09 fevereiro 2007

Camurça: a montanhista multifacetada

Postura clássica de uma Camurça (Rupicapra rupicapra) que desde um cume elevado observa atentamente o excursionista que escala a "sua" montanha.

Estas imagens obtidas por uma câmara fotográfica automática provam que mesmo durante o Verão as camurças frequentam assiduamente o bosque, compartindo este habitat com ungulados como o Corço (Capreolus capreolus) ou o Veado (Cervus elaphus).


A designação latina de Camurça (Rupicapra rupicapra) significa literalmente a cabra das rochas escarpadas. E com efeito este belo animal, presente na Península Ibérica nas cordilheiras Cantábrica e Pirenaica, é dotado de uma agilidade assombrosa que lhe permite trepar até aos cumes mais inacessíveis. Autêntico especialista destas montanhas geladas a camurça possui uma útil membrana interdigital que aumenta a superfície de apoio sobre a neve.
Embora seja um lugar comum assumir-se que no Verão este mamífero refugia-se nas altas montanhas e que apenas no rigor do Inverno deambula pelos bosques autóctones, onde é vítima frequente de predação por parte do Lobo (Canis lupus), tal não corresponde à verdade. A colocação de câmaras fotográficas automáticas num bosque cantábrico onde para além da camurça concorrem várias espécies de ungulados como o Veado (Cervus elaphus), o Corço (Capreolus capreolus) ou Javali (Sus scrofa), permitiu concluir que mesmo durante o estio todos estes animais competem pelo mesmo espaço e, de forma genérica, pelo mesmo alimento. Assim é frequente o registo fotográfico de camurças em faiais ou carvalhais remotos ao longo dos meses de Julho, Agosto e Setembro (ver imagens acima reproduzidas).
Com uma população estimada em 16000 camurças na Cordilheira Cantábrica e cerca de 35000 nos Pirinéus, trata-se de uma espécie actualmente não ameaçada cujas baixas periódicas de efectivos estão relacionadas com epidemias como a sarna ou a queratoconjuntivite.
O facto de apresentar actividade diurna e uma grande curiosidade para com o caminhante que percorre os seus domínios (principalmente nas áreas protegidas onde a sua caça é vedada) faz com que seja um símbolo de locais de beleza inigualável como os Parques Nacionais dos Picos de Europa ou de Ordesa y Monte Perdido e como tal já bem conhecida de um número apreciável de excursionistas portugueses.

5 comentários:

Ponto Verde disse...

Visualmente muito bom este seu blogue e com um excelente conteúdo, um covite para visitar o www.a-sul.blogspot.com Obrigado.

João disse...

muito bom msm!! so uma pequena correcção.. camurça é (Rupicapra pyrenaica) e se for a cantabrica é R.p. parva e a dos pirinéus R.p. pyrenaica. Abraço!

miguelbarbosa disse...

Olá João.
Obrigado pela sua atenção ao blogue e pelo comentário elogioso.
Relativamente à denominação latina da Camurça enquanto espécie a forma correcta será Rupicapra rupicapra. As 2 subespécies ibéricas são designadas do seguinte modo: a cantábrica Rupicapra rupicapra parva, a pirenaica Rupicapra rupicapra pyrenaica. Um abraço, Miguel Barbosa

Anónimo disse...

Alguém conhece a camurça-branca? O programa Vida Selvagem da RTP2 falou hoje sobre esta corredora das montanhas geladas. Pesquisei na internet mas não encontrei nada sobre o tema!

Anónimo disse...

Alguém conhece a camurça-branca? O programa Vida Selvagem da RTP2 falou hoje sobre esta corredora das montanhas geladas. Pesquisei na internet mas não encontrei nada sobre o tema!