram obtidos durante o dia.
Verificou-se que no território de ambas as alcateias, das 3 principais presas detectadas (Javali – Sus scrofa-, Veado – Cervus elaphus - e Corço – Capreolus capreolus -), o javali continua a ser a espécie mais frequente (11% dos registos fotográficos obtidos), seguido pelo veado (9%) e depois o corço (1% dos registos fotográficos). Relativamente a anos anteriores (2008 e 2009) constata-se que a detecção de javali diminuiu cerca de 31%, enquanto que a detecção de veado e corço foi relativamente sobreponível (redução de 10 para 9% no caso do veado, estabilização de 1% no caso do corço).
Nas restantes espécies continua a observar-se a presença de Gato-bravo (Felis silvestris), Marta (Martes martes) e Texugo (Meles meles) com relativa estabilidade no número de detecções relativamente a anos anteriores.
Ao longo de 2010 merece destaque a Lebre-ibérica (Lepus granatensis), que graças ao aumento de detecção de 300% (com estabilidade dos métodos de detecção e locais prospectados relativamente ao ano anterior) passou a ser a 5ª espécie de mamífero mais documentada pelas câmaras fotográficas automáticas, atrás da Raposa (Vulpes vulpes), lobo, javali e veado.

12 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 4)

Alcateia de Bragança Sul filmada em 2010 próximo ao local de criação.

Resultados

Alcateia de Bragança Norte

Durante o ano 2010 foi possível detectar a presença da Alcateia de Bragança Norte próximo aos centros de actividade tradicionais para este grupo familiar, contudo não se confirmou a sua reprodução. Apesar do recurso a armadilhagem fotográfica e da realização de estações de escuta não foi possível detectar ao longo do ano a presença de crias.


Alcateia de Bragança Sul

Em 2010, tal como no ano anterior, foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança Sul numa linha de água pertencente à bacia hidrográfica do Rio Sabor. Em 19 de Junho de 2010 um lobo adulto é fotografado a transportar alimento para o local habitual de reprodução. Desde essa altura constatou-se uma marcação acentuada do território ao redor da linha de água, bem como a detecção fotográfica de um grande número de elementos desta alcateia (em dada momento, e numa sequência de vídeo, são visíveis em simultâneo 5 indivíduos da alcateia).

25 novembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 3)

Alcateia de Bragança Norte próximo ao local de reprodução.

Metodologia

Tal como em anos anteriores o seguimento das alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul efectuou-se através de 3 métodos distintos: realização de percursos pré-definidos com registo de sinais indirectos de presença, armadilhagem fotográfica e estações de escuta.
Durante o ano 2010 foram realizadas 19 deslocações ao território destas alcateias, compreendendo mais de 110 km percorridos a pé em ambas as áreas.
Foram colocadas 11 estações fotográficas distintas (número máximo de câmaras colocadas em simultâneo = 6) correspondendo a um total de 1120 dias de amostragem. Realizaram-se 4 estações de escuta.
Os dados obtidos obedeceram ao acordado entre o autor e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) através do ofício 201/2009/DGAC. De forma a perturbar o mínimo possível a espécie, as estações fotográficas foram colocadas a uma distância superior a pelo menos 100 metros do local de reprodução. 

18 outubro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 2)

Lobo-adulto (Canis lupus signatus) da Alcateia de Bragança Norte, fotografado numa manhã de Maio de 2010, a regressar ao centro de actividade da Alcateia.

Resumindo a informação já veiculada em postagens anteriores pode-se afirmar que nos últimos 4 anos a actividade documentada para a Alcateia de Bragança Norte foi a seguinte:
2006 – reprodução com sucesso numa linha de água a menos de 2 km de uma aldeia localizada a Norte da cidade de Bragança. Não foi possível determinar o número de crias (fase de optimização da metodologia de seguimento).
2007 – detecção da presença da alcateia contudo não se confirmou a sua reprodução. Refira-se que em Abril desse ano ocorreu um incêndio de proporções consideráveis próximo ao local habitual de cria.
2008 – reprodução confirmada (registos fotográficos das crias e audição de uivos de adultos e crias), na mesma linha de água onde se tinha verificado a criação de 2006. O número estimado de crias foi de três.
2009 – reprodução confirmada (registo fotográfico de adultos e crias), mantendo-se o local habitual de reprodução. O número estimado de crias foi de duas. 


Relativamente à Alcateia de Bragança Sul o primeiro ano de seguimento efectivo ocorreu em 2009. Nesse ano foi possível confirmar a sua reprodução e o número estimado de crias foi de duas.
Refira-se que a distância em linha recta entre os dois locais comprovados de criação das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul foi de aproximadamente 4,5 quilómetros. 

16 setembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 1)

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) adulto macho da Alcateia de Bragança Norte fotografado em Maio de 2010.

Introdução

Desde há vários anos acompanho duas alcateias do Nordeste Transmontano, que neste blogue designei por Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul. O resultado desse seguimento pode ser consultado aqui, escolhendo o respectivo ano de trabalho de campo: 2006, 2007, 2008 e 2009.
Ao longo do ano 2010 procedeu-se uma vez mais ao seguimento destes grupos familiares de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), com o conhecimento e devida autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Nas próximas semanas revelarei no blogue Fauna Ibérica os resultados relativos ao ano 2010, com o cuidado sempre presente de não revelar informação sensível sobre a localização das diferentes espécies detectadas.

(continua no próximo post)

20 agosto 2012

Planalto do Alvão em pleno Verão


Planalto do Parque Natural do Alvão desde o Alto das Caravelas.

O calor aperta em pleno Agosto no Parque Natural de Alvão. São 10 horas da manhã e o termómetro já marca mais de 25ºC aos 1000 metros de altitude. Ao longe adivinha-se o cume do Alto das Caravelas que, com os seus 1300 metros, domina a área circundante da cidade de Vila Real.
A caminhada decorre por entre torres de aerogeradores, Tartaranhões-caçadores (Circus pygargus), pastores, cães-de-gado e rebanhos de cabras. Ao redor impõe-se um horizonte largo, de muitos quilómetros, com uma atmosfera límpida.
A surpresa estava reservada precisamente para o Alto das Caravelas, onde se escuta o distinto piar das Gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax). Olha-se desesperadamente em volta à procura do bando que teima em não aparecer. Até que de repente, por detrás de um flanco da montanha, emergem mais de 10 gralhas-de-bico-vermelho. A última vez que as vi no maciço Marão/Alvão foi há quase 10 anos. Mas elas ainda por aqui andam, tantos anos depois e apesar dos parques eólicos. Há avistamentos capazes de nos reconfortarem...

29 julho 2012

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina: vida selvagem no extremo da Europa.


 Ninhos de grandes aves em escapas abruptas sobre o Atlântico.

 Vegetação mediterrânea junto às praias.

 População de Cegonha-branca (Ciconia ciconia) a criar sobre o mar.

Vida e morte no Sudoeste Alentejano (ambas as crias deste ninho de cegonha-branca acabaram por falecer na passada semana).

Criado em 1988 o Parque Natural do Sudoeste Alentano e Costa Vicente abrange uma superfície terrestre de cerca de 60 mil hectares e uma área marítima de 29 mil hectares, compreendendo território dos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.
A paisagem é marcada por altas falésias que se despenham sobre o mar de uma altitude por vezes superior à centena de metros, praias de configurações diversas, mosaicos agrícolas, pequenos portos de pesca, aldeias e vilas caiadas de branco.
Trata-se de um local especial, onde Falcões-peregrinos (Falco peregrinus) perseguem Pombos-das-rochas (Columba livia) e Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) criam em escarpas marítimas enquanto surfistas aproveitam as últimas ondas atl|ânticas do continente europeu. No Verão abundam os turistas que procuram as praias mais remotas partilhando-as com Lontras (Lutra lutra) que todas as madrugadas se banham em ribeiras que desaguam no mar de forma a se livrarem do excesso de sal retido na sua espessa pelagem. Trata-se de um Parque Natural único, que encerra um conceito de "wilderness"em zona costeira, raro de encontrar a nível mundial, quanto mais na Europa. Portugal no seu melhor...

14 julho 2012

Saca-rabos na Serra de Montemuro

Sim, é mesmo uma realidade: o Saca-rabos (Herpestes ichneumon) chegou à Serra de Montemuro!

O Saca-rabos (Herpestes ichneumon) é um mamífero de actividade eminentemente diurna que habita no Sudoeste da Península Ibérica, preferencialmente a Sul do sistema montanhoso Monetejunto-Estrela.
Por estes dias verificou-se contudo que em pleno território de uma das alcateias de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) da Serra de Montemuro, as câmaras fotográficas activadas por sensor de movimento dedicadas ao seguimento deste predador, "capturaram" a fotografia em anexo. Trata-se de um registo raro de saca-rabos numa zona de montanha, aos 1000 metros de altitude, próximo a uma floresta de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e vidoeiros (Betula pendula).
Fica a pergunta: algum leitor tinha a ideia que o saca-rabos, vindo do Sul do país se encontrasse já tão próximo do litoral e do Vale do Douro? (Esta informação será naturalmente disponibilizada ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)

05 maio 2012

Milagre da Primavera no Vale do Sabor

Vale do Sabor na Primavera de 2012: em breve a barragem inundará este paraíso de vida selvagem em Portugal.

Crias da ave de rapina mais rápida do mundo, o Falcão-peregrino (Falco peregrinus), fotografadas com cerca de 3 semanas de vida no Vale do Sabor.

Cegonha-negra (Ciconia nigra) e as suas 2 crias fotografadas no ninho esta semana no Nordeste Transmontano.

A construção da barragem do Rio Sabor avança imparável, mas o desmatamento das margens e o enchimento da albufeira ainda não teve lugar pelo que a Natureza exuberante associada a este rio mantem-se de momento inalterada.
Percorrendo as margens do Sabor nesta Primavera de 2012 é ainda possível observar alguns milagres da vida selvagem como os documentados nas fotografias acima publicadas. Crias de Falcão-peregrino (Falco peregrinus) a alimentarem-se dos restos de uma ave no topo de uma escarpa inacessível ou um ninho antigo com vários metros de diâmetro pertence a uma família da rara Cegonha-negra (Ciconia nigra).
Não há muitos sítios assim em Portugal e no mundo. É uma pena que a "EDP sustentável" o vá destruir de forma irremediável.

25 abril 2012

Predação diurna

Imagem de predação obtida numa área remota do Norte de Portugal.

A observação in loco de imagens de predação na Natureza, principalmente envolvendo mamíferos, é difícil de testemunhar. Após milénios de perseguição por parte do Homem predadores e presas desenvolveram picos de actividade que evitam a sua presença. Assim admite-se que, com a excepção de lances envolvendo aves de rapina diurnas, a maioria destas acções ocorram ao abrigo da noite. Mas há excepções...

Conforme se pode constatar na imagem em anexo esta Raposa (Vulpes vulpes) transporta um Coelho (Oryctolagus cuniculus) recém-capturado entre as suas presas. O local é tranquilo sob a perspectiva do Homem e da Raposa. Já não será tão tranquilo sob a perspectiva do Coelho!

07 abril 2012

As Fragas do Alvão

Na fotografia pode observar-se uma das muitas escarpas da Serra do Alvão.

A Serra do Alvão constitui uma das principais barreiras à entrada de frentes atlânticas frias e repletas de humidade para o interior Norte. É precisamente esta abundância frequente de vento e água ao longo de milênios que levou à formação de impressionantes fragas nas duras rochas graníticas ou nos ocasionais afloramentos xistosos do maciço.

Caminhando pelo Alvão é impossível não se ficar impressionado pela abundância de escarpas inacessíveis que surgem em locais inesperados. Constituem redutos de biodiversidade, ainda hoje locais de cria de aves tão emblemáticas como o Falcão-peregrino (Falcões peregrinus), a Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), o Melro-das-rochas (Monticola saxatilis) ou o Melro-azul (Monticola solitarius).

Muito para além do Parque Natural do Alvão os fraguedos das montanhas Alvão/Marão constituem um marco natural incontornável dos Distritos do Porto e Vila Real.

 

22 fevereiro 2012

Os carvalhais da Serra de Montemuro

Florestas e vales da Serra de Montemuro.

Quem atravessa o Rio Douro e se dirige a Cinfães observa uma grande muralha granítica que dominada todo o vale. Trata-se da serra de Montemuro que, apesar de povoada por inúmeros aerogeradores, conserva ainda o seu encanto.

Este maciço montanhoso constitui a principal barreira para os ventos atlânticos carregados de humidade pelo que abundam as linhas de água, os vales encaixados e os bosques de carvalhos nas encostas mais sombrias. Apesar do rigor dos elementos, das geadas e dos nevões frequentes, trata-se de um território povoado desde há milénios pelo Homem, que convive com uma fauna abundante e diversificada. Lobos (Canis lupus signatus), Javalis (Sus scrofa), Ginetas (Genetta genetta), Gatos-bravos (Felis silvestris), Falcões-peregrinos (Falco peregrinus) fazem destas paragens a sua casa pelo que, nestes dias anormalmente solararengos de Inverno, não faltam pretextos para uma caminhada pelo Montemuro...

03 janeiro 2012

2012: um ano de incerteza, mas também de esperança

Cria de lobo-ibérico com 8 meses de idade fotografada em estado selvagem em Trás-os-montes na tarde do dia 12 de Dezembro de 2011.


O ano 2012 já chegou e trouxe com ele a apreensão sobre um presente e um futuro difíceis para muitos portugueses. Os motivos para encarar com optimismo as dificuldades que temos diante de nós escasseiam mas neste particular talvez a Natureza nos possa dar uma ajuda. 
Apesar de muitas vezes maltratada a vida selvagem portuguesa continua tão pujante como sempre foi. O olhar desta cria de Lobo-ibérico (Canis lups signatus) nascida há poucos meses transporta-nos para fora da nossa prisão económica e social: revela que o nosso elo com o mundo natural é profundo e que, juntamente a riqueza das relações humanas e a dimensão espiritual do Homem, são o contributo essencial para suplantarmos as dificuldades.

02 novembro 2011

Guia Prático da Biologia da Abelha


Foi editado recentemente um "Guia Pratico da Biologia da Abelha" que reproduz de forma acessível os aspectos mais importantes da vida deste insecto.
Embora originalmente dirigido ao apicultor, a qualidade dos textos, do grafismo e das fotografias que o ilustram tornam-no num dos principais livros portugueses a debruçar-se sobre a abelha e agradará seguramente ao público em geral.
As temáticas abordadas sao as seguintes: "A abelha e o Homem", "A origem da Abelha", "A colónia", "Actividade das obreiras" e a "Enxameacao e reprodução". Numa altura em que se questiona o desaparecimento de um grande número de enxames em diferentes países faz todo o sentido conhecer um pouco melhor as abelhas, essenciais para a manutenção de um Meio Ambiente rico e diverso...

10 outubro 2011

Armeria humilis: uma preciosidade das Serras do Noroeste português

Armeria humilis humilis, pequena planta da Serra do Gerês.


A Armeria humilis humilis é uma planta da família Plumbaginaceae, endémica das Serras do Noroeste Peninsular, nomedamente da Serra do Gerês/Xurés.
Distribui-se pelos altos cumes fronteiriços da maior área de ambiente natural do nosso único Parque Nacional, desenvolvendo-se sobre solos pobres e fendas de rochas graníticas. Constitui uma importante meio de colonização destes meios extremos desenvolvendo o seu labor ao longo do tempo.

19 agosto 2011

Lobo a Sul do Douro: reprodução em 2010.

Dia 19 de Julho de 2011, próximo da meia-noite. A Sul do Rio Douro um Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) atravessa a noite ou como a região Centro de Portugal ainda tem o privilégio de contar com a presença de um superpredador.


A distribuição do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) em Portugal compreende 2 subpopulações: uma a Norte do Rio Douro, que se encontra em continuidade com a população espanhola, e outra a Sul do Rio Douro, cujo contacto com os restante efectivos ibéricos da espécie é bastante precário.
Considera-se assim mais ameaçada de extinção a subpopulação a Sul do Rio Duro, contando com um reduzido número de animais (apenas cerca de 15% da população nacional de lobo) e qualquer notícia que permita confirmar não só a sua presença como também a sua reprodução só pode ser considerada excelente.
Há cerca de 3 semanas, em pleno Distrito de Viseu, foi obtida a fotografia de lobo-ibérico acima reproduzida. Retrata um lobo subadulto, provavelmente nascido durante o ano 2010. É um documento que nos enche de esperança pois confirma que na segunda década do século XXI o lobo-ibérico vive e reproduz-se na região Centro de Portugal. Depende de todos nós assegurar que tal continue a suceder por muitos e longos anos...

02 julho 2011

Marta em meio mediterrâneo

A Marta (Martes martes) é uma espécie de distribuição pouco conhecida no nosso país.
(clique na imagem para ampliar)

O habitat onde foi obtida esta fotografia de Marta (Martes martes) não é aquele que mais se associa a este mamífero, como as florestas extensas de coníferas ou os bosques de Faias (Fagus sylvatica) do Norte da Europa. Antes pelo contrário: às 9 horas da manhã do dia 12 de Maio esta marta percorria território português, relativamente pouco arborizado, composto por manchas dispersas de azinhal (Quercus rotundifolia), pinhal (Pinus pinaster) e mato mediterrâneo.
A algumas centenas de metros a orografia do terreno é abrupta abrindo passagem a um dos últimos rios selvagens portugueses. A tranquilidade impera: são frequentes os registos fotográficos diurnos de espécies tão esquivas como o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) ou o Gato-bravo (Felis silvestris). Mas esta fotografia que documenta a actividade diurna da marta em pleno "mediterrâneo transmontano" é algo de muito especial...

13 junho 2011

Vida e morte na Natureza lusitana

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) fotografado há duas semanas no Norte de Portugal transportando o resultado da sua caçada.


Maio de 2011: o dia aproxima-se do fim numa remota serra transmontana. Ao fundo, no vale, crias de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) com apenas algumas semanas de vida esperam pela chegada de comida. Os dias sucedem-se, a fome aperta e a caça não vem. Mas hoje tudo vai ser diferente...
A poucas centenas de metros do local habitual de cria uma câmara fotográfica activada por movimento detecta um momento íntimo na vida desta alcateia. Poucos minutos passam das 19 horas quando um lobo adulto apressa-se a regressar para junto da família e é fotografado. A cabeça de cria de Veado (Cervus elaphus) que transporta entre as presas e o abdómen bastante dilatado que se pode ver na imagem são sinais de uma refeição faustosa. Não para si mas para as suas crias...
Uma vez chegado ao vale as crias irão rodeá-lo, lambendo-lhe o focinho. Num gesto repetido desde há milénios ele irá regurgitar o que ingeriu minutos antes e será o produto dessa regurgitação e a cabeça de veado que irão alimentar a nova geração de lobos portugueses.
O país está em crise mas a nossa Natureza permanece única e vibrante como sempre o foi...

26 maio 2011

Lebre-ibérica: camuflagem e rapidez

Lebre-ibérica (Lepus granatensis) fotografada numa serra transmontana.


A Lebre-ibérica (Lepus granatensis) é um lagomorfo com cerca de 2,5 kg de peso que se distribui por quase toda a Península Ibérica, com excepção das Cordilheiras Cantábrica e Pirenaica. É mais comum em zonas de mato rasteiro, olival, campos de cereal ou vinhedos, rareando em zonas florestadas.
Distingue-se do Coelho (Oryctolagus cuniculus) pelas maiores dimensões, pelas orelhas longas e negras nas extremidades, cauda com risca preta e membros compridos.
Apesar da sua proverbial rapidez trata-se de um mamífero que baseia muito da sua estratégia de sobrevivência na arte da camuflagem, pelo que encontrá-la a meio do dia, em pleno trilho de uma área protegida do Norte de Portugal é digno de registo...