19 outubro 2006

Tragédia silenciosa


A meteorologia segue actualmente o seu curso habitual: as temperaturas baixam, as frentes atlânticas sucedem-se e parece que o tempo chuvoso veio para ficar. Há muito que os incêndios florestais deixaram de ser notícia contudo é nesta altura do ano que as suas consequências são mais gravosas. Enquanto que em Agosto o avanço das chamas consumiu alguns dos mais importantes redutos de bosque autóctone do Parque Nacional da Peneda Gerês, destruindo árvores com centenas de anos de existência, a chuva de Outubro arrasta consigo a camada de solo que sustentava a diversidade vegetal, impossibilitando na prática a regeneração florestal.
Segundo Pedro Galán, biólogo, professor da Universidade da Corunha, numa encosta de inclinação média a chuva arrasta mais de 80 toneladas de terra por hectare. O solo formado ao longo de séculos desaparece em poucas semanas. E deste modo a paisagem belíssima de certas áreas remotas do nosso único Parque Nacional não conseguirá recuperar ao longo das próximas gerações...

3 comentários:

Mário de Sá Peliteiro disse...

Não se convença que os fogos florestais acabaram.
Tenho uma casa em Vilarinho de Perdizes e o ano passado quase que ardeu, em Dezembro !!!

Henrique Pereira dos Santos disse...

Este tipo de afrmações não fazem qualquer sentido: o coberto vegetal da Peneda é incomparavelmente mais denso e mais desenvolvido do que era há cinquenta anos (experimente olhar para as fotografias da época se tiver dúvidas), não há solo para arrastar nas encostas, para ser mais rigoroso há uma camada delgadíssima cuja perda é rapidamente reposta e há milhares de locais de acumulação do solo arrastado das encostas.
Comparem com que existia há cinquenta anos. Comparem por favor!
Há fotografias, há documentos, por favor estudem, estudem, estudem e não vão apenas atrás do que parece óbvio.
henrique pereira dos santos

TPais disse...

Caro Henrique,
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!
as afirmações não precisam de fazer sentido!Basta observarmos a realidade. Dou-lhe como exemplo, a região da serra da estrela e a encosta do vale do Zezere, onde as recentes chuvadas arrastaram toneledas de solo que concerteza se acumularam noutros locais!Mas a verdade é que aquela encosta em particular ficou mais pobre em solo útil. Por outro lado a ausencia de vegetação provoca um aumento da escorrencia da água da chuva que vai parar em maior quantidade e com maior rapidez aos cursos de água. É possivel observar,nas margens de rios e ribeiras da zona, enormes perdas de solo que não eram apenas uma delgada camada(tratavam-se de secções com mais de um metro de terra "preta".
O facto da Peneda (assim como outras serras)ter um coberto mais denso do que há cinquenta anos é fruto do abandono da agricultura, do pastoreio, de uma politica florestal de cultivo intensivo e da reduzida área ardida que tem afectado esta zona. Os incendios levam, factualmente, ao aumento da probabilidade de perda de solo quando chega a época das chuvas.
Abraço