22 junho 2013

Amores de Verão


Cria de Corço (Capreolus capreolus) fotografada há poucas semanas no Norte de Portugal.

 O Corço (Capreolus capreolus) é um dos herbívoros mais esquivos e elegantes da Fauna Ibérica que se caracteriza por uma característica muito particular no seu ciclo de vida: o processo de ovo-implantação retardada.
  O período de acasalamento ocorre em pleno estio, durante os meses de Julho e Agosto. Após as primeiras fases de desenvolvimento do embrião o período de gestação é interrompido, reiniciando-se em Dezembro-Janeiro, com o nascimento das crias a verificar-se apenas em Maio-Junho. Assim, embora temporalmente decorra um período de cerca de 10 meses, a verdadeira gestação compreende um período de 6 meses.
  As fotos acima reproduzidas, obtidas na noite de 8 de Junho, comprovam isso mesmo: uma cria de corço nascida há poucos dias, fruto de um amor do Verão de 2012...

03 junho 2013

Côa revisitado


Côa selvagem após as chuvas abundantes do Inverno e Primavera. 

 Depois de alguns anos sem visitar o Vale do Côa tive o prazer de há poucas semanas regressar a este paraíso escarpado do Interior Português. A abertura do Museu do Côa e os postos de trabalho a ele associados, a autenticidade da paisagem do Vale versus a proliferação próxima de barragens no Douro faz com que neste momento e comparativamente a anos atrás a não construção da Barragem do Côa seja uma opção mais compreendida e aceite pelas populações locais.
  Essa paz que se estabeleceu entre o Homem e o Rio é retribuída pela Natureza: por todo o lado se observa a recuperação do coberto vegetal autóctone, a solidão e o isolamento dos fraguedos permite a manutenção das condições óptimas para o estabelecimento das aves rupícolas (veja-se a elevada densidade de Abutre-do-Egipto, uma das maiores do país). Nunca como agora o Côa esteve tão belo...

08 maio 2013

Cia, o passeriforme mascarado

A Cia (Emberiza cia) é uma das aves mais típicas das serras e escarpas fluviais no Interior de Portugal.

A Cia (Emberiza cia) é uma pequena ave residente no Mediterrâneo e nas cordilheiras montanhosas do Paleártico, desde a Sibéria até ao Noroeste africano. É uma espécie muito sedentária, permanecendo nos territórios de reprodução ao longo de todo o ciclo anual.
Enquanto no nosso país é considerada uma espécie com estatuto de conservação Pouco Preocupante, a nível global encontra-se ameaçada. Em Portugal distribui-se principalmente pela metade norte do território e pelas zonas serranas algarvias, estando praticamente ausente da faixa litoral. Ocorre como nidificante principalmente próximo a afloramentos rochosos, nomeadamente em escarpas fluviais rodeadas por matos de gramíneas. 
Constrói o seu ninho próximo ao solo e assume um comportamento esquivo, inconspícuo. Os seus hábitos alimentares são essencialmente granívoros embora ocasionalmente também possa consumir invertebrados durante a época de reprodução. 
Identifica-se facilmente pelo característico padrão riscado da cabeça, possuindo listras escuras em forma de tridente na zona facial, que contrastam com o fundo cinzento-azulado, sendo indubitavelmente um dos passeriformes mais atractivos da nossa fauna.

17 abril 2013

A utilidade dos espinhos

Pormenor de espinhos em arbusto de bosque mediterrâneo. 

Os espinhos que encontramos em várias plantas podem ser estruturas resultantes da modificação de um ramo, folha ou raiz ou "falsos espinhos", denominados de acúleos, os quais são uma espécie de pêlos enrijecidos compostos pela presença de lignina. A sua utilidade é indiscutível: tanto podem servir como reservatórios de líquido como defender a planta contra ameaças à sua integridade. 
Embora desagradáveis ao toque traduzem uma adaptação evolutiva indispensável ao sucesso das plantas. A repulsa associada aos espinhos é utilizada como arma por vários vertebrados, desde aves a mamíferos, desde herbívoros a carnívoros, que a eles recorrem para aqui desenvolverem as acções mais delicadas associadas ao seu ciclo de vida, como a reprodução.

25 março 2013

O ano do Esquilo

Esquilo (Sciurus vulgaris) fotografado nas últimas semanas no Norte do país.

Há mais de 10 anos atrás o Esquilo (Sciurus vulgaris) começou a ser visto com mais frequência no nosso país, primeiro nas montanhas do Norte e depois cada vez mais a Sul.
Tratava-se de um regresso bem-vindo, de uma espécie que sempre povoou o imaginário colectivo português, parte integrante da nossa cultura e da relação com a Natureza.
Nos últimos anos o esquilo, apesar de continuar a colonizar territórios a Sul do país, tornou-se mais raro, menos conspícuo, observá-lo no campo tornou-se menos frequente. Mas nos últimos meses de 2012 e neste início de 2013 estações fotográficas automáticas colocadas a Norte e Sul do Douro voltaram a detectar com frequência esta espécie. Parece que vem aí mais um ano do esquilo...