22 setembro 2013

Lameiros do Norte português


Lameiros do Parque Natural do Alvão.

  No Norte de Portugal abundam os lameiros, principalmente em áreas de montanha. Os lameiros mais não são do que áreas de pastagem permanente, providos de um sistema de rega desenvolvida desde tempos imemoriais e que se baseia na gravidade. 
  A abundância de água ao longo de todo o ano permite o desenvolvimento de uma biodiversidade assinalável. Destacam-se as plantas com elevado estatuto de protecção, nomeadamente diversas orquídeas raras como a Erva-língua (Serapias lingua).
  Para além desta riqueza natural os lameiros propiciam uma interrupção na paisagem (florestal ou rochosa) possuindo um inegável valor estético, como se pode constatar nas imagens em anexo. Mais uma prova de que a intervenção do Homem na Natureza não tem de ser sempre negativa.

23 agosto 2013

Alimentação das crias


 Texugo e Lobo fotografados a transportarem a melhor parte das suas refeições para as respectivas crias.
Norte de Portugal, Julho de 2013.

  A adequada alimentação da prole constitui uma prioridade para todas as espécies. Crias bem alimentadas são menos susceptíveis a infecções bacterianas ou por parasitas, desenvolvem-se de forma mais harmoniosa e atingem com maior rapidez a aptidão física necessária para sobreviverem.
  As imagens em anexo em que um Texugo (Meles meles) transporta entre as presas uma Lebre (Lepus granatensis)  e um Lobo (Canis lupus signatus) transporta parte de um Veado (Cervus elaphus) para os respectivos covis mais não são de que uma outra face, pouco testemunhada, desse mesmo facto.
  O que estes animais estão a fazer é acima de tudo assegurar a sobrevivência das suas crias com os melhores alimentos que conseguem obter. Estas fotos foram obtidas em estado selvagem num sítio bastante tranquilo do Interior Norte português. Representam uma Natureza bem viva, selvagem, que apesar de raramente podermos observar encontra-se ainda bastante preservada no nosso país. Acreditem. Basta olhar para as imagens... 

16 julho 2013

Carriça: a habitante das cavernas.

 A pequena Carriça (Troglodytes troglodytes). 

 A Carriça (Troglodytes troglodytes), com apenas 10 cm de comprimento, é uma das aves mais pequenas e comuns da avifauna portuguesa. A sua silhueta, facilmente identificada pela cauda pequena e "arrebitada", pode ser observada ao longo de todo o ano e por todo o país com excepção de vastas áreas do Alentejo.
  O nome latino, troglodita ou habitante das cavernas, refere-se ao seu hábito de entrar em pequenas cavidades de forma a capturar os insectos que constituem a base da sua alimentação. Apesar do seu pequeno tamanho trata-se de uma ave com um canto potente e diverso que enriquece de sobremaneira os locais onde habita.

22 junho 2013

Amores de Verão


Cria de Corço (Capreolus capreolus) fotografada há poucas semanas no Norte de Portugal.

 O Corço (Capreolus capreolus) é um dos herbívoros mais esquivos e elegantes da Fauna Ibérica que se caracteriza por uma característica muito particular no seu ciclo de vida: o processo de ovo-implantação retardada.
  O período de acasalamento ocorre em pleno estio, durante os meses de Julho e Agosto. Após as primeiras fases de desenvolvimento do embrião o período de gestação é interrompido, reiniciando-se em Dezembro-Janeiro, com o nascimento das crias a verificar-se apenas em Maio-Junho. Assim, embora temporalmente decorra um período de cerca de 10 meses, a verdadeira gestação compreende um período de 6 meses.
  As fotos acima reproduzidas, obtidas na noite de 8 de Junho, comprovam isso mesmo: uma cria de corço nascida há poucos dias, fruto de um amor do Verão de 2012...

03 junho 2013

Côa revisitado


Côa selvagem após as chuvas abundantes do Inverno e Primavera. 

 Depois de alguns anos sem visitar o Vale do Côa tive o prazer de há poucas semanas regressar a este paraíso escarpado do Interior Português. A abertura do Museu do Côa e os postos de trabalho a ele associados, a autenticidade da paisagem do Vale versus a proliferação próxima de barragens no Douro faz com que neste momento e comparativamente a anos atrás a não construção da Barragem do Côa seja uma opção mais compreendida e aceite pelas populações locais.
  Essa paz que se estabeleceu entre o Homem e o Rio é retribuída pela Natureza: por todo o lado se observa a recuperação do coberto vegetal autóctone, a solidão e o isolamento dos fraguedos permite a manutenção das condições óptimas para o estabelecimento das aves rupícolas (veja-se a elevada densidade de Abutre-do-Egipto, uma das maiores do país). Nunca como agora o Côa esteve tão belo...