12 abril 2015

Toutinegra-carrasqueira ou a chegada da Primavera

Uma das pequenas aves mais bonitas da Primavera: a Toutinegra-carrasqueira

A chegada ao interior do país da Toutinegra-carrasqueria (Sylvia cantillans) anuncia o início da Primavera. Com efeito este pequeno passeriforme de peito laranja, cabeça azulada e "bigodes" brancos é um dos primeiros migradores estivais a chegar desde os locais de invernada localizados no hemisfério Sul.
Bastante mais comum no interior Norte e Centro que nas zonas litorais, prefere as zonas de matos com árvores dispersas como azinheiras, sobreiros ou oliveiras. Baseia a sua alimentação em insectos e os meses que passa em Portugal são uma luta contra o tempo: afinal de contas o objectivo da toutinegra-carrasqueira é o de criar 2 ninhadas por ano...

25 janeiro 2015

Trepadeira-comum: uma ave muito pouco comum

Trepadeira-comum (Certhia brachydactylana Serra da Nogueira.

O dia amanheceu frio. Caminhando pelo vale ainda a meia-luz escuto um canto agudo que termina de forma abrupta. Tento observar o passeriforme que o produziu mas não o consigo identificar. O que vejo contudo agrada-me: diante de mim estendem-se quilómetros e quilómetros de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), num cenário típico desta belíssima Serra da Nogueira.
O som regressa e agora consigo detectar um pequeno e esquivo pássaro de cor escura. Agarrado ao tronco, de ventre para cima, trepa com destreza. A sua busca por alimento leva-o aos locais mais extremos da árvore. O Sol eleva-se cada vez mais e agora já o distingo melhor. No meio do carvalhal, num dos locais mais preservados do país, a Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla) propicia um  espectáculo muito pouco comum. 

21 dezembro 2014

Tentilhão-comum, ou o macho de peito cor-de-rosa

Tentilhão-comum, fotografado há algumas semanas atrás no Parque Natural de Montesinho.

Percorrendo as florestas portuguesas no Outono ou no Inverno é difícil não reparar numa pequena ave devido à sua elevada frequência: o Tentilhão-comum (Fringilla coelebs) é por esta altura um dos nossos passeriformes mais comuns.
Residente no nosso país ao longo de todo o ano, com a chegada do tempo frio os efectivos de tentilhão são reforçados com indivíduos (principalmente fêmeas) provenientes do Norte da Europa.
O tentilhão-comum alimenta-se habitualmente de sementes; tem o tamanho de um pequeno pardal mas as asas e cauda mais longas e a característica mancha branca dos "ombros" torna-o mais elegante. Os machos são mais coloridos (ver fotografia em anexo) com o característico peito rosado.
Em Abril os tentilhões residentes mudam os hábitos alimentares: inicia-se a época de reprodução, com uma postura de 3 a 6 ovos, e aumenta o consumo de pequenos invertebrados mais ricos em termos energéticos. Trata-se felizmente de uma espécie não-ameaçada embora se questione a tendência demográfica recente dos seus efectivos...

14 outubro 2014

Papa-moscas preto no Vale do Tua


Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) fotografado no Vale Tua.

O Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) é uma pequena ave, rara no nosso país e que visita a Europa durante os meses mais quentes (desde Abril/Maio até Setembro/Outubro). Na Península Ibérica a sua presença restringe-se a bosques de montanha, como carvalhais ou pinhais. 
Caminhando há cerca de 2 semanas atrás pelo lindíssimo Vale do Tua, com os seus extensos pinhais e sobreirais, pude observar e fotografar uma fêmea de papa-moscas-preto. Neste momento, com o frio que se instalou definitivamente em terras transmontanas, o mais provável é este exemplar já ter regressado a terras africanas. Fica o registo e a vontade de repetir em breve esta caminhada.

03 setembro 2014

Andorinhas-dáuricas no Douro


Andorinha-daúrica (Hirundo daurica) e o final de Agosto no Vale do Douro

O Verão aproxima-se do fim e no Vale do Douro o tempo é de agitação. A vindima começou e todos os envolvidos entregam-se a esta tarefa sabendo que o que está em causa é todo um ano de trabalho. Prestam por isso pouca atenção a uma pequena ave que voa por cima das suas cabeças enquanto vindimam: a Andorinha-daúrica (Hirundo daurica).
Esta andorinha, muito menos frequente que a Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e da qual se distingue pela ausência de banda peitoral, escolhe o Douro como um dos seus destinos de migração  predilectos. Durante a época da vindima a sua actividade é particularmente frenética, tentando acumular o máximo de reservas de energia que a permitam em breve fazer a viagem até à África subsariana.
Efectivamente trabalha-se muito no Douro nesta altura...