22 setembro 2007

Contra as torres eólicas no Parque Natural de Montesinho

Parque Natural de Montesinho:
terra de horizontes longínquos e intocados. Até quando?


O Parque Natural de Montesinho (PNM), uma das mais emblemáticas áreas protegidas portuguesas, encontra-se de momento ameaçado pela instalação de aerogeradores ao longo das suas principais serras.
A instalação do maior parque eólico europeu, proposto pela empresa irlandesa Airtricity com o apoio de autarcas locais, levaria à abertura de acessos de grande envergadura nos locais mais remotos e nobres da área protegida ameaçando os seus principais valores naturais. Afectaria directamente a população de Lobo-ibérico (Canis lupus signatus) mais estável de Portugal, perturbaria o território de caça de pelo menos 3 casais de Águia-real (Aquila chrysaetos) e mais importante ainda destruiria o valor derradeiro do PNM: a sua paisagem, a sua beleza agreste e indomável.
Felizmente a proposta inicial de plano de ordenamento desta área protegida proíbe a instalação de torres eólicas. Henrique Pereira, representante do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), veio declarar: "Vale a pena ponderar o valor económico de duas alternativas: temos um valor importante que é a ideia de Montesinho, jóia da coroa do país, um sitio como não há outro e essa ideia pode trazer fluxos económicos. Acreditamos que a colocação dos aerogeradores pode destruir esse valor".
Tais afirmações enchem-me de esperança e nesta, como noutras situações, espero que a posição do ICNB prevaleça sobre um modelo de desenvolvimento lesivo de valores naturais únicos. Os técnicos do ambiente que têm a seu cargo o plano de ordenamento do PNM estão de parabéns, assumindo com coragem a atitude que mais serve o futuro do país! Espero agora que este governo lhes faça justiça...

7 comentários:

Grizzly disse...

Depois do fim anunciado do Rio Sabor, finalmente uma boa notícia para o património natural deste país... coisa rara nos dias que correm. Esperemos que esta posição prevaleça e não seja dado o dito por não dito!

Anónimo disse...

Vale a pena relembrar que a construção da central hidroelectrica no Sabor também esteve muito próxima de não acontecer. Infelizmente não tenho grandes esperanças de que as gentes que nos governam renunciem ao grande negócio que é a instalação desse grande parque eólico. A conservação da Natureza está de luto.

Zoelae disse...

Esperemos que os valores ambientais falem mais alto, pelo menos desta vez, num país nunca mais apanha o devido rumo tudo pode ainda acontecer...

Anónimo disse...

Saúdam-se as palavras de Henrique Pereira dos Santos sobre a instalação das torres no PNM.

Que se confirme a não exploração da energia eólica no PNM e que não se cometam os erros do passado. Montesinho precisa de ser aproveitado do ponto de vista turístico.

As áreas protegidas não devem existir para o prazer de meia dúzia de biólogos anti-sociais que gostam de andar de mochila às costas no campo a olhar para a bicharada. Devem ser aproveitadas e desfrutadas por todos nós.

Conservação da natureza e desenvolvimento devem andar de mãos dadas. Como dizia Lenine, a pobreza é a maior fonte de poluição.

Pequete disse...

Infelizmente, parece que as coisas estão a tomar outro rumo... De qualquer forma, obrigada pelo post e pelas excelentes fotografias. Gostei de conhecer o seu blogue (e de o conhecer a si, na semana passada!) e vou voltar mais vezes.

Anónimo disse...

Quais as outras altenativas para criação de tal parque eólico em Portugal?

Anónimo disse...

olá para todos. fala-se de parque eólico como quem de hidroeletrica que destrui habitats, ou como termoelectrica que provoca aquecimento dos rios e emite quantidades de CO2, melhor que isso tudo secalhar uma nuclear seria melhor. pelo pouco que sei as torres eolicas provocam unicamente impacto visual, os lobos adoram o barulho das torres, alem disso antes de instalar um parque eólico, seja ele grande ou pequeno tem de se ter em conta todos esses factores que voces falam, não é chegar lá e destruir tudo.
não podemos deixar de lembrar que quem constroi eólicas não defende nucleares, poderam ir até hidricas, mas não mais. não me levei a mal, mas eu vivi em Bragança durante seis anos e o resto dividido entre Valpaços e Chaves e eu nunca vi turismo. as populações locais queixão-se das normas impostas pelo parque, a agricultura está a morrer e tambem faz falta aos bichos denominados como pessoas incentivos economicos para permanecer na zona e desenvolve-la.
Sem mais cumprimentos com o meu sincero respeito a todos.