05 setembro 2009

O desaparecimento estival do Rio Maças


Estas imagens mostram algo pouco comum: o desaparecimento completo de um rio devido à escassez de precipitação ao longo do último ano hidrológico. 

As pessoas mais idosas das aldeias circundantes não se lembram de algo assim: o Rio Maças, que forma um dos mais belos vales do país, desapareceu...
Conforme testemunham as fotografias, desde meados de Agosto que a água deixou de correr nesta região do Nordeste Transmontano. À escassez de chuvas do Inverno juntou-se uma Primavera anormalmente seca e um Verão de elevadas temperaturas que conduziram a este desfecho. O desaparecimento do rio acarreta consequências sérias para a Fauna e Flora locais, contudo trata-se de um evento transitório, integrado num ciclo natural mais amplo. 
O inédito deste registo deve-se também a um outro factor: é que o Rio Maças, desde a nascente até à foz em pleno Sabor, é um rio selvagem, com uma ausência quase completa de barragens. E nos rios selvagens verifica-se isto mesmo: períodos de seca alternados com cheias, estabelecendo condições ambientais extremamente desafiantes para todos os seres vivos. E é a partir de laboratórios naturais de extremos como este que se desenvolve a biodiversidade... 

8 comentários:

Anónimo disse...

bom argumento para a construção da baragem

Rui Pedro Lérias disse...

A mim parece-me um bom argumento para a recuperação da vegetação em torno do rio, nas encostas que o ladeiam. Aumentando a retenção de água e a sua consequente libertação prolongada.

As barragens são miragens.

Anónimo disse...

Muito bom mas não há nada a fazer do que esperar pela chuva é a natureza no seu melhor

Anónimo disse...

Para mim é claro que não é argumento, mas será um bom argumento para quem vive lá e não lhes diz nada o que nós chamamos de "Sabor selvagem". Repare que não são só as necessidades energéticas que Portugal tem e que o nosso governo gosta de resolver com eólicas e barragens, mas o maior problema vem da falta de sensibilidade dos residentes das áreas "selvagens em que as barragens e as eólicas são construidas.Há mais vontade das pessoas que não são de tras os montes em não construir a barragem do que as proprias pessoas que habitam na zona do Sabor....

Tiago Rocha disse...

que continue assim selvagem por muitas mais eras.

Rui Pedro Lérias disse...

Caro Anónimo,
Pergunte às pessoas à volta da barragem do Alqueva, que tanto a quiseram, o que acham agora.

Onde antes podiam ir à vontade, com animais ou para passearem - ao rio Guadiana, agora são tratados como cães sarnentos. Viram as suas terras ser expropriadas, compradas por espanhois ou integrados em 'zonas de gestão' ainda mais exigentes do que estar num parque nacional. Passaram a viver debaixo do terror da EDIA que tudo pode.

As pessoas, compreensivelmente, quando têm uma vida difícil acreditam que existe uma solução fácil chamada barragem que lhes vai dar água e desenvolvimento. Mas nunca são elas as beneficiadas.

A barragem do Sabor é um exemplo de uma barragem que vai destruir um vale produtivo e o pouco rendimento que os locais conseguem ter sem lhes dar nada - nada - de volta. Não haverá turismo, nem nenhum desenvolvimento local que os favoreça.

Infelizmente, não é o que autarcas e ministros lhes dizem, claro que não. E eles vão na conversa.

Anónimo disse...

Bom, era aí que eu queria chegar!
E o senhor só me vem dar razão.

Victor Alves disse...

O rio Maças em 2003 secou?
O rio Mente, na parte ocidental de parque, será um rio tão grande como esse e nunca secou, nem em 2003, mas esta zona já é mais húmida, o ponto mais alto da bacia deste rio só tem 1291m.