25 março 2013

O ano do Esquilo

Esquilo (Sciurus vulgaris) fotografado nas últimas semanas no Norte do país.

Há mais de 10 anos atrás o Esquilo (Sciurus vulgaris) começou a ser visto com mais frequência no nosso país, primeiro nas montanhas do Norte e depois cada vez mais a Sul.
Tratava-se de um regresso bem-vindo, de uma espécie que sempre povoou o imaginário colectivo português, parte integrante da nossa cultura e da relação com a Natureza.
Nos últimos anos o esquilo, apesar de continuar a colonizar territórios a Sul do país, tornou-se mais raro, menos conspícuo, observá-lo no campo tornou-se menos frequente. Mas nos últimos meses de 2012 e neste início de 2013 estações fotográficas automáticas colocadas a Norte e Sul do Douro voltaram a detectar com frequência esta espécie. Parece que vem aí mais um ano do esquilo...

10 março 2013

O duro Inverno





 Neve e trilhos intransitáveis: eis o Inverno, versão 2013.

Este tem sido um Inverno duro no que se refere às condições meteorológicas. No Norte do país tem sido frequentes os nevões em áreas do Interior, assim como os ventos fortes.
As fotografias em anexo revelam as dificuldades de mobilidade de raposas e lebres, ou a caída de árvores em trilhos que perturbam o Homem e animais. É difícil acreditar que dentro de algumas semanas inicia-se a época de reprodução...

04 fevereiro 2013

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (conclusão)


Lobo-ibérico da Alcateia de Bragança Norte próximo ao Centro de Actividade fotografado às 12 horas de um dia de Maio (selecionar a imagem para ampliar).

Alcateia de Bragança Sul a patrulhar o território numa noite chuvosa de Março de 2010 (selecionar play no canto inferior esquerdo para observar vídeo).

Discussão
O seguimento ao longo de vários anos de alcateias próximo à cidade de Bragança permite a aquisição de conhecimentos aprofundados sobre os grupos familiares, a evolução populacional das restantes espécies com as quais comparte o território e os factores de ameaça para a sua conservação.
O dado mais importante a reter do ano 2010 é a manutenção das condições ambientais nesta área do território português para o estabelecimento de uma pirâmide ecológica completa. Com efeito não só se mantiveram as condições de tranquilidade e integridade do território como não ocorreram alterações marcadas na utilização do mesmo.
Desta forma, e como seria expectável, de acordo com os dados de anos anteriores, uma das alcateias não se reproduziu em 2010: a Alcateia de Bragança Sul manteve o seu local de cria, enquanto a Alcateia de Bragança Norte com elevada probabilidade não terá criado. Conforme anteriormente destacado neste documento, em 2009 a distância entre os centros de reprodução destas alcateias foi pouco superior a 4 quilómetros. Assume-se que a tensão entre estes 2 grupos familiares na marcação e defesa do território deverá ter sido significativa nesta altura. Paralelamente verifica-se, relativamente ao ano anterior, uma descida na detecção das 3 principais presas do lobo (javali, veado e corço) de cerca de 21% o que poderá igualmente ter contribuído para a ausência de criação na Alcateia de Bragança Norte (entre os dois territórios a descida na detecção das presas foi mais acentuada no território Setentrional – 31% – do que no Meridional – 15%). As alcateias mantêm os seus centros de actividade e será bastante interessante verificar o que vai ocorrer ao longo de 2011 (dados a publicar brevemente neste blogue).
De certa forma confirma-se que a monitorização contínua de uma população de lobo ao longo de mais de quatro anos, numa mesma área de estudo e com um esforço de campo relativamente semelhante permite a obtenção de alguns indícios que de outra forma não seria possível alcançar.

Agradecimentos
Agradeço ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) a autorização para proceder ao presente trabalho de campo.
Agradeço ao Dr. Luís Moreira o apoio imprescindível que presta na realização deste trabalho.
Agradeço ao Serviço Especial de Protecção da Natureza (SEPNA) toda a motivação e interesse demonstrados na recuperação de material fotográfico desaparecido e entretanto recuperado aquando da realização deste trabalho.

31 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 5)


Frequência de detecçoes das diferentes espécies de mamíferos dos territórios das Alcateias de Bragança Norte e Bragança Sul (seleccione a tabela para ampliar).


Território das Alcateias de Bragança Norte e Sul

Em 2010 foram obtidas no território destas alcateias 188 fotografias e vídeos de lobo-ibérico, correspondendo a 17% do total de registos obtidos. Destes, 71 registos de lobo (38%) foram obtidos durante o dia.
Verificou-se que no território de ambas as alcateias, das 3 principais presas detectadas (Javali – Sus scrofa-, Veado – Cervus elaphus - e Corço – Capreolus capreolus -), o javali continua a ser a espécie mais frequente (11% dos registos fotográficos obtidos), seguido pelo veado (9%) e depois o corço (1% dos registos fotográficos). Relativamente a anos anteriores (2008 e 2009) constata-se que a detecção de javali diminuiu cerca de 31%, enquanto que a detecção de veado e corço foi relativamente sobreponível (redução de 10 para 9% no caso do veado, estabilização de 1% no caso do corço).
Nas restantes espécies continua a observar-se a presença de Gato-bravo (Felis silvestris), Marta (Martes martes) e Texugo (Meles meles) com relativa estabilidade no número de detecções relativamente a anos anteriores.
Ao longo de 2010 merece destaque a Lebre-ibérica (Lepus granatensis), que graças ao aumento de detecção de 300% (com estabilidade dos métodos de detecção e locais prospectados relativamente ao ano anterior) passou a ser a 5ª espécie de mamífero mais documentada pelas câmaras fotográficas automáticas, atrás da Raposa (Vulpes vulpes), lobo, javali e veado.

12 dezembro 2012

Seguimento das Alcateias de Bragança durante o ano 2010 (parte 4)

Alcateia de Bragança Sul filmada em 2010 próximo ao local de criação.

Resultados

Alcateia de Bragança Norte

Durante o ano 2010 foi possível detectar a presença da Alcateia de Bragança Norte próximo aos centros de actividade tradicionais para este grupo familiar, contudo não se confirmou a sua reprodução. Apesar do recurso a armadilhagem fotográfica e da realização de estações de escuta não foi possível detectar ao longo do ano a presença de crias.


Alcateia de Bragança Sul

Em 2010, tal como no ano anterior, foi possível confirmar a reprodução da Alcateia de Bragança Sul numa linha de água pertencente à bacia hidrográfica do Rio Sabor. Em 19 de Junho de 2010 um lobo adulto é fotografado a transportar alimento para o local habitual de reprodução. Desde essa altura constatou-se uma marcação acentuada do território ao redor da linha de água, bem como a detecção fotográfica de um grande número de elementos desta alcateia (em dada momento, e numa sequência de vídeo, são visíveis em simultâneo 5 indivíduos da alcateia).