08 outubro 2008

Lince-ibérico: sinais de um fantasma



Rastro de pegadas de Lince-ibérico (Lynx pardina) e habitat "linceiro" no Sul da Península Ibérica.

O Lince-ibérico (Lynx pardina) é um dos mais belos mamíferos europeus com um porte, graciosidade e agilidade apenas possível de encontrar na família dos felinos. Infelizmente é também um dos animais mais ameaçados de extinção a nível mundial com uma população estimada de cerca de 200 indivíduos em estado selvagem. Os seus principais redutos encontram-se nos Parques Nacional e Natural de Doñana assim como na Sierra Morena Oriental, nomeadamente no Parque Natural Sierra de Andújar.
É um especialista do bosque mediterrâneo tranquilo, com estrutura tipo mosaico que combine densa cobertura vegetal com prados de alimentação para a sua presa principal, o Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). Os adultos são bastantes territoriais não permitindo a entrada de indivíduos do mesmo sexo numa área de 5 a 20 quilómetros quadrados.
Apresenta actividade crepuscular e nocturna o que aliado à escassez de efectivos torna bastante difícil a sua observação na Natureza contudo deixam com frequência as suas pegadas e dejectos em corta-fogos e cruzamento de caminhos. Caminhando numa zona "linceira" observei e fotografei as marcas da sua presença. São sinais de um fantasma da nossa fauna, cada vez mais raro. Os próximos anos serão fundamentais para a conservação do "felino mais ameaçado do mundo": será a nossa a última geração a observá-lo na Natureza?

5 comentários:

Anónimo disse...

Vamos acreditar que não...

Tiago Rocha disse...

boas Miguel,

Excelente blog, estive a lê-lo exaustivamente, andava a muito tempo a procura dum blog assim, excelente o trabalho que tens desenvolvido e agradeço muito teres compartilhado connosco esse teu trabalho tão benéfico mas muitas vezes tão pouco valorizado. Espero que continues e com bons resultados.

(mandei-te um email para miguelbarbosa75@gmail.com com alguns pontos, espero pela resposta)

Sem nada mais de momento despeço-me com a esperança que compartilhes mais coisas connosco.


Um abraço

Tiago Rocha

Tat Wam Asi disse...

Acreditemos que não. É a batalha final e penso que os espanhóis a estão a levar a sério. Esperemos que ainda a tempo.

Grande Abraço

Pequete disse...

Se a batalha fosse realmente levada a sério, bania-se a caça nas zonas linceiras e desviavam-se as estradas onde há maior número de atropelamentos, nem que isso implicasse gastar milhões de euros em compra de terras. Da maneira que as coisas estão, gastam-se na mesma milhões de euros, mas procuram-se meios-termos que se traduzem, para o lince, em muito pouco.

João Gabriel Barbedo Marques disse...

Pois é, havia linces em Portugal antes da revolução socialista...

João Gabriel Barbedo Marques